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Visão Holística do Livro de Romanos

A Epístola aos Romanos, é o sexto livro do Novo Testamento. É a primeira e a mais longa das Epístolas Paulinas, e é considerada a epístola com o "mais importante legado teológico".

Transformados pelo Espírito Santo

O Espírito Santo é que produz a salvação e a santificação no seu coração, pois Ele só fala de Jesus e revela o caráter de Deus a você (Romanos 5:5). É Ele quem dá intimidade com Deus. Adora-lO é obedece-lO.

Na caverna eu redescobri o meu refúgio!

Faça de Deus o seu refúgio! Deixe que Deus, não Saul, o cerque. Deixe que Ele seja o centro da sua vontade. Deixe enfim, que Ele seja o teto que proteje o ambiente da luz do sol, as paredes que detêm o vento, o alicerce sobre o qual você está.

As pedradas da vida

É no deserto das nossas vidas que Deus nos mostra o quão Ele é poderoso para fazer infinitamente mais! Neste artigo, encaro a difícil questão: Porque pessoas tão próximas são capazes de nos apedrejar?

domingo, 16 de outubro de 2011

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Visão Holística de I Coríntios

ATENÇÃO: Antes de iniciar sua leitura faça uma oração pedindo orientação ao Espírito Santo. Para maior compreensão do estudo, use a Bíblia On-line clicando aqui, pois ao longo do texto, várias citações precisam ser analisadas. Quando o estudo fizer referência a outro livro, este terá um link direcionador (clique em cima do texto sublinhado).
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I Coríntios 
Apresenta Jesus Cristo, Senhor nosso

O nome “Senhor” tem lugar proeminente nesse livro (1.31 / 2:8,16 / 3:20 / 4:4,5 / 6:13 etc). Esse fato tem profunda significação, porque muito da confusão que penetrou na igreja de Corinto se deveu ao fato de os cristãos deixarem de reconhecer Jesus Cristo como Senhor. 
Escavações arqueológicas estão revivendo Corinto. Nos dias de Paulo, era a cidade mais importante da Grécia, com sua fabulosa riqueza. Os homens passavam o tempo em torneios e discursos. Luxo, dissipação e imoralidade pública predominavam entre a população industrial e marítima dessa cidade. Corinto atraía grande número de forasteiros do Oriente e do Ocidente. Seus deuses eram de prazer e luxúria. Além disso, havia muita cultura e arte. A cidade possuía inúmeros centros de estudos lingüísticos e escolas de filosofia. 
Como na maior parte das cidades, havia ali uma grande colônia de judeus de elevado padrão moral e que praticavam fielmente sua religião. Mas a cidade era o centro de um culto degradante a Vênus. 
Em Atos 18, vemos como o evangelho alcançou essa cidade corrompida. O apóstolo Paulo, então com cerca de 50 anos, em trajes de operário, entrou na movimentada metrópole e percorreu suas ruas em busca de uma oficina em que pudesse ganhar a vida. Não havia cartazes anunciando a chegada de um evangelista mundialmente famoso. Esse artesão chegou ali e começou a fazer tendas. Na época, era uma indústria importante, como o é hoje a construção civil. Paulo associou-se a Áqüila e Priscila, dois prósperos fabricantes de tendas. Ele sempre pôde prover seu próprio sustento, ganhando o bastante para levar avante sua obra missionária. Realizou um maravilhoso trabalho durante o ano e meio que passou em Corinto. Começou falando nas sinagogas, a congregações mistas de judeus e gregos. 
A primeira carta de Paulo aos Coríntios é um livro difícil de esboçar, mas trata de assuntos maravilhosos. “Porque, em tudo, fostes enriquecidos nele” (15). Em Romanos, Paulo diz que foi por Cristo que “obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes” (Rm.5:2). Segue-se então essas riquezas da graça em Cristo Jesus, nosso “tudo em todos”. A primeira carta aos Coríntios trata da conduta cristã. 

CORREÇÕES NA CONDUTA CRISTÃ (1Co 1-11)

