Escola Bíblica Discipulado

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Visão Holística do Livro de Romanos

A Epístola aos Romanos, é o sexto livro do Novo Testamento. É a primeira e a mais longa das Epístolas Paulinas, e é considerada a epístola com o "mais importante legado teológico".

Transformados pelo Espírito Santo

O Espírito Santo é que produz a salvação e a santificação no seu coração, pois Ele só fala de Jesus e revela o caráter de Deus a você (Romanos 5:5). É Ele quem dá intimidade com Deus. Adora-lO é obedece-lO.

Na caverna eu redescobri o meu refúgio!

Faça de Deus o seu refúgio! Deixe que Deus, não Saul, o cerque. Deixe que Ele seja o centro da sua vontade. Deixe enfim, que Ele seja o teto que proteje o ambiente da luz do sol, as paredes que detêm o vento, o alicerce sobre o qual você está.

As pedradas da vida

É no deserto das nossas vidas que Deus nos mostra o quão Ele é poderoso para fazer infinitamente mais! Neste artigo, encaro a difícil questão: Porque pessoas tão próximas são capazes de nos apedrejar?

domingo, 21 de agosto de 2011

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Visão Holística de Mateus

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MATEUS 
Apresenta Jesus Cristo, o Messias prometido 

O objetivo especial de Mateus no seu evangelho é mostrar aos judeus que Jesus é o tão esperado Messias, o filho de Davi, e que sua vida é o cumprimento das profecias do AT. O pro pósito é dado no primeiro versículo: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”. Esta declaração une Cristo às duas alianças que Deus fez com Davi e Abraão. A aliança de Deus com Davi consistia na promessa de um Rei que se assentaria no seu trono para sempre (2Sm 7.8-13). A aliança de Deus com Abraão prometia que por meio dele todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12.3). O filho de Davi seria Rei; o filho de Abraão seria sacrifício. Mateus começa com o nascimento de um Rei e termina com o oferecimento de um sacrifício. 
Desde o princípio, Jesus está ligado à nação judaica. Mateus foi sábio em não excluir os judeus que pudessem ler a história. Procura convencê-los de que Jesus era o cumprimento de todas as profecias feitas a respeito de seu Messias prometido. Mais do que qualquer dos outros evangelistas, ele cita com freqüência o aT. Aparecem 29 citações. Em 13 delas, ele diz que o acontecimento se deu para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta. 
Mateus liga-nos como o AT. Em cada página, ele procura relacionar o evangelho com os profetas e mostrar que todos os seus ensinos estão se cumprindo na pessoa e no reino de Jesus Cristo. 
É-nos difícil avaliar quão grande é a transição do AT para o NT. Parecia ao judeu que ele tinha de abandonar sua tradição e ortodoxia e aceitar outra crença. Mateus, em seu evangelho, e Paulo, especialmente em Gálatas, mostram aos judeus cristãos que não estavam renunciando a sua antiga fé, mas apenas abandonando símbolos e sombras em troca da substância real. 
Mateus conhecia bem a história e os costumes judaicos. Nas sete parábolas do capítulo 13, ele fala sobre agricultura, pesca e hábitos caseiros do povo. Sabia que essas referências provocariam uma reação favorável nos judeus. 
Ao ler Mateus, procure ter uma visão clara e compreensiva de todo o seu evangelho. Tenha em mente o caráter messiânico desse livro. Observe o equilíbrio entre o ministério e o ensino de Jesus. Aqui achamos a genealogia do Rei; seu nascimento em Belém, a cidade de Davi, de acordo com a profecia de Miquéias (5.2); vinda do precursor João Batista, predito por Malaquias (3.1); o ministério do Rei; sua rejeição por Israel; e a promessa da sua volta em poder e glória. 
O autor é, sem dúvida, um judeu cristão (Mt 9.9; 10.3). Mateus significa “dádiva de Deus”, Era cobrador de impostos em Cafarnaum, para os romanos, quando Jesus o escolheu como um dos 12 discípulos. Seu nome aparece em todas as relações dos Doze, ainda que Marcos e Lucas registrem seu outro nome, Levi. A única menção que o autor faz a seu respeito é chamar-se “publicano”, termo pejorativo na época. Os outros evangelistas falam da grande festa que ele deu para Jesus e registram o fato significativo de ter deixado tudo para seguir o Mestre. Era, sem dúvida, um homem de recursos. 

A POSIÇÃO DE MATEUS 

Mateus quebra o silêncio de quatrocentos anos entre a profecia de Malaquias e o anúncio do nascimento de Jesus. Israel estava sob o domínio do Império Romano. Ninguém da “casa de Davi” tinha sentado no trono por mais de seiscentos anos. 
Herodes não era o rei de Israel, mas governador da Judéia, nomeado pelo imperador de Roma. O homem que na realidade tinha direito ao trono da casa de Davi era José, o carpinteiro que se tornara marido de Maria. Veja a genealogia de José em Mateus 1 e observe um nome em especial, Jeconias, no versículo 11. Se José tivesse sido pai de Jesus segundo a carne, Jesus nunca poderia ter ocupado o trono, porque a Palavra de Deus lhe teria barrado o caminho. Houve uma maldição sobre essa linhagem real desde os dias dejeconias. Em Jeremias 22.30, lemos: 
“Assim diz o SENHOR: Registrai este como se não tivera filhos; homem que não prosperará nos seus dias, e nenhum dos seus filhos prosperará, para se assentar no trono de Davi e ainda reinar em Judá”. José estava na linhagem dessa maldição. Portanto, se Cristo tivesse sido filho de José, ele não poderia se assentar no trono de Davi. 
No entanto, encontramos outra genealogia em Lucas 3. Esta é a linhagem de Maria, traçada até Davi, por meio de Natã, e não de Jeconias (Lc 3.31). Não havia maldição nessa linhagem; a Maria, Deus disse: “Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lc 1.30-33). Agora o silêncio se quebra, e a vinda do Messias é anunciada. 
O livro de Mateus vem depois do AT e é o começo do NT; é o elo de ligação entre os livros. Foi escrito para os judeus e está situado no lugar certo. Ele pressupõe que o desenrolar dos acontecimentos é conhecido pelos leitores. O AT concluíra com a nação escolhida aguardando seu Messias há tanto tempo prometido. Mateus mostra que Jesus era esse Rei; é o evangelho do cumprimento. 
Mateus apresenta o Senhor Jesus de maneira distintamente in te neste evangelho encontramos a declaração do Messias: “Nao fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 15.24). O que seu próprio povo faz a ele (Jo 1.1 1)? 
Na ordem numérica, esse livro é o quadragésimo no cânon. Trinta e nove livros no AT, e depois Mateus. Quarenta é sempre um número de provação nas Escrituras. Jesus foi tentado pelo diabo por quarenta dias; Israel esteve no deserto durante quarenta anos; Davi foi rei por quarenta anos; Moisés esteve no palácio quarenta anos; depois, numa região deserta por quarenta anos. Em que outras ocasiões aparece o número 40? Procure na sua concordância bíblica. 
No quadragésimo livro da Bíblia, Israel está num lugar de provação e sendo testado com a presença do Messias em seu meio. Cristo é apresentado como Rei dos judeus, e eles o rejeitam não só como seu Messias, mas como seu Salvador (Mt 16.21). 

O ADVENTO DO REI
(Cap. 1.1-2:23) 

