segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

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Presente...





BELO HORIZONTE - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), retirou ontem a sua pré-candidatura à Presidência sem antecipar o seu próximo passo político: em uma carta, lida por Aécio ao lado do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, do vice-governador Antonio Junho Anastasia e do secretário-geral do partido, deputado federal Rodrigo de Castro (MG), o destino do governador em 2010 é mencionado em uma única frase. " Ao deixar a condição de pré-candidato à Presidência, permito-me novas reflexões, ao lado dos mineiros, sobre o futuro " . Aécio não mencionou na carta, ao contrário do que fez publicamente em três ocasiões, a candidatura ao Senado.




A omissão reacendeu a possibilidade de Aécio compor a chapa de José Serra como candidato a vice-presidente, hipótese que o governador rechaçou no dia 28 de outubro. " No meio oposicionista, há uma insistência generalizada para que ele aceite ser candidato a vice " , comentou o deputado federal Carlos Melles, presidente regional do DEM, aliado de Aécio dentro do partido. Mas o próprio Aécio, em entrevista ao portal " G1 " dada pouco depois do anúncio formal, afirmou que a melhor forma que encontraria para ajudar a eleição de Serra no próximo ano seria sendo candidato ao Senado.
" Sem mandato ele não deve ficar. Acho que ele encontrou uma saída para retirar a candidatura e ao mesmo tempo adiar a própria decisão, de maneira a testar cenários, examinar pesquisas e optar apenas em março. Penso que ele disputará o Senado " , opinou o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, pré-candidato do PT ao governo estadual e aliado circunstancial de Aécio na eleição municipal de 2008.
A retirada de Aécio causou ainda ontem uma primeira repercussão. Os partidos de menor porte já começaram a se alinhar em torno das candidaturas presidenciais de Serra ou da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Algumas horas antes do anúncio de Aécio, cumprindo agenda em Belo Horizonte, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), afirmou que o apoio do seu partido a Dilma tornou-se " uma tendência natural " com a presença de Serra como cabeça de chapa do PSDB. O DEM, que estava dividido entre a ala serrista e outra que se aproximou de Aécio, unificou o discurso e aumentou a pressão para que Serra assuma a candidatura à Presidência da República. Em mensagens em redes sociais na internet, o líder da bancada na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), o líder no Senado, José Agripino Maia (RN) e o ex-prefeito do Rio Cesar Maia afirmaram que Serra torna-se automaticamente candidato.
Desaparece, com a retirada, a possibilidade de a oposição conseguir adesões de siglas governistas na coligação presidencial, como Aécio explicitamente mencionou na carta. " Ao apresentar o meu nome, o fiz com a convicção, partilhada por vários companheiros, de que poderia contribuir para uma construção política diferente, com um perfil de alianças mais amplo do que aquele que se insinua no horizonte de 2010. E as declarações de líderes de diversos partidos nacionais demonstraram que esse era um caminho possível, inclusive para algumas importantes legendas fora do nosso campo " , leu o governador.
A eleição de 2010 tende a contrapor, de um lado, Serra, o DEM e o PPS e do outro, Dilma e a aliança governista. A senadora Marina Silva (PV) tenderá à terceira via com apoio do P-SOL e a candidatura presidencial de Ciro Gomes (PSB-CE) permanece como dúvida. Já em sua carta de retirada, Aécio advertiu que este será um cenário adverso para a oposição. " Devemos estar preparados para responder à autoritária armadilha do confronto plebiscitário e ao discurso que perigosamente tenta dividir o país ao meio, entre bons e maus, entre ricos e pobres " , afirmou.
A segunda repercussão da retirada de Aécio é de caráter eleitoral. Pesquisas recentes apontavam que o governador conseguiria em Minas Gerais 70% da preferência para a eleição presidencial, enquanto Serra ficaria com 40%. Dilma e Ciro estariam em um patamar entre 10% e 15%. A virtual candidata petista tem domicílio eleitoral em Porto Alegre (RS), mas nasceu em Belo Horizonte (MG) e esta condição será agora explorada pelos petistas para explorar algum sentido de frustração do eleitor aecista. " Minas tende a ficar mais simpática com a candidatura de Dilma. Sempre trabalhamos com este cenário " , afirmou Pimentel.
A terceira consequência é regional. Nos próximos 30 dias, o cenário da disputa mineira deve ficar definitivamente desenhado. " Janeiro será um mês de definição no Estado " , afirmou Melles. Aécio irá arbitrar quem, dentre os aliados, ficará com uma vaga ao Senado e a candidatura a vice na chapa de Anastasia. Melles, pelo DEM, e o presidente da Assembleia Legislativa, Alberto Pinto Coelho (PP), disputam as vagas, mas Aécio poderá tentar atrair o PMDB estadual, sob o comando do ministro das Comunicações, Hélio Costa. Pré-candidato a governador, Costa encontra dificuldades de compor com o PT, o que inviabilizaria sua pretensão.
Em sua carta, Aécio afirma que precisaria de tempo para articular a ampliação das alianças do partido e por isso o partido precisaria fazer uma definição rápida entre o seu nome e o de Serra. " O que me propunha tentar oferecer de novo ao nosso projeto estava irremediavelmente ligado ao tempo da política, que, como sabemos, tem dinâmica própria. E se não podemos controlá-lo, não podemos, tampouco, ser reféns dele " , escreveu. Mas na entrevista ao " G1 " , o governador admitiu que constatou que havia uma preferência por Serra dentro do PSDB.
A decisão de Aécio foi comunicada ontem pela manhã, em um encontro com Sérgio Guerra no Palácio das Mangabeiras, a residência oficial do governo. De lá, foram avisados da decisão, por telefone, Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O meio político em Minas tinha certeza da desistência desde a convenção estadual do PSDB, no dia 7, quando Aécio afirmou que iria " mergulhar em Minas Gerais " .

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