A maravilhosa igreja de Corinto, a jóia brilhante na coroa do trabalho de Paulo, estava falhando. Tudo porque o mundanismo (carnalidade) da cidade introduzira-se em seu meio. Era importante que a Igreja entrasse em Corinto, mas era desastroso que Corinto tivesse entrado na Igreja. É um belíssimo espetáculo ver-se um navio sendo lançado ao mar, mas é uma visão trágica a do mar entrando no navio. A Igreja de Cristo deve agir como luz num lugar escuro. Ai dela, porém, quando a corrupção do mundo a invade. 
Certos costumes comuns naquela cidade pervertida logo penetraram na igreja. Surgiram divisões entre seus membros: cristãos que levavam outros cristãos perante a justiça do mundo; o procedimento de muitos na celebração da ceia do Senhor era vergonhoso; na igreja, as mulheres já não observavam os padrões de modéstia; havia discussões entre seus membros sobre o casamento e os dons espirituais. Finalmente, a igreja escreveu a Paulo sobre essas coisas, pedindo orientação. As duas cartas aos coríntios foram escritas para responder a suas indagações. 
Depois da saudação de praxe (1:1-3), Paulo refere-se à volta de nosso Senhor Jesus Cristo (1:7,8). Logo em seguida, entra no assunto do fracasso da igreja sobre o qual fora informado. Ele expressa a fonte da sua informação em 1:11. Os homens haviam perdido Deus de vista. Três espécies de egoísmo os haviam cegado: 
  • Admiradores de si mesmos — seu intelecto se tinha pervertido. 
  • Obstinados — sua consciência tinha sido obscurecida. 
  • Indulgentes consigo mesmos — suas paixões os haviam dominado. 
O maior perigo ao qual a igreja de Corinto estava exposta vinha de dentro. 
Paulo fala primeiro em divisões e grupos. Nada destrói mais a vida de uma igreja do que a política de partidos. O espírito grego de partidos tinha entrado na igreja, dividindo-a em quatro grupos, cada qual procurando dominar. Seus nomes aparecem em 1:12. Paulo, Apolo e Pedro (Cefas) eram grupos que tinham o nome de seus mestres prediletos. O partido de Cristo se apegava a esse nome, como se ele não pertencesse a todos na igreja. 
A dissensão em relação a guias religiosos revelava que a igreja de Corinto havia perdido o alvo. Há um só guia na igreja, e esse guia, Cristo, é o centro. Se a igreja se desviar desse centro, perderá o rumo em tudo o mais. O cristianismo tem de ser cristocêntrico. Somente assim terá poder. As “boas-novas” são o próprio Cristo. Ele não só foi o portador da mensagem de Deus; ele próprio foi a mensagem. Os coríntios tinham perdido o equilíbrio. Paulo, Pedro e Apolo eram homens bons; todavia, não eram divinos. Quantos hoje preferem seguir guias religiosos a seguir o próprio Cristo! “Para mim o viver é Cristo” (Fp.1:21). 
Só Jesus Cristo pode acabar com as divisões (1:13). Todo olhar, todo coração e todo espírito devem voltar-se para uma Pessoa, Jesus Cristo, nosso Senhor. Paulo diz aos coríntios: “Esse espírito faccioso é pecado. Vocês podem seguir um simples homem, na esperança de que ele lhes dê vida? Esse homem foi crucificado por vocês? Confiar no que o homem diz é insensatez. Os homens nada vêem na cruz de Cristo. Somente Ele tem todo o poder e sabedoria de Deus”. 
Jovens e velhos igualmente seguem Cristo até a cruz e depois tropeçam no “sangue” do sacrifício. Foi isso que os judeus e os gregos dos dias de Paulo fizeram. Vamos remover a cruz do evangelho, porque os homens não gostam dela? Se o fizermos, estaremos removendo o único meio de salvação do mundo. Devemos pregar “Cristo crucificado”. 


A CRUZ 

Antes de continuarmos com o estudo, escute o louvor e medite na letra.

Escândalo para os judeus — algo com que não podiam se conformar (1:23). Não podiam compreender como essa demonstração de fraqueza podia ser fonte de poder. Para eles, um homem morrendo numa cruz não parecia ser um Salvador. Os escribas e fariseus desdenhosamente se afastavam da cruz, pois ela significava fracasso. Os judeus precisavam de sinais de poder; exigiam algo que pudessem ver e apalpar. O Messias tinha de ser um príncipe, um operador de milagres. Há muitos cristãos assim hoje. Adoram o sucesso tanto quanto os judeus de outrora. Desprezam a fraqueza e admiram a força. Tais pessoas dizem que os homens de ciência tendem a tropeçar na cruz, porque não podem explicar como o sangue de um homem pode tirar a mancha do pecado. 
Loucura para os gregos — os gregos olhavam com desdém essa religião sem base científica, ensinada num recanto atrasado do mundo, como Nazaré, pelo filho de um carpinteiro, que nunca estudara em Atenas ou em Roma. Os gregos idolatravam os intelectuais. Mas Deus nunca desprezou as coisas humildes. 
Ou a cruz é o “poder de Deus”, ou é “loucura”. Se é loucura, então você pensa que ela não tem condições de lhe fazer nenhum bem. Mas ouça: isso condena você, e não a cruz! 
Ninguém jamais deixa a cruz na mesma condição em que se aproximou dela. Ou o homem a aceita, ou a rejeita. Se aceitá-la, torna-se filho de Deus (Jo.1:12); se rejeitá-la, está perdido (Jo.3:36). 
Paulo não pregou um Cristo conquistador, ou um Cristo filósofo, mas Cristo crucificado, Cristo, o humilde. Leia ICoríntios 2:2. Ele diz que suas palavras vão ser provadas no fogo (3:13). Conhecer Cristo crucificado é o maior dos conhecimentos. 