Mateus é o evangelho do Messias, o Ungido de Deus. O propósito principal do Espírito nesse livro, é mostrar que Jesus de Nazaré é o Messias predito, o Libertador, de quem Moisés e os profetas
escreveram: “... cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq 5.2). Ele é o menino que estava para nascer, o Filho que seria dado, de quem Isaías fala, e que seria chamado “Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6). 
Todos os mapas do mundo e todos os calendários indicam o lugar e o tempo de nascimento de Cristo. Ele nasceu em Belém da Judéia (Mq 5.2; Mt 2.1), nos dias do rei Herodes. Conhecemos esse lugar e esse rei. Não temos de imaginar uma história; temos nomes e datas. O cristianismo é uma religião histórica. O evangelho não começa com “era uma vez...”; começa falando de Belém da Judéia. A cidade está lá, e podemos conhecer o lugar onde Jesus nasceu. 
A época é definida: “nos dias do rei Herodes”, personagem histórica. Esse monstro de iniqüidade não é um mito. 
Essas são declarações de fatos que não podem ser contestados por críticos ou incrédulos. A narrativa do evangelho de Mateus firma-se no fundamento sólido da História. Não estamos construindo nossa fé num mito, mas num fato verdadeiro. Não aconteceu num canto escuro, mas à plena luz do dia, e não receia o mapa do geógrafo nem a pena do historiador. 
A história do nascimento de Jesus em Mateus difere da de Lucas. As duas narrativas se complementam, e, ainda que muita coisa não tenha sido registrada, Deus revelou tudo que precisávamos saber. A vida terrena de Jesus começou numa estrebaria; teve por berço uma manjedoura. Sua família era de condição humilde; ele veio como uma criança indefesa. Como foi humano nosso Senhor! Jesus, entretanto, teve um arcanjo por arauto; sua vinda foi saudada por um coro de anjos, e os mais sábios filósofos do mundo o adoraram! Como foi divino nosso Senhor! 
Muitos, ao começarem a ler Mateus e Lucas, estranham as longas genealogias por eles registradas. Devemos compreender que foram incluídas nas Escrituras com um propósito. 
Genealogia é o estudo da origem das pessoas e das famílias. Há duas genealogias de Cristo: uma em Mateus 1.1-17, e a outra em Lucas 3.23-38. Não são iguais, e a razão é que cada uma delas traça a ascendência de Cristo com um propósito diferente. 
Mateus traça a linhagem de Jesus até Abraão e Davi a fim de mostrar que ele era judeu (descendente de Davi). Lucas traça a linhagem até Adão para mostrar que ele pertencia à raça humana. 
Mateus apresenta Jesus como de descendência real: o Rei, o Messias, o Leão da tribo de Judá, o prometido Soberano de Israel. Lucas mostra Jesus como de linhagem humana: o Homem ideal, nascido de mulher. 
Observe como essas duas descrições de Jesus são mantidas em cada um desses dois relatos - Mateus apresentando-o como o MESSIAS, e Lucas, como o HOMEM. 

A LINHAGEM REAL 

Por que estamos interessados nessas genealogias? Porque nos dão a chave para toda a “vida de Cristo”. Elas mostram, antes de maus nada, que ele não era um homem qualquer, mas descendia de família real, tinha sangue real nas veias. Se não fosse Rei, não poderia exigir o domínio sobre nossa vida. Se não fose HOMEM, não poderia conhecer nossas enfermidades e nossas dores. 
Percorra Mateus e siga a trajetória do Rei. 

Veja quanto ele tinha de Rei 

1. Nome real 
“E ele será chamado pelo nome de Emanuel (1.23). 
2. Posição real
“De ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo, Israel” (2.6). 
3. Anúncio real
“Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (3.3). 
4. Coroação real
“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo (3.17). 
5. Proclamação real
“E ele passou a ensiná-los” (5.2); “ele as ensinava como quem tem autoridade” (7.29). 
6. Lealdade real
“Quem não é por mim, é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha” (12.30). 
7. Amor real
“O Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (20.28). 
8. Glória real
“Quando vier o Filho do homem [...] então, dirá o Rei [...] Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino” (25.31,34). 
9. Sacrifício real
“Depois de o crucificarem [...]. Por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, o REI DOS JUDEUS” (27.35,37). 
10. Vitória real
“Ele não está aqui: ressuscitou como tinha dito” (28.6). 
Só Mateus relata a visita dos magos do Oriente. Além de serem magos persas, eram também intelectuais, que estudavam os astros. Vieram adorar e honrar um Rei. Não chegaram indagando: “Onde está aquele que é nascido Salvador do mundo?”, mas: “Onde está o recém-nascido Rei dos judeus?”. 
Marcos, Lucas e João não mencionam os magos porque não estavam registrando o nascimento de um rei. A estrela sagrada havia parado sobre a manjedoura de Belém para anunciar o nas cimento de Cristo. Por esse tempo, o mundo todo aguardava o advento de alguém muito importante. “Onde está o recém-nas cido Rei dos judeus?” era a pergunta em todos os lábios. Com todas as profecias feitas a Israel, nem o mundo nem Israel po deriam ser criticados por aguardarem um Rei que governaria a terra do trono de Davi (Jr 23.3-6; 30.8-10; 33.14-16,23,26; Ez 37.21; Is 9.7; Os 3.4,5). 
Os sacerdotes sabiam onde Cristo iria nascer, porém não o reconhecem quando nasceu. Os magos foram conduzidos a uma pessoa, e não a um credo. 
A adoração dos magos foi prenúncio do domínio universal de Cristo, “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho [...] e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.10,1 1). “Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra” (Sl 72.8). 
Paulo diz em Gálatas 4.4,5: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei”. Jesus veio para ser o Salvador do mundo. 
O nascimento de Jesus foi seguido por doze anos de silêncio até a sua visita aos doutores em Jerusalém. Depois, o silêncio envolveu de novdezoito anos seguintes para informar sobre sua atividade. Jesus preparou-se por trinta anos para um ministério de três anos. 

A PROCLAMAÇÃO DO REINO
(Cap. 3:1-16:20) 

João Batista tinha outro nome. O profeta Isaías, ao falar da vinda do Messias, o Servo de Jeová, menciona uma personagem conhecida simplesmente como “a voz”: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no termo vereda a nosso Deus” (Is 40.3). Essa “voz”, que aparece aqui sem nome, seria o arauto de Jesus Cristo. Teria duas funções: a de voz e a de mensageiro. Isso é tudo o que o AT nos diz de João Batista. Mas já é muito. É realmente maravilhoso que não só Cristo fosse predito nas Escrituras, mas que o seu precursor, João Batísta, também o fosse. 
Em Mateus, ouvimos “a voz”: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3.2,3). 
O Rei precisa ser anunciado! Era dever de esse arauti ir adiante do Rei como o oficial romano ia adiante do governador e ordenava que fossem consertadas as estradas pelas quais seu senhor iria passar. Foi isso que João Batista fez. Mostrou que os caminhos espirituais da vida dos hoens e das nações estavam cheios de sulcos causados pelo pecado e pelas curvas fechadas da iniqüidade e precisavam ser reconstruídos, endireitados. 
O Rei deixa sua vida pessoal e particular e ingressa em seu ministério público (Mt 4). Começa uma crise. Satanás encontra-se com ele. Depois de receber a unção do Espírito Santo por ocasião do batismo, quando o Pai disse: “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”, Jesus sai a fim de realizar os pianos para os quais veio ao mundo. Foi levado ao deserto para enfrentar o primeiro grande conflito do seu ministério público. 
Satanás ofereceu-lhe um atalho para alcançar o reino universal que ele viera ganhar por meio do caminho longo e doloroso da cruz, mas Cristo veio primeiro para ser Salvador e, então, Senhor. Como é grande a tentação de buscarmos um atalho para a realização das nossas ambições! Jesus, porém, saiu vitorioso com seu escudo intacto e sem mancha. Ele prosseguiu e venceu todas as outras tentações até sua vitória final e ascensão ao céu, como Senhor de todos (v. 1Co 10.13). 

AS LEIS DO REINO 

Todo reino precisa ter leis e padrões para governar seus súditos. O reino dos céus não constitui exceção. Jesus declarou ter vindo não para destruir a lei, mas para cumpri-la. A lei antiga serviu para aquela época. Moisés e os profetas estavam adiantados em relação ao seu tempo; foram pioneiros. Jesus não destruiu a lei antiga, mas tratou-a como rudimentar, e não como perfeita e final. 
Jesus disse que toda reforma que inicia de fora para dentro está começando do lado errado. Cristo inicia do interior para o exterior, O único modo de viver certo é ter um coração bom. Do elevado púlpito de um monte, Jesus pregou o sermão que contém as leis do seu reino (Mt 5-7). Leia esses três capítulos e recorde o mais maravilhoso de seus discursos. Está repleto de ensinamentos. Depois de mil e novecentos anos este Sermão do Monte nada perdeu de sua majestade ou poder; sobressai a todos os ensinos dos homens. O mundo ainda não alcançou os mais simples ideais e exigências. Muitos não-cristãos declaram que o Sermão do Monte é sua religião. Como entendem pouco a profundidade do seu significado! O importante não é simplesmente elogiar esse código como uma teoria maravilhosa, mas praticá-lo de fato em nossa vida. Se permitíssemos que esses princípios operassem em nós, eles transformariam todo o nosso relacionamento pessoal, curariam nossas feridas sociais, resolveriam todas as questões entre as nações e poriam o mundo todo em ordem. A base dessa lei é a bondade. Um dia vivido de acordo com seus ensinos seria um pedacinho do céu. Em vez da anarquia, reinaria o amor. Cristo mostra que o pecado não consiste apenas no ato cometido, mas também no motivo que o provocou (v. Mt 5.21,22,27,28). Ninguém pode esperar perdão se não perdoa (Mt 6.12,14,15). Alguém já penetrou na profundidade de Mateus 7.12? É fácil de ler, mas dificíl de praticar. 
Jesus define a natureza e os limites do reino, as condições de entrada, suas leis, seus privilégios e recompensas. O Sermão do Monte estabelece a constituição do reino. Repetidamente, o Rei diz: “Eu, porém, vos digo”. Isso revela a autoridade de Jesus em relação à lei de Moisés. Os homens precisam guardar a lei não só exteriormente, mas também no espírito. Observe o efeito sobre o povo: “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mt 7.28,29). 