O MINISTRO 

Uma das objeções a Paulo era por causa da simplicidade da sua pregação. Ele respondeu que não podia pregar-lhes de outra maneira, porque não passavam de crianças em Cristo. Não podiam suportar outro alimento, senão leite. A prova da infantilidade deles (carnalidade) eram as divisões existentes entre eles (3:1-4). 
Paulo frisa que o ministro não é o diretor de uma escola ou de uma seita rival, como a dos filósofos gregos; é servo de Deus, e não mestre de homens. Ele sempre se chamava servo do Senhor Jesus Cristo. O serviço cristão só é aceitável a Deus quando realizado no espírito de Cristo e para a sua glória. 
Cada um de nós representa quatro pessoas: 
  • A que o mundo conhece; 
  • A que nossos amigos conhecem; 
  • A que nós mesmos conhecemos; 
  • A que Deus conhece. 
Paulo descreve esse fato no capítulo 4. Há três tribunais diante dos quais compareceremos: 
  • O dos homens (4:3); 
  • O da nossa consciência (4:3); 
  • O de Jesus Cristo (4:4). 
Não dependamos do julgamento dos homens. O mundo julga nosso caráter por um único ato. As vozes da crítica podem ser fortes, mas, se subirmos até o alto da montanha com Deus, veremos o tumulto do povo, mas não ouviremos suas vozes. 
Cuidado com o juízo de um amigo, porque poderá ter uma opinião muito favorável a seu respeito. Gostamos de acreditar em tudo de bom que dizem de nós, mas ficamos ressentidos com a crítica desfavorável. 
Paulo diz: “Nem eu tampouco julgo a mim mesmo” (4:3). Cuidado quando comparecer diante do tribunal de sua própria consciência. Quando ela disser: “Pode fazer isso”, é sempre bom ir a Jesus Cristo e perguntar-lhe: “Posso fazê-lo?”. É difícil sermos honestos com nós mesmos. Ninguém deve julgar em causa própria, por mais sincero que seja. 
Paulo declara que se submete a um único julgamento: um que está sempre certo. “Quem me julga é o Senhor” (4:4). Sou mordomo Dele e é a Ele que tenho de prestar contas. Do seu julgamento, não posso escapar. Seu olhar sereno está fixo em mim. O louvor que vem Dele é verdadeiro. Se Ele disser: “Bem está, servo bom e fiel”, que mais importa? 

CORRUPÇÃO NA IGREJA 

Na carta aos Romanos, como foi estudado, o tema de Paulo é a justiça de Deus. Em Coríntios, ele o expande para incluir a vida de justiça do cristão. Como cristãos, devemos praticar em nossa vida aquilo que cremos no coração. Professar a vida cristã é coisa séria. Se rebaixarmos o padrão que Cristo estabeleceu, falharemos em nosso testemunho perante o mundo. Somos uma carta aberta e lida por todos os homens. Que espécie de evangelho é o “evangelho segundo nós”? 
Não permita que sua vida se aproxime tanto de coisas duvidosas que o façam tropeçar. Se cair, outros cairão com você. Vigie seu testemunho. 
A justiça provém de Deus, mas precisa ser demonstrada em nosso viver diário. Os coríntios, vivendo na Hollywood de seus dias, precisavam de admoestação tal como nós. A justiça vem de Cristo e por Cristo. “O que faria Jesus?”, deveria ser a pergunta para todas as coisas questionáveis da vida. Cristo em nós é o segredo e o caminho da vida. 
Certo membro da igreja de Corinto havia tido um relacionamento incestuoso com a madrasta, o que era considerado imoral mesmo entre os pagãos, quanto mais entre cristãos. Paulo os repreende por estarem cheios de orgulho, apesar do escândalo na igreja. Ele insiste em que não tolerem o mal em seu meio, uma vez que se chamam cristãos. Como o fermento leveda toda a massa, também um espírito mau contamina toda a igreja. Ela deve excluir de seu seio o culpado para demonstrar que não tolera o pecado (5:13). A disciplina na igreja deve ser ministrada com pesar e compaixão, e não com ira, orgulho ou vingança (5:2). 
Em seguida, Paulo faz uma aplicação pessoal, útil para a nossa vida. “Por isso, celebremos a festa [...] e sim com os asmos da sinceridade e da verdade” (5:8). Muitas vezes, é bastante difícil fazer um auto-exame, mas é de extrema importância. 
“Não sabeis” é a expressão usada por Paulo. Sua fé baseava-se em fatos. Ele queria saber das coisas. Sublinhe os “não sabeis” do Capítulo 6. O que devemos saber? 
Primeiro, Paulo declara que, embora seja necessário aos cristãos, às vezes, irem a juízo, nunca devem contender uns com os outros e depois levar a contenda a um tribunal mundano. Isso dá uma impressão terrível aos de fora! Quando agimos assim, estamos dizendo: “Nós, como cristãos, somos como os outros. Queremos as coisas a nosso modo. Somos cobiçosos e tão ambiciosos de nossos próprios direitos como vocês”. Paulo pergunta: “Vocês ousam fazer isso?”. 
A seguir, ele faz uma descrição da vida pregressa dos cristãos de Corinto em 6:9,10. Mas, no versículo 11, vemos o que a graça de Deus fez na vida deles. 
Cristo pagou um alto preço para nos comprar, e o Seu propósito é tornar-nos semelhantes a Ele (6:19,20). 
Se nosso corpo foi remido pelo Senhor Jesus Cristo, já não nos pertence, mas Àquele que nos comprou com seu precioso sangue. “Porque fostes comprados por preço.” 
Deus concedera um templo para seu povo; agora, tem um povo para Seu templo. Quando alguém entra num templo, assume uma atitude reverente porque reconhece que entrou num santuário, mas se esquece de que o verdadeiro santuário em que Cristo habita é o seu corpo. Fomos ensinados quando crianças a nos comportar na igreja por ser a casa de Deus. Quão mais importante é entendermos que o nosso corpo é a habitação Dele e que não devemos fazer nada que O entristeça! 