O PODER DO REI 

Há 12 surpreendentes milagres em Mateus 8 e 9. Quais são eles? Depois que Jesus realizou os milagres do capítulo 12, lemos: “E toda a multidão se admirava e dizia: É este, porventura, o Filho de Davi?” (12.23). Os escribas, com seu espírito crítico, entram em cena agora e passam a julgar com hostilidade os atos de Jesus (Mt 9.3). O reino está próximo porque o Rei mesmo estava lá. 

OS MINISTROS DO REI 

Jesus não só pregou, mas também reuniu outros ao seu redor. Era preciso organizar o reino e estabelecê-lo em bases mais Amplas e permanentes. Um rei tem súditos; sua luz se reflete por meio de instrumentos humanos. Ele diz: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5.14). Jesus ainda tem uma grande mensagem para o mundo e precisa de nós para anunciá-la. As idéias espirituais não podem caminhar sozinhas pelo mundo e ter algum valor; têm de encrnar-se em pessoas e instituições que lhes sirvam de coração e cérebro, mãos e pés, a fim de praticá-las. Era isso que Jesus estava fazendo. Ele estava chamando homens a fim de treiná-los para darem continuidade a sua obra. 
Onde Jesus encontrou seus colaboradores? Não no templo, entre os doutores da lei ou entre os sacerdotes, nem nas universidades de Jerusalém. Ele os achou à beira-mar, consertando suas redes. Jesus não chamou muitos nobres e poderosos mas “escolheu antes as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios” (1Co 1.27). 
Em Mateus 10.2-4, temos o nome dos discípulos. Esta é, provavelmente, a relação de nomes mais importantes do mundo. A esses homens foi dada a execução de uma obra, diante da qual vencer batalhas e fundar impérios parecem coisas de somenos importância. A grande mensagem deles era o reino dos céus. “E, à medida que seguirdes, pregai que esta proximo o reino dos ceus (Mt 10.7). A tremenda missão deles era dar início a esse reino. 
Observe as advertências e instruções de Jesus aos discípulos em Mateus 10. Quais foram? Se essas exigências para o discipulado vigoram ainda hoje, podemos considerar-nos discípulos de Jesus? Pensemos nas palavras de Cristo em Mateus 10.32,33. 

O REINO DOS CÉUS 

A palavra “reino” aparece mais de 55 vezes em Mateus, pois este é o Evagelho do Rei. A expressão “reino dos céus” aparece 35 vezes aqui e não figura em nenhum outro dos evangelhos. Das 15 parábolas registradas em Mateus, só três não começam com a expressão “O reino dos céus é semelhante a...”. 
Os judeus entendiam bem a expressão “reino dos céus”. Nem Jesus nem João a definiram. No Sinai, Deus disse a Israel: “Vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa” (Êx 19.6). A princípio, Israel era uma teocracia; Deus era seu rei, e o povo formava o reino. Os profetas repetidamente se referiam ao reino messiânicos. 
Jesus comparou o reino dos céus, em Mateus 13:
  • ao semeador; 
  • ao fermento na massa; 
  • ao joio; 
  • ao tesouro escondido; 
  • à semente de mostarda; 
  • à pérola de grande preço; 
  • à rede de pescar. 
Essas parábolas, chamadas de mistérios do reino dos céus (Mt 13.11), descrevem qual será o resultado da presença do evangelho de Cristo no mundo, desde a época presente até sua volta, quando então haverá a ceifa (13.40-43). Não vemos nenhum quadro alvissareiro de um mundo convertido. Haverá joio misturado com trigo, peixes de boa e má qualidade, fermento na massa. (O fermento é sempre tipo do pecado. O Espírito nunca usa o fermento como tipo de algo bom. Verifique isso em sua concordância bíblica.) Ocorre então o crescimento anormal da semente de mostarda a ponto de poderem as aves do céu abrigar-se debaixo de seus ramos. Isso é o cristianismo. Só Cristo pode determinar o que é bom e o que é mau e, por ocasião da ceifa, fará a separação. Se vamos ter o reino aqui na terra com as leis que Cristo estabeleceu, então precisamos ter o Rei. Um dia, Cristo virá em poder e grande glória e estabelecerá seu trono na terra. Quando o Príncipe da Paz reinar, teremos paz! 

A REJEIÇÃO DO REI
(Cap. 16.21-20.34) 

É triste pensar que Cristo “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Primeiro, o reino foi apresentado aos herceiros legítimos, os filhos de Israel, mas estes recusaram a oferta, rejeitaram o Rei, e finalmente o crucificaram. A partir de Mateus 12, vemos uma grande controvérsia entre os guias religiosos a respeito de Jesus. 
Jesus anunciou que o reino seria tirado dos judeus e dado a outra nação. “Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos” (21.43). A declaracao ofendeu os guias religiosos, que procuravam matá-lo (21.46). 
Nosso Senhor apresentou a Nicodemos os requisitos para entrar no reino dos céus (Jo 3.3-7,16). Todos aqueles que crer pode desfrutar dos privilégios e bênçãos do reino que é tanto para o gentio como para o judeu. 
Porque os judeus recusaram o reino? O mundo hoje aspira a uma era áurea. 
Um milênio de paz e tranqüilidade é o grande anseio dos diplomatas e governantes, mas sabe-se que eles o querem a seu modo e de acordo com suas condições; querem que isso se realiza por 
seus próprios esforços. Não anseiam o Milênio que será estabelecido pela volta de nosso Senhor Jesus Cristo. O mesmo aconteceu com os judeus nos dias de João Batista. 
Você já pôs Cristo no trono de sua vida? Tem a paz que tanto anseia? Já aceitou as condições que Jesus estabeleceu para sua vida. 

A IGREJA PROMETIDA 

Encontramos Jesua com seus discípulos em Cesaréia de Filipe, aparentemente com o propósito de ter uma entrevista particular com eles, na qual lhes revelaria uma grande verdade (Mt 16). Só o evangelho de Mateus menciona a palavra “igreja”. Rejeitado o reino, há uma mudança nos ensinos de Jesus. Ele começa a falar sobre a igreja, em vez de no reino (16.18). A palavra “igreja” vem de ecciesia (no grego), que quer dizer “os chamados para fora”. Visto que nem todos creriam nele, Cristo disse que chamaria qualquer pessoa, judeu ou gentio, para pertencer à igreja, que é seu corpo. Ele começou a construir um novo edifício, um novo corpo de pessoas, que incluiria tanto judeus como gentios (Ef 2.14-18). 

A PERGUNTA MAIS IMPORTANTE DA VIDA 

Quando se achavam longe da agitação em que viviam, Jesus fez esta pergunta aos discípulos: “Quem diz o povo ser o Filho do homem?” (16.13). 
Essa é uma pergunta importante atualmente. Feita primeiro por um obscuro galileu naquele lugar afastado, vem ecoando através dos séculos e se tornou a suprema pergunta no mundo de hoje. O que vocês pensam de Cristo? Aquilo que pensamos determina o que somos e o que fazemos. As idéias que os homens têm sobre indústria, riqueza, governo, moral e religião moldam a sociedade e modificam vidas. Assim, o que se pensa de Cristo é a força motora no mundo hoje e, mais do que qualquer outra coisa, influencia a vida e o pensamento da humanidade. 
Os discípulos apresentam as respostas que o povo estava dando. Eram tão variadas naquele tempo como o são em nossos dias. Todos concordavam em que Jesus era uma pessoa extraordinária, no mínimo um profeta, ou uma pessoa com dons sobrenaturais. As opiniões dos homens sobre Cristo são elevadas. A resposta de que Jesus era um mito, um ingênuo ou um impostor já não se tolera. 
A seguir, Jesus transfere a pergunta do terreno geral para o terreno pessoal: “Mas vós, quem dizeis que eu sou?” (16.15). Faça a si mesmo esta pergunta. A pergunta é importante no sentido geral, mas muito mais importante no sentido pessoal. Ninguém pode escapar dela. Uma resposta neutra é impossível. Ou ele é Deus, ou é um impostor. 