LIBERDADE, E NÃO LIBERTINAGEM 

A Palavra de Deus não estabelece regrinhas de conduta para nós, nem nos diz exatamente o que devemos ou não fazer; antes, estabelece princípios pelos quais devemos nos orientar. Alguém disse que a liberdade cristã não significa o direito de fazermos o que queremos, e sim o que devemos. Paulo faz a seguinte observação: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (6:12). 
Certo homem vinha descendo pela rua, balançando os braços, e sem querer bateu no rosto de um pedestre. Furioso, o pedestre quis bater nele também. O primeiro protestou: 
- Escute, não estamos num país livre? Não posso fazer minha ginástica na rua? 
- Sim - respondeu o ofendido -, mas lembre-se de que a sua liberdade acaba onde o meu nariz começa. 
Tenhamos isso sempre em mente com relação à nossa conduta. Se sua liberdade está prejudicando alguém é porque você está ultrapassando seus limites. 
Posso fazer o que quero, mas preciso certificar-me de que o que quero agrada a Cristo. O que faço é um exemplo para os outros, podendo prejudicá-los ou ajudá-los. Não só devo perguntar: “Será que a minha ação vai prejudicar o meu irmão mais fraco?”, mas também: “Esta minha ação glorifica a Deus?”. 

CASAMENTO 

Paulo escreve, respondendo a perguntas sobre o casamento do cristão. Entre os filósofos judeus e gregos, surgira uma controvérsia sobre a importância do casamento. Paulo queria a igreja isenta de escândalos, daí suas palavras em 7:2. A pureza da sociedade depende do conceito que tem do casamento. Alguns membros da igreja procuravam desencorajar o casamento; outros achavam que, quando alguém se convertia, deveria divorciar-se do cônjuge pagão. Paulo, porém, foi sábio. Conhecia a corrupção de Corinto e, por isso, aconselhou que todo homem tivesse sua própria esposa e toda mulher tivesse seu próprio marido. Não achava que deveriam divorciar-se do cônjuge pagão. Disse-lhes ser bem possível que o irmão ou a irmã, por seu testemunho, levasse o cônjuge não-cristão a Cristo (7:16). 
Assinale 1Coríntios 7:9,13 em sua Bíblia. Medite nesses versículos. Eles dizem muito da nossa responsabilidade, como cristãos, para com os que não o são. 

A CEIA DO SENHOR 

Paulo apresenta um registro cuidadoso de como se iniciou a celebração da ceia do Senhor e, em seguida, fala de seu valor. 
  • Foi constituída na noite em que Cristo foi traído; 
  • É celebrada em memória de seu amor imperecível por seus seguidores; 
  • É um símbolo do Seu corpo que foi partido por eles (10:16); 
  • É a Nova Aliança em Seu sangue; 
  • É o penhor da Sua volta (11:26). 
Devemos ser cuidadosos para que não comamos nem bebamos de maneira indigna. “Examine-se, pois, o homem a si mesmo” (11:28) e nunca participe da ceia sem um exame íntimo e sem profunda gratidão a Cristo. 
“Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim” (11:25). Cristo quer que nos lembremos Dele! Pensemos Nele quando chegarmos à Sua mesa; Ele anseia por nosso amor. 
Era costume da igreja de Corinto fazer uma refeição como se fosse a ceia do Senhor. Cada um trazia seu próprio alimento. Muitas vezes, isso levava a excessos entre ricos, enquanto os pobres não tinham nada. Daí resultava uma observância indigna da ceia. Paulo lembra-lhes da profunda significação espiritual dessa ceia e do escândalo que o comportamento deles causava. 
Ele encerra a exortação com estas palavras: “Quanto às demais coisas, eu as ordenarei quando for ter convosco” (11:34). Havia outras coisas para serem corrigidas; agora, porém, vai continuar com suas instruções. 

INSTRUÇÕES QUANTO À CONDUTA CRISTÃ (1Co 12—16) 

Em ICoríntios 12, Paulo trata dos dons que o Espírito concede aos santos. Nos versículos 1-3, ele fala da mudança que se havia operado na vida dos cristãos de Corinto quando abandonaram os ídolos mortos e passaram a adorar o Cristo vivo. Para que crescessem na vida cristã, o Senhor lhes deu os dons do Espírito (12:4-7). O Espírito é o doador dos dons espirituais (12:8-11). Ninguém pode ensinar as Escrituras se o Espírito Santo não lhe der sabedoria. Devemos orar “no Espírito” e cantar aceitavelmente a Deus “no Espírito”. Quando vemos um cristão bem-sucedido, dizemos: “ Ele é mesmo um homem de habilidades naturais”, mas na verdade ele recebeu muitos dons do Espírito. Muitos, nos dias de Paulo, estavam dando grande importância aos dons espirituais que ele menciona. Ambicionavam os dons mais ostensivos, como o falar em línguas. 
Os cristãos de Corinto estavam usando esses dons como um fim em si mesmos. Muita gente hoje, como os coríntios de outrora, pedem constantemente o poder do Espírito; esquecem-se de que todos os dons espirituais são outorgados para que Cristo seja exaltado e outros sejam abençoados. Se Deus concede um dom qualquer, não o faz a fim de que chamemos a atenção para nós mesmos, mas para que esse dom seja uma bênção para outros. Deus concede os nove dons mencionados em ICoríntios 1:2 para ajudar no estabelecimento da nova Igreja; entretanto, estavam sendo usados para satisfazer seu orgulho. Paulo mostra que o propósito dos dons é a edificação da Igreja (cap. 12), para serem usados com amor (cap. 13) e que o valor deles seria medido por sua utilidade na Igreja. 
Cremos que Deus manifestou dons como o de cura, milagres e línguas para servirem de “sinais” (12:12), a fim de provar ao mundo que Jesus era o verdadeiro Messias e que os apóstolos tinham autoridade divina. Esses milagres, línguas, visões e sinais foram dados a fim de que os apóstolos e sua pregação recebessem o selo de autoridade. Hoje precisamos crer e andar pela fé; devemos desejar os melhores dons da sabedoria, do conhecimento e da fé. Se for da vontade de Deus que tenhamos qualquer desses dons, ele no-lo dará. “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente” (12:11). 
O modo de usarmos esses dons que o Espírito dá é belamente apresentado em ICoríntios 13. Este capítulo é chamado de “Hino ao Amor”. Dons sem amor nada valem. Falar de amor é uma coisa, vivê-lo é outra bem diferente. É impossível amarmos uns aos outros enquanto o amor de Cristo não habitar em nosso coração. Os homens parecem adorar a força física, mas a História nos mostra que as vitórias da força não são duradouras. 