A RESPOSTA MAIS IMPORTANTE 

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”, exclamou o impulsivo e ardoroso Pedro. Essa resposta reconhece Cristo como Messias, o cumprimento das profecias do AT. É uma magnífica confissão porque exalta Cristo como o Filho de Deus, eleva-o acima da humanidade e reconhece sua divindade. Daqui por diante, ele revela a esse punhado de discípulos novas verdades a respeito de seus ensinos. Jesus disse a Pedro e aos discípulos, depois dessa confissão: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja. Era isso que iria fazer: construir urna igreja da qual ele mesmo seria a principal pedra de esquina. Essa igreja nasceu em Jerusalém, no dia do Pentecoste (At 2). 
Pela primeira vez, a profética sombra da cruz projetou-se no caminho dos discípulos. Daí por diante, Jesus começou a erguer o pano que encobria o futuro e a mostrar-lhes as coisas que 
iriam acontecer. Ele viu o caminho que o corduziria a Jerusalém, onde os fariseus e os sacerdotes o aguardavam cheios de ódio, e depois a terrível cruz, mas viu também a glória da manhã da ressurreição (16.21). 
Jesus não revelou essas coisas aos discípulos enquanto não estavam prontos para elas. Muitas vezes, Deus, em sua misericórdia, esconde de nós o futuro. 

O REI TRIUNFA 
(Cap. 21.1-28.20) 

Na manhã do Domingo de Ramos, havia um alvoroço em Betânia e ao longo da estrada que levava a Jerusalém. Estava prevista a entrada de Jesus na cidade naquele dia. Os discípulos procuraram um jumento e, tendo lançado sobre ele seus mantos, fizeram Jesus montar, e a procissão começou. Esse pequeno desfile não pode ser comparado em magnificência a muitos cortejo que têm sido celebrados para a coroação de um rei ou para a posse de um presidente, mas teve muito maior significação para o mundo. Jesus permitia pela primeira vez, um reconhecimento público e a celebração de seus direitos como Messias-Rei. O fim aproximava-se com tremenda rapidez, e ele deveria oferecer-se, mesmo que fosse para ser rejeitado. 
Em seu entusiasmo, o povo arrancava ramos de oliveiras e de palmeiras e com eles atapetava a estrada, louvando-o em alta voz. Cria em Jesus e, com todo o seu ardente entusiasmo oriental, não se envergonhava do seu Rei. Em resposta às multidões que perguntavam: “Quem é este?”, eles respondiam com desassombro: “É o profeta, Jesus de Nazaré”. Era preciso coragem para dizer isso em Jerusalém. Jesus não estava entrando na cidade como um conquistador triunfante, como os romanos haviam feito. Não vinha de espada em punho. Sobre ele não esvoaçava um estandarte manchado de sangue. Sua missão era salvar! 
Ao anoitecer, as multidões se dispersaram, e Jesus retornou em silêncio a Betânia. Aparentemente nada havia sido realizado no sentido de torná-lo rei. Seu reino não seria visível nem cercado de aparato; sua hora ainda não havia chegado. Cristo tem de ser Salvador primeiro, para então voltar como Rei dos reis e Senhor dos senhores. 
A autoridade de Cristo foi posta em dúvida, quando entrou no templo e expulsou os mercadores, derrubando as mesas e dizendo-lhes que haviam feito da casa de Deus um covil de ladrões. Seguiu-se uma dura controvérsia: “Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam em alguma palavra” (Mt 22.15). Jesus despediu-se de Jerusalém até o dia em que retornaria para sentar-se no trono de Davi. 

O FUTURO DO REINO 

Jesus pronunciou o discurso do monte das Oliveiras e predisse as condições do mundo depois da sua ascensão até a sua volta, em glória, para julgar as nações pelo tratamento dispensado aos seus irmãos, os judeus (Mt 25). Esse não é o julgamento do grande trono branco, o julgamento dos ímpios mortos, tampouco é o tribunal de Cristo (2Co 5.10), que é o julgamento dos santos segundo as suas obras. É o julgamento das nações gentias por sua atitude para com o povo de Deus. 
Boa parte do sermão de Mateus 24 e 25 é dedicada à sua segunda vinda. Nas parábolas do servo fiel, das dez virgens e dos talentos, ele exorta os homens a estarem preparados. 

MORTE E RESSUREIÇÃO DO REI 

Temos focalizado alguns pontos culminantes da vida de Jesus. Ao entrarmos no Gersêmafli agora começamos a penetrar nas sombras. Vemos o filho de Abraão, o sacrifício, morrendo para que todas as nações da terra sejam abençoadas por meio dele. Jesus foi morto potque afirmou ser Rei de Israel. Ressurgiu dos mortos porque era Rei (At 2.30-36). Apesar de um grande número de discípulos crer em Jesus e segui-loa a oposição dos judeus era cruel, e deliberaram matá-lo. Sob acusação de blasfêmia e de ter afirmado ser o Rei dos judeus fazendo-se, assim, inimigo do imperador romano, Jesus foi entregue a Pilatos para ser crucificado. 
Mateus não é o único a registrar as terríveis circuntâncias da paixão do Salvador, mas faz-nos sentir que a zombaria, a coroa de espinhos o cetro e a inscrição na cruz são testemunhas de que Jesus era realmente Rei, ainda que fossem escarnecedoras. 
Depois de estar pendurado no madeiro cruel por seis horas, o Salvador morreu, não só como resultado do sofrimento físico, mas de um coração partido por levar sobre si os pecados do mundo todo. Ouvimos o seu grito triunfante: “Está consumado!”. Ele pagou a dívida do pecado e se tornou o Redentor do mundo. 

O ALTO PREÇO DA REDENÇÃO 

O modo pelo qual o Messias iria morrer fora prefigurado no AT por vários tipos e símbolos. A serpente de bronze no deserto significava que teria de ser levantado na cruz; o cordeiro no altar judaico significava que seu sangue deveria ser derramado; suas mãos e pés seriam perfurados pelos cravos; seria ferido e atormentado; seus ouvidos se encheriam dos insultos; sobre seu manto lançariam sortes e lhe dariam vinagre para beber. Todos esses incidentes foram preditos na profecia judaica. Essa, porém, não é a história toda da redenção. Jesus foi posto no túmulo de José de Arimatéia, e no terceiro dia ressuscitou, como havia dito. Essa era a suprema prova de sua realeza. Os homens pensaram que ele tivesse morrido, e seu reino, fracassado, mas sua ressurreição assegurava aos discípulos que O Rei estava vivo e que um dia voltaria para estabelecer seu reino na terra. 
Mateus não registra a ascensão de Jesus. O pano desce com o Messias ainda na terra, pois é na terra, e não no céu, que o Filho de Davi irá reinar em glória. A última vez que os judeus viram Cristo, ele estava no monte das Oliveiras. Quando o virem de novo, ele estará no monte das Oliveiras! (V. Zc 14.4; At 1.11.) 

COMISSÃO MUNDIAL 

Jesus anunciou seu programa, e uma hora de crise atingiu a história da cristandade. O clímax acha-se em sua Grande Comissão: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (28.18-20). 
Qual a missão para a qual foram enviados? Conquistar o mundo com exércitos e fazer os homens se submeterem à espada? Não! Sua missão foi “fazer discípulos de todas as nações”. 
Do monte da ascensão, os discípulos partiram a fim de cumprir a ordem, e daquele centro eles têm-se espalhado até que alcancem os confins da terra. O cristianismo não é religião nacional ou racial; não conhece limites de montanha nem mar, mas envolve todo o globo! 

PLANO DE ESTUDO SEMANAL
  • Domingo: O Rei nasceu Mateus 1.18-2.23 
  • Segunda: O Rei inicia a sua obra Mateus 4.1-25 
  • Terça: O Rei enuncia as leis do reino Mateus 5.1-17, 41-48; 6.19-34 
  • Quarta: O Rei e seu seguidores Mateus 10.1-33 
  • Quinta: Os Mistérios do reino Mateus 13.1-52 
  • Sexta: O Rei se oferece como Rei Mateus 21.1-11 
  • Sábado: O Rei voltará Mateus 25.14-16

domingo, 7 de agosto de 2011

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Visão Holística de João


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JOÃO
Apresenta Jesus Cristo, o Filho de Deus

João escreveu para provar que Jesus era o Cristo, o Messias prometido (para os judeus) e o Filho de Deus (para os gentios); tinha em mira levar seus leitores a crer nele a fim de que, crendo, tivessem vida em seu nome (Jo.20.3 1). A palavra-chave é crer. Encontra-se, em suas diversas formas, quase cem vezes no livro.
O tema do evangelho de João é a divindade de Jesus Cristo. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, sua divina filiação é apresentada. Nesse evangelho vemos que “o infante de Belém” não é  outro senão o “unigênito do Pai” (1.14). São incontáveis no livro as evidências e provas desse fato. Apesar de que “todas as coisas foram feitas por ele” (1.3) e de que a vida estava nele (1.4), o Verbo, todavia, “se fez carne e habitou entre nós”  (1.14). Nenhum homem poderia ver Deus, por isso Cristo veio para revelá-lo.