AS COLUNAS DO EVANGELHO 

Sem dúvida, havia um grupo na igreja de Corinto que não cria na ressurreição dos mortos. Respondendo a esses, Paulo começa por apresentar uma declaração maravilhosa do que é o evangelho, em ICoríntios 15:1-11. Paulo não lhes apresentava um novo evangelho; era o mesmo evangelho antigo, apresentado em Gênesis, Êxodo e Levítico. 
1. Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras (15:3). 
2. Foi sepultado (15:4). 
3. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (15:4). 
4. Foi visto por grande número de testemunhas (15:5,6). 
Se negarmos a ressurreição, estaremos negando uma das maiores verdades do evangelho. A pregação será vã; a fé e a esperança também. Mais do que isso, o evangelho não seria evangelho de modo algum, pois estaríamos adorando um Cristo morto. Não existiriam “boas-novas” porque não haveria nenhuma prova de que Deus aceitou a morte de Cristo como expiação por nossos pecados. Se um marinheiro, saltando na água para socorrer alguém, também se afogasse, saberíamos que não tinha conseguido salvá-lo. Se Cristo não tivesse saído do túmulo, não poderia levantar ninguém do túmulo. O corpo de Cristo morreu, e foi esse corpo que ressurgiu. Seu espírito tinha sido entregue nas mãos do Pai. 
Porque Cristo vive, nós também viveremos. “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (15.55). 
Em 1 Coríntios 15, Paulo apresenta muitas provas da ressurreição de Cristo. 
1. Suas aparições (15.5-8) 
2. Sua volta (15.23) 
3. A ressurreição dos crentes (15.22) 
4. A derrota de seus inimigos (15.25-28) 
5. Seu reinado glorioso (15.24,25) 
6. Nosso corpo revestido de imortalidade (15.53,54) 

PLANO DE ESTUDO SEMANAL 
  • Domingo: DIVISÕES NA IGREJA 1 Coríntios 1.10-31 
  • Segunda: SABEDORIA HUMANA 1Coríntios 2.1-16 
  • Terça: MUNDANISMO NA IGREJA 1Coríntios 3.1-23 
  • Quarta: IMORALIDADE NA IGREJA 1Coríntios 5.1-13 
  • Quinta: A CEIO DO SENHOR lCoríntios 11.1-34 
  • Sexta: HINO AO AMOR lCoríntios 13.1-13 
  • Sábado: A RESSURREIÇÃO 1 Coríntios 15.1-58 

sábado, 15 de outubro de 2011

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Visão Holística de Romanos

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ROMANOS
Apresenta Jesus Cristo, Justiça Nossa

Iniciamos agora o estudo das epístolas do NT. Das 21, 13 foram escritas por Paulo; por isso são chamadas epístolas paulinas. Ele escreveu essas cartas às igrejas de Tessalônica, Galácia, Corinto e Roma durante suas viagens missionárias. Quando prisioneiro em Roma escreveu Efésios, Colossenses, Filipenses e Filemom. Por último, escreveu as cartas a Timóteo e Tito. Paulo nasceu em Tarso. Era de origem puramente judaica. Seu mestre foi o grande Gamaliel. Como todo menino hebreu, aprendeu um ofício - era fabricante de tendas. Em Jerusalém esteve presente no apedrejamento de Estevão, o primeiro mártir cristão. Aquela cena, sem dúvida, causou profunda impressão no jovem Saulo. A caminho de Damasco, com a finalidade de perseguir os cristãos, o jovem fariseu teve um encontro frontal com Jesus Cristo. Depois da sua miraculosa conversão, foi batizado e recebeu a comissão de pregar o evangelho. Retirou-se para a Arábia, onde passou três anos em estudo e preparação. 
Depois de trabalhar três anos em Tarso e um ano em Antioquia, dirigido pelo Espírito Santo, Paulo tornou-se o grande missionário aos gentios. Em suas três viagens missionárias, fundou muitas igrejas e escreveu as epístolas. A cidadania romana, a cultura grega e a religião hebraica prepararam-no maravilhosamente para a grande obra, mas ele confiou somente na graça e no apostolado que recebeu diretamente de Jesus Cristo (1.5). Após uma vida cheia de sacrifício e sofrimento, selou seu testemunho com o próprio sangue. A tradição diz que ele foi decapitado em Roma, e seu corpo, enterrado nas catacumbas. 

A IGREJA EM ROMA 

Não sabemos quem fundou a igreja em Roma. Certamente não foi Pedro, conforme sustenta a tradição católica, O ministério dele aconteceu entre os judeus (Gl 2.9). Visitantes de Roma que estiveram em Jerusalém na festa da Páscoa e se converteram no Pentecoste voltaram à capital levando a semente do evangelho e estabelecendo esse novo centro em Roma. Durante os vinte e oito anos seguintes, muitos cristãos de todos os pontos do Oriente Médio emigraram para Roma, alguns deles convertidos pelo trabalho de Paulo. Paulo desejava muito visitar essa igreja. Escreveu-lhe essa carta de Corinto, da casa de Gaio, cristão rico daquela cidade, por ocasião da sua terceira viagem missionária. Foi escrita no quarto ano de Nero, então imperador de Roma. Nessa epístola, ele apresenta o seu evangelho (1.16,17). 
Paulo, o servo (1.1), escreve aos santos de Roma (1.7), a respeito de um Salvador (1.3,4). 

Paulo, o servo: 
  • Separado para o evangelho — 1.1 
  • Servindo ao evangelho — 1.9 
  • Salvo pelo evangelho — 1.16 
O evangelho de Cristo nos domina assim? Fomos salvos por ele, separados para ele e estamos a serviço dele? 
Depois da saudação à igreja ele agradece a Deus a fé que demonstravam (1.8). Paulo expressa sua obrigação para com a igreja (1.14,15): 
  • “Sou devedor” – 1.14 
  • “Estou pronto a cumprir o meu dever” — 1.15 
  • “Não me envergonho da mensagem” — 1.16 
Por que Paulo não se envergonhava do evangelho de Cristo? Procure revelar aquilo de que o pecador precisa e o que pode receber com base em uma fé simples — a justiça de Deus mediante Jesus Cristo.
O evangelho tem poder dinâmico; é o poder de Deus para a salvação. Só o poder de Deus pode transformar alguém em um cristão.
Mesmo em Roma, Paulo não se envergonhava do evangelho. A imensa pecaminosidade do homem, descrita em 1.18-32, havia alcançado o seu auge naquela cidade.
Paulo fala de uma convicção profunda nascida da experiência. Na estrada de Damasco, de repente todo o alicerce de obras, raça e caráter foi demolido. Teve uma visão plena do Cristo glorificado. Daí por diante, ele tinha uma só mensagem — a fé no Senhor crucificado e ressurreto. Não ouviria mais nada, não falaria mais nada, não viveria mais nada. Passou a proclamara dali por diante, que “o justo viverá por fé” (1.17). Basta apenas crer. A salvação não vem pelas obras — são abomináveis para Deus, não vem pela raça — essa está sob a maldição da morte; não vem pelo caráter — pois esse é como trapos imundos. Há uma salvação, que vem pela aceitação do evangelho de Cristo, visto que a justiça de Deus se revela no evangelho de fé em (1.17). Deus atribui essa justiça quando cremos em Cristo. Ele não diz que somos feitos justos, mas que somos declarados justos. Deus nos dá a justiça que exige de nós. Por que é necessária a justiça de Deus? Porque não temos justiça própria. 

NECESSIDADE DA JUSTIÇA DE DEUS 

Depois de apresentar o tema de Romanos em 1.16.1 ele passa a revelar a necessidade que o homem tem dessa justiça. “Pois todos pecaram e são culpáveis perante Deus.” De onde se encontra, Paulo olha ao redor e vê judeus zelosos, grego orgulhosos, romanos vaidosos e uma multidão de pecadores como nós. Que quadro terrível ele apresenta em 1.18-32! Primeiro, descreve a injustiça dos gentios; depois, a dos judeus.
Romanos fala do método de Deus em transformar homens culpados em homens bons. A chave dessa grande tese encontra-se em 1.16-17. 
  • A pessoa do evangelho — Cristo 
  • O poder do evangelho — “poder de Deus” 
  • O propósito do evangelho — “para a salvação” 
  • As pessoas a quem se destina — “de todo aquele” 
  • O plano de aceitação — “aquele que crê” 
  • O plano de vida — “o justo viverá por fé” 
Paulo orgulhava-se do evangelho porque havia provado o seu poder não só em sua própria vida, mas na de todos aqueles que haviam crido.
Boas-novas! Essas palavras despertam a atenção de qualquer pessoa. Diga: “Tenho boas notícias para lhe dar”, e você com certeza despertará os ouvintes. O valor de uma boa notícia depende da fonte, de quem a deu. Essa é a razão por que o evangelho apresentado por Paulo é tão bem aceito. A notícia vem de Deus. Romanos é o grito de alegria de Paulo a um mundo perdido.
Em Romanos, Paulo mostra o método de Deus para fazer do homem culpado um homem justificado. Revela a necessidade do pecador e, a seguir, apresenta o que ele pode receber pela fé: a justiça de Deus - Cristo, nossa justiça. A justiça de Deus é uma pessoa; a justiça que ele exige está em Jesus Cristo. Ninguém entrará no céu com uma justiça menor do que a de Cristo. Quando você olha para Jesus, pode ver a justiça exigida. 