Omissões em João

João não registra nenhuma genealogia, nem a linhagem legal de Jesus da parte de José (como em Mateus), nem sua linhagem pessoal do lado de Maria (dada por Lucas). Não narra seu nascimento porque ele era no “princípio’. Não fala nada a respeito de sua infância. Não relata sua tentação. É apresentado como Cristo, o Senhor, e não como aquele que foi tentado em tudo como nós. Não se refere à transfiguração. Não fala da escolha dos discípulos. Não apresenta parábolas. Não é narrada a ascensão. Não é  mencionada a Grande Comissão. 

Seus títulos são significativos

Só aqui Ele é chamado de:
  • Verbo
  • Criador
  • Unigênito do Pai; 
  • Cordeiro de Deus; 
  • A revelação do grande “Eu Sou” (Êx 3.14).                          

O AUTOR

João, “filho do trovão”, “o discípulo a quem Jesus amava”. Era filho de Zebedeu, pescador em boa situação, e irmão de Tiago. Sua mãe era Salomé, devotada seguidora do Senhor, que pode ter sido irmã de Maria, mãe de Jesus (Mc 15.40; Jo 19.25). Sua posição era provavelmente melhor do que a da média dos pescadores.
João deveria ter uns 25 anos quando Jesus o chamou. Tinha sido seguidor de João Batista. No governo de Domiciano, João, o discípulo amado, foi exilado na ilha de Patmos; mais tarde, porém, voltou a Éfeso e se tornou pastor daquela maravilhosa igreja. Viveu naquela cidade até idade avançada, sobrevivendo a todos os apóstolos. Durante esse tempo, escreveu o evangelho sobre a divindade de Cristo, co-eterno com o Pai.
João escreveu quase uma geração depois dos outros evangelistas, entre os anos 80 e 100 d.C., no fim do século I, quando todo o restante do NT já estava completo. A vida e a obra de Jesus eram bem conhecidas nessa época. O evangelho havia sido pregado; Paulo e Pedro tinham sido martirizados, e todos os apóstolos haviam morrido; Jerusalém fora destruída pelas legiões romanas sob o comando de Tito em 70 d.C.
Os Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) foram escritos antas do ano 70, quando Jerusalém foi tomada. Falsos mestres já haviam surgido, negando que Jesus Cristo fosse o Filho de Deus vindo em carne. Por isso, João escreveu dando ênfase a essa verdade e registrando palavras e as obras que revelam o divino poder e a glória de Jesus.
João escreve num tom mais elevado e nobre do que os outros escritores. Em cada um dos três primeiros evangelhos, vemos Cristo em seu relacionamento humano com os homens, mas em João o encontramos em um relacionamento espiritual com um povo do céu. Vamos examiná-los de novo.
Em Mateus e Lucas, “Filho de Davi” e “Filho do homem” ligam Cristo a terra. Em João, “Filho de Deus” une-o ao Pai do céu.
Assim como em Lucas o cuidado divino cercou nosso Senhor para guardar a perfeição de sua humanidade, em João foi guardada a sua divindade.
Em João, Jesus aparece habitando com Deus antes que a criatura humana fosse formada (Jo 1.1,2). Ele é chamado o Unigênito do Pai (1.14). “É o Filho de Deus” (1.34).
Trinta e cinco vezes Cristo se refere a Deus como “meu Pai”.
Vinte e cinco vezes ele diz “Em verdade, em verdade”, para indicar sua autoridade. Além das próprias afirmações, seis outras testemunhas afirmam sua divindade.


SUA DIVINDADE REVELADA EM CADA CAPÍTULO

Capítulo 1. Na confissão de Natanael:
“Tu és o Filho de Deus” (1.49).
Capítulo 2. No milagre de Caná:
“manifestou a sua glória” (2.1 1).
Capítulo 3. A Nicodemos, ele disse que era:
"O Filho unigênito” (3.16)
Capítulo 4. Na conversa com a mulher samaritana, declarou:
“Eu o sou, eu que falo contigo”  (o Messias) (4.26).
Capítulo 5. Aos judeus, disse que:
“a voz do Filho de Deus” daria vida (5.25).                       
Capítulo 6. Declarou à multidão:
“Eu sou o pão da vida” (6.33).
Capítulo 7. Na festa dos tabernáculos, proclama:
“Se alguém tem sede, venha a mim e beba”  (7.37).
Capítulo 8. Aos judeus incrédulos, revelou:
“Antes que Abraão existisse, Eu sou” (8.58).
Capítulo 9. Ao cego, disse:
“Já o tens visto, e é o que fala contigo”  (9.37).
Capítulo 10. Jesus declarou:
“Eu e o Pai somos um” (10.30).
Capítulo 11. A declaração de Marta:
“Tu és o Cristo, o Filho de Deus” (11.27).
Capítulo 12. Aos gregos, disse:
“E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo” (12.32).
Capítulo 13. Por ocasião da ceia, Jesus disse:
“Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou” (13.13).
Capítulo 14. Sua declaração:
“Credes em Deus, crede também em mim” (14.1).
Capítulo 15. Comparando-nos aos ramos de uma videira:
“Porque sem mim nada podeis fazer” (14.5).
Capítulo 16. Ao prometer o Espírito Santo:
“Eu vo-lo enviarei” (16.7).
Capítulo 17. Em sua oração sacerdotal:
“Glorifica a teu Filho” (17.1).
Capítulo 18. A Pilatos declara:
“Tu dizes que sou rei” (18.37).
Capítulo 19. Em sua expiação, exclama:
“Está consumado!” (19.30).                                     
Capítulo 20. Tomé confessa:
“Senhor meu e Deus meu” (20.28).
Capítulo 21. Ao exigir obediência:
“Segue-me” (21.22).

SETE TESTEMUNHAS

O livro de João foi escrito para que os homens cressem que Jesus Cristo era Deus. João apresenta sete testemunhas para provar esse fato. Abra as Escrituras e ouça cada uma fazendo sua declaração:                                                                                                                                      
1. O que você  diz, João Batista?
“Ele é o Filho de Deus” (1.34).
2.Qual é  a sua conclusão, Natanael?
“Tu és o Filho de Deus” (1.49).
3. O que você diz Pedro?
“Tu és o Santo de Deus” (6.69).
4. O que você  pensa Marta?
“Tu és o Cristo, o Filho de Deus” (11.27).
5. Qual é  o seu veredicto, Tomé?
“Senhor meu e Deus meu!” (20.28).
6. Qual é  a sua declaração, João?
“Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”  (20.3 1).
7. Que dizes de ti mesmo, Jesus?
“Sou o Filho de Deus” (10.36).

SETE MILAGRES

Além das testemunhas, temos sete milagres ou sinais que provam ser ele Deus.
“Porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele”, afirmou Nicodemos (3.2).
1. A transformação da água em vinho — 2.1-11
2. A cura do filho de um oficial do rei — 4.4654
3. A cura do paralítico de Betesda — 5.1-47
4. A multiplicação dos pães — 6.1-14
5. Seu andar sobre o mar — 6.15-21
6. A cura do cego — 9.1-41
7. A ressurreição de Lázaro — 11.1-57

OS SETE “EU SOU”

Há outra prova de sua divindade no desenvolvimento do evangelho de João. Jesus revela sua natureza divina nos “EU SOU”:
1. “Eu sou o pão da vida” - 6.35
2. “Eu sou a luz do mundo” - 8.12
3. “Antes que Abraão existisse, Eu sou” - 8.58
4. “Eu sou o bom pastor” - 10.11
5. “Eu sou a ressurreição e a vida” - 11.25
6. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” - 14.6
7. “Eu sou a videira verdadeira” - 15.1

Somente João registra seu grito de triunfo na cruz “Está  consumado!”. A obra completa da salvação é realizada tão-somente pelo Filho de Deus (19.30).
João disse que escreveu esse evangelho para que os homens cressem que Jesus era o Cristo. Essa parte é especialmente dirigida aos judeus, a fim de conduzi-los a uma fé pessoal no Jesus histórico, como o Messias que veio em cumprimento a todas as profecias do AT.