O QUE SOMOS POR NATUREZA
(Cap. 1.1 / 3.20) 

Porque o homem precisa de salvação? Porque é pecador. Deus conhece o coração humano dá-nos um retrato dele. Mostra o que encontra em todos nós, e o que descobre é terrível. Mas, lembre-se, esta é perspectiva de Deus em relação a todos nós. “Não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (3.12). Paulo aprova esse fato nos três primeiros capítulos. É a realidade do homem sem Deus. Leia Romanos 3 palavra por palavra. Você vai crer então que o coração humano é extremamente perverso. Você já pediu que o Espírito Santo iluminasse o seu coração? Se o fez, então sabe que precisa de um Salvador.
O livro de Romanos apresenta uma cena de júri. Deus, o juiz de toda a terra, intima tanto judeus quanto gentios a comparecerem perante o tribunal de justiça. Os prisioneiros são tratados um a um.
A acusação geral é feita: “Todos pecaram” (3.23). Tanto o gentio (2.1-16) como o judeu (2.17-3.8) têm oportunidade de se serem ouvidos. Suas alegações especiais de que não têm culpa são cuidadosamente consideradas e respondidas, abrindo caminho para o veredicto final do Juiz.
Finalmente, o Juiz pronuncia o veredicto: “... todo o mundo [...] culpável perante Deus” (3.19). Se isso acontecesse hoje, todos os jornais publicariam em grandes manchetes: “TODO O MUNDO ACHADO CULPÁVEL!”.
Contra tudo isso, não há defesa. O Juiz pergunta: “Há alguém que queira fazer a defesa dos prisioneiros?”. Ninguém responde. “... que se cale toda boca” (3.19). Não há lugar para desculpas. A condenação do mundo está decidida. O próximo passo será revelar o plano de Deus para salvar o mundo perdido. Lembremo-nos de que a carta aos Romanos fala do método de Deus para transformar o homem.
Não diga: “Deus é amor e não me condenará”. “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade” (1.18). Ele já pronunciou a sentença: a sentença: “Todo o mundo [...] culpável”. Não há apelação; é a decisão do Supremo Tribunal do Universo, O pecado é universal: “Todos pecaram”. Daí precisarmos de um Salvador. Por ser um Deus de amor, ele providenciou seu Filho a este mundo. Diga João 3.16 em voz alta, O juiz pergunta: “Há alguém aqui para representar os prisioneiros?”. Então o Filho de Deus diz: “Sim, estou aqui para representá-los. De fato, eles cometeram esses pecados. São realmente culpados, mas eu levei a culpa deles na cruz; morri em lugar deles para que pudessem ser livres. Eu sou a justiça deles”. E o Juiz os liberta. 
Temos um quadro horrível do pecado nesses primeiros capítulos de Romanos. A palavra pecado no original significa “errar o alvo” — o padrão que Deus estabeleceu para nós. “Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (3.23). Você pode não ter errado tanto quanto outros que conhece, mas perante Deus está destituído. 
Somos todos pecadores porque nascemos de uma raça decaída. Somos “filhos de Adão”. Entretanto, não só nascemos em pecado como também nós mesmos pecamos, porque “todos pecaram”. Lembre-se: pecamos porque somos pecadores. Essa é a nossa natureza. Uma ameixeira produz ameixas porque é ameixeira; o fruto é resultado da sua natureza, O pecado é o fruto de um coração pecaminoso. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas” (Jr 17.9). 
Cristo não só nos salva da pena do pecado, mas também nos liberta de uma consciência de culpa e do poder do pecado. O resultado do pecado é um sentimento de culpa. Quando alguém transgride a lei, sente-se culpado e procura esconder-se. Foi o que o primeiro homem, Adão, fez. Uma consciência culpada carrega o medo do castigo. O pecador está sempre procurando fugir das conseqüências da lei transgredida. Teme o Juiz. É por isso que os pecados do homem e sua consciência culpada o afastam da presença de Deus. Deus não precisa afastar o pecador; este foge por vontade própria. Isso é o que vai acontecer no dia em que ira de Deus for revelada (Ap 6.15,16). 
A primeira coisa necessária para libertar o pecador é que sejam as conseqüências terríveis da sua culpa. Ele precisa de logo mais do que perdão porque isso o deixaria com a sua culpa. Qualquer presidente, governador ou rei pode perdoar um criminoso, mas nenhum deles tem poder para remover-lhe a culpa. É preciso aplicar ao ato uma pena justa. Foi isso que Cristo fez. “O salário do pecado é a morte”, e, visto que “todos pecaram”, Cristo veio para morrer e pagar a pena dos pecados cometidos contra o Deus santo. 

COMO TORNAR-SE CRISTÃO
(Cap. 3.21 / 5.21) 