Em João, Cristo, o Messias, é revelado. “Messias” significa “ungido de Deus”, que vem como Rei.
Natanael diz: “Tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!” (1.49).
À mulher junto ao poço, Jesus declarou ser o Messias há tanto tempo esperado (4.26).
A Pilatos, Jesus testificou que era Rei.
Há vários modos de lembrar o conteúdo do livro de João. Um deles é pelas opiniões das pessoas sobre o Filho de Deus:
  • O que os indivíduos pensavam de Cristo... 1-5
  • O que Cristo dizia de si mesmo... 6-10
  • O que as multidões pensavam de Cristo... 11-20
TRÊS CHAVES

O Dr. S. D. Gordon sugeriu: “Há três chaves que abrem o evangelho de João”:
1. A chave de trás (João 20.21). Esta chave abre o livro todo e declara o propósito do evangelho.
2. A chave lado (João 16.28). Na última ceia com os discípulos. li si is revela-lhes esta verdade!
“Vim do Pai e entrei no mundo, todavia, deixo o mundo e vou para o Pai”.
Seu pensamento constante era que ele costumava estar com o Pai. Veio a terra numa breve estada de trinta e três anos e voltaria para seu Pai.
3. A chave da frente (João 1.11,12). Esta chave está de frente, do lado de fora, embaixo, ao alcance de uma criança. Mas, a todos quantos o receberam:
“deu-lhes o poder de serem feitos Filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome”.
Esta é  a grande chave — a chave principal para a casa toda. O uso dela permite que a porta da frente se abra de par em par. qualquer pessoa que crer pode entrar.

O GRANDE PRÓLOGO 
(Cap. 1:1-18)

Abrimos o livro de João com esta pergunta em mente: “Que pensais vós do Cristo?”  (Mt 22.42). É apenas o maior mestre do mundo, ou é realmente Deus? Era um dos profetas, ou é de fato o Salvador do mundo, cuja vinda foi predita pelos profetas?  Tudo o que João vai apresentar em seu livro, ele resume nestes 18 versículos. Vamos estudar esse evangelho tendo bem claro em nossa mente o propósito de João. Leia de novo João 20.31. Vejamos como o plano do livro se desenvolve e seu propósito se revela à medida que o lemos. 

O FILHO DE DEUS

João inicia seu maravilhoso registro com Jesus Cristo antes da encarnação. Deus não o enviou ao mundo para que se tornasse seu filho, porque ele é o Filho eterno. Comparando os primeiros versículos de João com os outros três evangelhos, vemos como é diferente a introdução e como é elevado o tema. O nascimento de Jesus é omitido, e João começa “No princípio”. Leia cuidadosamente João 1.1-18. Assim tem início o livro de Gênesis. Jesus é apresentado como o Filho de Deus. Nosso Senhor não teve princípio; ele é o princípio, é eterno. Cristo era antes de todas as coisas; por conseguinte, não é parte da criação — é o Criador (Cl 1.16; Hb 1.2). “O Verbo estava com Deus”. Ele é a segunda pessoa da Trindade. É chamado “o Verbo”. Veio para revelar o Pai. Assim como as palavras expressam o pensamento, Cristo, do mesmo modo, exprime a pessoa de Deus. As palavras revelam o coração e a mente; Cristo expressa, manifesta e mostra Deus. Jesus disse a Filipe: “Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai” (Jo 14.7). Vem, em seguida, a maravilhosa declaração: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz aos homens” (1.3,4). Sim, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (1.14). Essas são afirmações completas de que Cristo é o Deus verdadeiro, a Luz do mundo, o que revela o Pai, o Batizador com o Espírito Santo. 

O FILHO DO HOMEM

João não começa na manjedoura de Belém, mas antes que os mundos fossem formados: “No princípio”. Jesus era o Filho de Deus antes de tornar-se carne e habitar entre nós. “No princípio era o Verbo”. Bem semelhante ao início de Gênesis. Cristo tornou-se o que não era anteriormente — homem. Mas não deixou de ser Deus. Era Deus-homem e durante trinta e três anos viveu neste mundo num tabernáculo de carne.
O homem pecara e perdera a imagem de Deus, por isso Cristo, a imagem do Deus invisível (Cl 1.15), veio habitar com o homem. Não podíamos ver Deus, por isso o Filho unigênito, que estava no seio do Pai, tornou-o conhecido a nós. Até o testemunho de João Batista é diferente nesse evangelho. Em Mateus, ele fala do reino vindouro; em Lucas, prega o arrependimento; em João, ele dá testemunho da luz, para que todos creiam (1.7). Aponta para o “Cordeiro de Deus” (1.32-36). Tudo isso é característico desse evangelho. Jesus é  o próprio Deus em forma humana, vindo a terra. Jesus é  a testemunha do Pai para os homens. Ele conhecia o Pai; viveu com ele desde o começo; desceu a terra para revelar o que sabia. Queria que os homens conhecessem Deus como ele o conhecia. Isso Ele fez por suas palavras suas ações, seu caráter e seu amor, mas, sobretudo por sua morte na cruz e ressurreição no terceiro dia. Como foi Cristo, o Verbo, recebido? Leia João 1.11: “Veio para o que era seu [os judeus] e os seus não o receberam”. Apresentou-se como Rei ao seu povo, mas foi rejeitado. Vemo-lo pelo livro todo dividindo as multidões que o ouvem proclamar a verdade. Alguns crêem nele, outros o rejeitam. Realmente trágico! Todavia, nem todos o rejeitaram. João apresenta os resultados da fé. Todo o prólogo trata de Cristo antes da encarnação como Filho eterno. O Verbo não é outro senão o Jeová do AT, Deus manifesto em carne. Em Lucas, vemos Cristo ir ao encontro das necessidades humanas; em João, vemo-lo atraindo os homens a si (12.32). Lembremo-nos de que João escreve para provar que Jesus é o Filho de Deus.  

O CAMINHO DA SALVAÇÃO

O que fazer para sermos salvos (Jo.1:12)
  • O que fazer: Crer e receber.
  • Resultado: Tornamo-nos filhos de Deus.
Em que não devemos confiar para a nossa salvação:
Às vezes, o melhor modo de entender algo está em descobrir o que não é. Em João 1.13, descobrimos o que a salvação não é:
 “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. 
Essas são as coisas em que os homens estão confiando hoje para a vida eterna. É o novo nascimento que nos torna filhos de Deus.
  • “Não do sangue” — hereditariedade. Quanto dependemos de uma boa origem!
  • “Nem da vontade da carne” — cultura e instrução. Não somos salvos pelo que sabemos, mas em quem cremos.
  • “Nem da vontade do homem” — prestígio ou influência.
  • “Mas de Deus”  — pelo poder do Espírito Santo. Deus desce e nos redime se tão-somente crermos nele e o recebermos como Salvador e Senhor.

O MINISTÉRIO PÚBLICO
(Cap. 1.19—12.50)

Quando João Batista entra em cena, começa o grande drama do evangelho de João. “Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista” declarou Jesus (Mt 11.11; Lc 7.28). Foi o precursor do Messias, mas nesse evangelho não aparece nenhuma descrição de João Batista. Ele somente dá testemunho de que Jesus é  o Messias (1.18-34).
Uma delegação de sacerdotes e levitas foi enviada a João para perguntar quem ele dizia ser. Disse-lhes que não era o Messias; nem mesmo Elias ou qualquer outro profeta de que Moisés falara, mas simplesmente “a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor”.
No dia seguinte, ao ver Jesus, João aponta para ele e diz: “Eis o Cordeiro de Deus!”.
Finalmente, João Batista indica outro sinal. Ele conheceria o Messias porque veria o Espírito descer e pousar sobre ele (1.33). E acrescenta: “Vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus” (1.34).

JESUS REALIZA SINAIS

Os discípulos de Jesus convenceram-se da sua divindade no primeiro milagre que realizou ao transformar água em vinho. Ele falou e aconteceu. Esse foi um dos grandes fatores que produziu fé no coração deles; foi o primeiro “sinal” para provar que era o Messias (2.11).
Só havia um lugar onde Jesus poderia iniciar seu ministério - Jerusalém, a capital. Um pouco antes da festa da Páscoa, Jesus  entrou no templo e, tomando um açoite de cordas, como símbolo de sua autoridade, purificou o templo, declarando ser a casa de seu Pai. Por esse ato, revelou ser realmente o Filho de Deus.
Quando os dirigentes pediram um “sinal” que provasse a sua maioridade para purificar o templo e expulsar os cambistas, respondeu: “Destruí este santuário e em três dias o reconstruirei” Os judeus ficaram ofendidos, porque haviam levado quarenta e seis anos para construir o santuário. “Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo” (2.19-22). A suprema prova da divindade de Cristo é a ressurreição.
Jesus ensinou a Nicodemos sobre a vida eterna, seu amor (3.16) e o novo nascimento (3.6). Nicodemos era homem  reto e virtuoso, mas Jesus lhe disse: “Importa-vos nascer de novo”. Se Jesus tivesse dito isso à  mulher samaritana, Nicodemos teria concordado com ele. Não era judia e nada podia esperar como samaritana. Nicodemos, judeu de nascimento, tinha direito de esperar alguma coisa por isso. Foi a ele, no entanto, que Jesus dirigiu estas palavras: “Importa-vos nascer de novo para entrar no reino dos céus”. Você já nasceu de novo?
Como os judeus do seu tempo, Nicodemos conhecia a lei de Deus, porém não conhecia nada do seu amor. Era homem de conduta elevada; reconhecia Jesus como Mestre, mas não como Salvador e Senhor. É exatamente o que os homens fazem hoje. Colocam-no em primeiro lugar na lista de mestres do mundo, todavia não o adoram como Deus.
Jesus revelou a uma mulher a verdade de sua obra messiânica. A história mostra o valor que Jesus dá a uma só alma. Ele levou essa mulher a enfrentar sua situação e mostrou-lhe a vida imoral que estava vivendo. A maneira leviana de encarar o casamento não era diferente da de muita gente hoje em dia. Cristo não a condenou nem a julgou, mas revelou-lhe que só ele poderia satisfazer as necessidades dela. Revelou também a maravilhosa verdade de que ele era a água da vida. Somente Jesus pode saciar a sede espiritual dos homens. Os poços do mundo não podem fazê-lo. Os homens experimentam tudo, mas continuam infelizes e intranqüilos. A mulher creu em Cristo? O que fez? Suas ações falaram mais alto do que as palavras. Voltou à vila e, com um simples testemunho, trouxe um povoado inteiro a Cristo (4.1-42).
O segundo sinal da divindade de Cristo foi a cura do filho do oficial do rei. Durante sua entrevista com o centurião, Jesus leva esse homem a confessá-lo abertamente como Senhor e, com ele, os seus familiares (4.46-54).
O milagre da alimentação de cinco mil pessoas foi uma parábola encenada. Jesus era o próprio pão do céu. Queria mostrar-lhes que ele podia dar satisfação e alegria a todos os que confiassem nele (6.35).
O povo quis torná-lo seu rei porque ele podia alimentá-lo. Como tais pessoas se parecem com as de hoje! Anseiam por alguém que lhes dê alimento e agasalho. Cristo, porém, não seria o rei que esperavam. Despediu a multidão entusiasmada e afastou-se para um monte. Muitos se decepcionaram por ele ter recusado ser seu líder político. “À vista disso [...] o abandonaram e já não andavam com ele” (6.66).
O povo estava dividido por causa de Jesus (7.40-44). A incredulidade estava se transformando em hostilidade, mas em seus verdadeiros seguidores a fé crescia. Uns diziam: “Ele é um bom homem”, e outros: “Não, antes engana o povo”. Os homens têm de pronunciar-se de uma ou de outra forma hoje diante das declarações de Cristo. Ou ele é Deus, ou é um impostor. Não há meio-termo.
A cura do cego levou Jesus a revelar-se a ele. Quando o expulsaram por ter confessado Cristo, Jesus pronunciou um grande discurso sobre o bom pastor (cap. 10). Suas palavras provocaram nova dissensão entre o povo. Acusaram-no de blasfêmia por ter dito: “Eu e o Pai somos um” e “pegaram os judeus em pedras para lhe atirar” (10.30,31). O que aconteceu diante de toda crítica e oposição (10.42)?
A ressurreição de Lázaro é o último “sinal” do evangelho de João. Os outros evangelhos registram o caso da filha de Jairo e do filho da viúva de Naim, mas aqui Lázaro já estava morto havia quatro dias. Seria mais difícil para Deus ressuscitá-lo do que os outros? Entretanto, isso teve um efeito profundo nos  líderes (11.47,48). A grande declaração que Jesus fez a Marta sobre si  mesmo aparece aqui: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em  mim não morrerá, eternamente. Crês isto?”(11.25,26).
Essa cena termina com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Seu ministério público tinha chegado ao fim. Está registrado que muitos dos principais do povo creram nele, sem o confessarem publicamente.

AS SURPREENDENTES DECLARAÇÕES DE JESUS

Afirmou ser igual a Deus: Chama Deus “meu Pai” (5.7). Os judeus sabiam o que ele queria dizer. “Está-se fazendo igual a Deus”, disseram. Sabiam que considerava Deus como seu Pai num sentido em que não era Pai de nenhum outro homem.
Afirmou ser a luz do mundo: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (8.12).
Afirmou ser eterno com Deus: “Em verdade, em verdade vos digo: Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (8.58). Essa afirmação de ser eterno com Deus era inconfundível. Ou ele era o Filho de Deus ou um enganador. Não é de admirar que os judeus apanhassem pedras para apedrejá-lo.  

O MINISTÉRIO PARTICULAR
(Cap. 13 a 17)

Aqui deixamos as multidões para trás e acompanhamos Jesus em sua última semana na terra, antes da crucificação. Chamamo-la a “Semana da Paixão”:
  • Domingo —  a entrada triunfal em Jerusalém
  • Segunda —  a purificação do templo
  • Terça  — os conflitos no templo. À noite — o discurso no monte das Oliveiras
  • Quinta — preparação para a Páscoa. À noite — a última ceia com os discípulos
A ÚLTIMA NOITE JUNTOS

As últimas palavras são sempre importantes. Jesus está deixando os discípulos e dando-lhes as instruções finais. Os capítulos 13—17 são chamados “o Santo dos Santos” das Escrituras, Leia-os todos em oração de uma só vez.
Os judeus haviam rejeitado Jesus completamente. Agora ele reúne os seus ao redor de si no cenáculo e lhes revela muitas coisas secretas antes de deixá-los. Queria consolá-los, porque sabia como lhes seria difícil quando não estivesse mais com eles. Seriam como ovelhas sem pastor.
É maravilhoso que Jesus tivesse selecionado e amado homens como estes. Pareciam uma coleção de “ninguéns”, com exceção de Pedro e João. Eram seus, e ele os amava. Uma das especialidades de Jesus é transformar “ninguém” em “alguém”. Foi o que fez com seus primeiros seguidores, e é isso que continua a fazer através dos séculos.
Que belo quadro temos em João 13.1-11! Jesus, o Filho de Deus, cingido com uma toalha, tendo nas mãos abençoadas uma bacia, lavando os pés dos discípulos! Queria que servíssemos com o mesmo espírito. Ensinou que a grandeza é sempre medida pelo serviço. Não se pode amar alguém sem se dedicar a alguém (v. 16,17). Ele disse: “Mas o maior entre vós será  vosso servo”. O maior negociante numa cidade é o que serve ao maior número de pessoas.
Jesus prediz que um deles irá traí-lo (13.18-30), e Judas sai nas trevas da noite. Havia trevas no coração desse homem também. A comunhão traz luz; o pecado traz trevas. Que quadro lamentável Judas apresenta! As oportunidades que teve de conhecer  Jesus foram incomparáveis, mas ele o rejeitou. É isso que a incredulidade faz. Crer significa vida; descrer conduz à morte.
Depois de anunciar sua partida, o Senhor dá aos discípulos um novo mandamento: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (13.34,35). A prova do discipulado não está no credo que recitamos, nem nos hinos que cantamos, nem no ritual que observamos, mas no fato de amarmos uns aos outros. A proporção em que os cristãos se amam uns aos outros é a mesma em que o mundo crê neles ou no seu Cristo. Essa é a prova suprema do discipulado. Jesus menciona esse “novo mandamento” outra vez em João 15.12.

A RESPOSTA DE CRISTO QUANTO À VIDA FUTURA  

“Vou preparar-vos lugar [...] voltarei e vos receberei para mim mesmo” (14.2,3). Esta é a cura de Jesus para os males do coração — fé em Deus. Não há interrupção entre os capítulos 1 3 e 14. Jesus prossegue com o seu discurso. Quantos corações têm sido acalmados, e quantos olhos, enxutos pelas palavras de João 14.
Jesus havia falado de seu Pai; agora fala da outra pessoa da Trindade, o Espírito Santo. Ele terá de partir; todavia, mandará o Consolador para ficar com eles. Essa é uma promessa maravilhosa para os filhos de Deus! Jesus a repete nos capítulos 15 e 16. Poucos têm experiência dessa presença em sua vida, mas precisamos reconhecer que vivemos pelo seu poder.
 “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”. É a herança de Cristo para nós; a única paz que podemos desfrutar no mundo é a sua paz.
Em João 15, Jesus revela aos discípulos o segredo real da vida cristã: permanecer nele. Ele é a fonte da vida. Permanecer em Cristo como os ramos na videira. O ramo não pode separar-se do tronco e unir-se de novo a ele quando quiser; precisa permanecer para dar fruto. Esse é  o quadro de nossa vida em Cristo. Vivamos e andemos em Cristo e produziremos frutos; do contrário, em breve os frutos desaparecerão.
Depois de ter conversado com os Onze, Jesus falou com o Pai. Os discípulos ouviram suas palavras amorosas e solenes e como devem ter-se emocionado quando Jesus disse ao Pai quanto os amava e se interessava por eles! Mencionou tudo a respeito do que lhes havia ensinado de si mesmo. Ele os guardaria (17.11); os santificaria (17.17); faria que fossem um (17.21); e, finalmente, permitiria que todos os seus filhos participassem de sua glória um dia (17.24).
Se desejar experimentar a beleza e profundidade dessas maravilhosas palavras, ajoelhe-se e deixe o Filho de Deus dirigi-lo em oração enquanto lê o capítulo 17 de João em voz alta.
Vejamos o ensino sobre o Espírito Santo dado por João:
1. O Espírito que entra (3.5). Este é o início da vida cristã, o novo nascimento pelo Espírito. Pelo nascimento do Espírito, entramos na família de Deus.
2. O Espírito que habita (4.14). Ele nos enche da sua presença e nos traz alegria.
3. O Espírito que transborda (7.38,39). Do nosso interior, fluirão rios de água viva; não só filetes de bênçãos, mas rios caudalosos, quando o Espírito passa a habitar em nós.
4. O Espírito que testemunha (14-16). Ele fala por nosso intermédio. A tarefa específica do cristão pelo Espírito Santo: testemunhar de Cristo.

O SOFRIMENTO E A MORTE
(Cap. 18 e 19) 

Imediatamente após sua oração, Jesus foi para o jardim do Getsêmani, sabendo tudo que lhe iria acontecer. A mudança do cenáculo para o jardim (dos caps. 13—17 para o cap. 18) é como passar do calor para o frio, da luz para as trevas. Apenas duas horas se haviam passado desde que Judas saíra, e agora o vemos trair seu melhor amigo. Lembremo-nos de que Judas não tinha de trair seu Senhor — ele escolheu traí-lo, e esse ato deliberado, então, cumpriu a profecia. Deus não foi a causa do pecado de Judas, mas a traição foi profetizada porque Deus sabia de antemão que isso aconteceria. Ninguém jamais teve de pecar para cumprir o propósito eterno de Deus.
“Eis que vem a hora e já é chegada!”. A missão de nosso Senhor na terra havia terminado, mas a maior obra de Cristo estava por  ser realizada. Ele iria morrer para que pudesse glorificar o Pai e salvar o mundo perdido. Veio a fim de dar sua vida em resgate por muitos. Cristo entrou no mundo pela manjedoura saiu dele pela porta da cruz.
Jesus estava pronto agora para lhes mostrar o grande sinal de sua autoridade em resposta à pergunta do capítulo 2: “Que sinal nos mostras para fazeres estas coisas?”. Ele respondeu: “Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei”.
Jesus permaneceu sempre calmo e sereno, pois sabia que sua hora havia chegado. Não ficou surpreendido quando ouviu os  soldados se aproximarem. Saiu-lhes ao encontro, e isso os fez recuar e cair por terra ante a majestade de sua voz e de seu olhar.
Acompanhe-o, amarrado como um cativo até a sala de audiências do sumo sacerdote. Era Jesus quem comandava toda a situação em meio a todo aquele terrível drama. Ele realizou um sacrifício voluntário (18.4); deliberadamente provou a morte em favor de cada criatura.
Foi triste a ação de Pedro, o desertor na hora da necessidade, que negou três vezes ter alguma ligação com seu melhor amigo. Essa é uma lição para nós — o excesso de autoconfiança. Pedro é digno de pena porque realmente amava o Mestre.
Pedro não sabia que a maior prova de sua vida viria na pergunta de uma simples criada. Muitas vezes, isso acontece conosco. Trancamos seguramente a porta principal, mas o ladrão penetra por uma pequena janela em que não havíamos pensado. Estaríamos prontos a morrer por ele, entretanto o negamos com a nossa boca.
Todos os discípulos, exceto João, abandonaram Jesus na hora da maior necessidade. Entre esses nove desertores, está Tiago, que fazia parte do “círculo íntimo”; Natanael, em quem não havia dolo; e André, a testemunha fiel. Todavia, aqui estavam eles correndo juntos precipitadamente estrada abaixo, abandonando o seu Mestre. Um quadro triste! Mas espere! Não comece a culpá-los; examine-se e veja onde você se encontra. Está seguindo Jesus de perto? Lembre-se: a maioria nem sempre está certa. Veja se você está certo. Cristo pode contar com você? 

MISSÃO CUMPRIDA

Jesus chegara ao momento culminante da sua vida na terra. Não era uma crise, mas o clímax. Veio ao mundo para dar sua vida em resgate por muitos.
Finalmente, ao amanhecer, os pretensos julgamentos terminaram; entretanto, era como se fosse noite, a hora mais negra do mundo. O pátio está deserto; o fogo junto ao qual Pedro se aquentara está reduzido a cinzas. Os soldados zombam, Herodes escarnece e a vacilação de Pilatos já  passou.
O breve intervalo entre a negação de Pedro e a subida de Jesus ao Gólgota foi cheio de incidentes. O julgamento noturno diante de Caifás e do Sinédrio provavelmente precedeu a última negação de Pedro. Depois veio o terrível tratamento até a reunião matinal do Sinédrio.
Muitas vezes, os açoites cruéis dos romanos eram tão severos que os prisioneiros morriam em virtude dos golpes violentos. A coroa de espinhos, colocada em sua fronte sagrada, foi apenas mais um ato de cruel tortura. Quando ele retornar, trará muitas coroas (Ap 19.12).
Finalmente, Pilatos o trouxe para fora e disse: “Eis o homem!” (19.5). Que cena! O Criador do Universo, a Luz e a Vida do mundo, o Santo, sendo tratado assim! Satanás instigou os dirigentes judaicos a clamarem: “Crucifica-o! Crucifica-o! [...] porque a si mesmo se fez Filho de Deus!” (19.6,7).
Na cruz, temos o registro da expressão máxima do ódio e da expressão máxima do amor. O homem odiou tanto que provocou a morte de Cristo. Deus amou  tanto que deu vida aos homens.
O cristianismo se expressa por cinco letras, em vez de quatro. Outras religiões dizem: “Faça!” O cristianismo diz: “Feito!” Nosso salvador consumou toda sua obra na cruz. Levou nossos peca- dos e, ao expirar, disse: “Está consumado!”. Era o seu grito de vitória. Completara a redenção da humanidade; nada ficara para o homem fazer. Essa obra já foi realizada em seu coração?

VITÓRIA SOBRE A MORTE
(Cap. 20 e 21) 

Temos um Salvador vitorioso sobre a morte. Ele “vive para sempre”. No terceiro dia, o túmulo estava vazio! As roupas com que o haviam sepultado estavam todas em ordem; Jesus ressuscitara dos mortos, mas não como os demais. Quando Lázaro saiu, estava envolvido em faixas; ressuscitou em seu corpo natural. Quando, porém Jesus saiu, seu corpo natural se havia transformado em corpo espiritual. O novo corpo deixou os panos que o envolviam como uma borboleta deixa seu casulo. Leia o que João diz em 20.6-8. 
As 11 aparições de Jesus após a ressurreição ajudaram os discípulos a crer que ele era Deus. Leia a confissão da sétima testemunha, Tomé, o duvidoso (Jo 20.28). Jesus queria que todas as dúvidas fossem removidas de cada um dos discípulos. Eles teriam de cumprir a Grande Comissão e levar o evangelho ao mundo todo (Jo 20.21).
Jesus deu a Pedro, que o negara três vezes, a oportunidade de confessá-lo três vezes. Ele o restaurou completamente para seu serviço. Cristo só  quer que o sirvam aqueles que o amam. Se o amamos, o faremos. Ninguém que o ama pode deixar de servi-lo.
Quais são as últimas palavras de Jesus nesse evangelho? “Quanto a ti, segue-me”. Essa é a sua palavra a cada um de nós. Que todos o sigamos em amorosa obediência “‘até que ele volte!”.  “Este evangelho inicia-se com Cristo no seio do Pai e termina com João no seio de Cristo”  — A. J. Gordon. 

PLANO DE ESTUDO SEMANAL
  • Domingo: Cristo se fez carne João 1.1-51
  • Segunda: Cristo amou tanto João 3.1-36
  • Terça: Cristo satisfaz João 4.1-54
  • Quarta: Cristo, o pão da vida João 6.1-59
  • Quinta: Cristo, a luz do mundo João 9.1-41
  • Sexta: Cristo, nosso pastor João 10.1-39
  • Sábado: Cristo promete o consolador João 14

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