Pergunta: Como Deus salva os pecadores? Resposta: “Mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (3.24).
O plano de Deus para a salvação do homem percorre as Escrituras do princípio ao fim. Assemelha-se ao cordame da Marinha britânica que contém, na sua tecedura, um fio escarlate que não se pode tirar sem destruir o cordão. Assim, há um fio vermelho de salvação através de toda a Escritura. Podemos vê-lo muito claramente em certas partes da Bíblia. Romanos 3 é uma delas.
Quando Deus olha para nós, não vê justiça (3.10). Quando, porém, Deus olha para nós através de Cristo, não vê melhora, mas perfeição — porque vê somente sua própria justiça, Jesus Cristo.
Você já se familiarizou com uma palavra notável das Escrituras: salvação. Justificação é outra. Tudo quanto Cristo fez foi creditado à minha conta. A justiça dele é minha.
Quando a justiça de Cristo é considerada como nossa, a isso chamamos “justificação” — o homem considerado justo perante Deus. “O justo viverá por fé.” O homem não se torna justo por suas obras, e sim por crer em Cristo (3.28). Essa tremenda verdade deu origem à Reforma. Libertou os cristãos da idéia de que os homens eram salvos por obras. Não somente somos salvos pela fé, como temos de viver pela fé, confiando em Cristo.
Paulo usa exemplos do AT de pessoas que foram justificadas pela fé. Fala, especialmente, de como a fé que Abraão possuía lhe foi imputada para justiça (cap. 4). Abraão recebeu três coisas pela fé: justiça, herança e posteridade (4.3,13 17).
Nós também recebemos grandes benefícios quando somos justificados por sua graça. Graça é favor imerecido. A fé vem seguida de paz, perdão, promessa (5.1-5) e, mais do que tudo, da certeza da salvação (5.6-11). 
Como pode o homem ser justificado por Deus? Leia Romanos 3.24-28. Deus transmite ao homem a sua justiça da seguinte forma: 
  • Pela graça (3.24), sua fonte. “Graça” — “favor imerecido” 
  • Por Deus — ele é seu doador (3.26; 8.33) 
  • Pelo sangue — a razão dela (3.24; 5.9) 
  • Pela fé — o meio pelo qual é recebida (3.22) 
  • Pelas obras — a maneira pela qual é demonstrada (Tg 2.21-23) 
  • Pela experiência — as bênçãos dela decorrentes (5.1-4) 
Quando olho para o céu e me lembro de que Deus, no seu trono, me condenou, fico desesperado, mas vejo alguém à sua direita, erguendo a mão ferida e mostrando os pés e o lado traspassados. Com essas chagas, Cristo intercede por mim e me garante que elas são eficazes para satisfazer as minhas necessidades. 

SALVAÇÃO

A corrente do pecado e o rio da salvação correm lado a lado, em Romanos 1—16. “Onde abundou o pecado, superabundou à graça” (5.20). Paulo mostra o pecado em toda a sua sordidez, e a salvação, em todo o seu esplendor.
Não precisamos ser pecadores aos olhos dos homens para estarmos perdidos. Naturalmente, há diferença de grau no pecado, mais não no fato do pecado e em seus resultados, pois “o salário do pecado é a morte”. Uma pessoa que se afoga em 2 metros de água está tão morta como se tivesse afundado em 20 metros de água. Em nossa incapacidade de salvar a nós mesmos, estamos todos no mesmo nível porque não há distinção (3.22).
Somos salvos pela justiça de Cristo; ele a pôs ao nosso alcance por sua morte. “Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos” (3.24,25).
Sou uma pessoa condenada a morrer por causa do meu pecado, “porque o salário do pecado é a morte”. Mas posso olhar para a cruz e ver que Cristo já morreu por mim e creio que foi por meu pecado. Assim, em troca de minha vida pobre, pecadora e condenada, posso aceitar sua justiça e sua vida (1 Pe 2.24).
“Quem crê no Filho tem a vida eterna” (Jo 3.36). “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus [...] em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem” (3.2 1,22). À parte do nosso esforço para sermos bons, Deus providenciou sua justiça, o Senhor Jesus Cristo. Nossa justiça é como trapo da imundícia (Is 64.6).
Nosso pecado está sobre Cristo; ele o levou para nós. Você já o aceitou como Salvador e passou da morte para a vida (Jo 5.24)? Se já resolveu deixar que Cristo leve o seu pecado, você tem agora a sua salvação (3.24). 

JUSTIFICADOS PELA FÉ 

Um criminoso pode estar no fundo de uma mina e você no pico da mais alta montanha, mas você é tão incapaz de tocar as estrelas quanto ele. Não podemos alcançar a justiça exigida por Deus, por mais que subamos.
Perdão é a remoção da nossa injustiça, o despir-se do pecado ou o abandono dele.
Justificação é o ato de alguém revestir-se da justiça que Deus provê. Ela é perfeita.
A pessoa que pôs a confiança em Cristo uma hora atrás está tão justificada quanto o cristão mais antigo. Nunca nos tornamos mais justificados do que no momento em que recebemos Cristo.
A justificação depende de algo feito fora de nós, algo realizado na cruz do Calvário. A justificação resolve todo o problema do nosso pecado e da nossa culpa; enterra todo o pecado e a culpa no túmulo de Jesus Cristo e, então, nos coloca nos lugares celestiais com Cristo, nosso Salvador.
Muitos perguntam: “Como pôde um homem morrer pelo mundo inteiro?”. Um homem pode tomar o lugar de outro homem e ser seu substituto. Isso é compreensível, mas morrer pelo mundo inteiro é contra-senso! Vejamos se isso é verdade.
Ninguém gosta da idéia de ser chamado “pecador”, mas temos de encarar o que somos. Leia o que Paulo diz em Romanos 5.12-21. Nascemos pecadores; não fomos consultados se queríamos vir a este mundo. Um dia, despertamos para a realidade de que estávamos sujeitos a uma natureza pecaminosa. Adão, o cabeça da raça, não foi criado dessa maneira (Gn 1.26). Pecou voluntariamente, e sua natureza pecaminosa passou a todos nós. Pecamos porque herdamos a semente do pecado.
De um lado, temos Adão, o cabeça da raça natural; de outro, temos Cristo, o cabeça da raça espiritual — uma nova criação. Quando nascemos no corpo, nascemos descendentes de Adão. Temos sua natureza pecaminosa. Quando nascemos na família de Deus, por Jesus Cristo, recebemos a natureza de Cristo, que é santa. Nas palavras da Escritura: “Porque, assim como em Adão todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15.22). Não escolhi ser descendente de Adão, mas posso escolher ser filho de Deus. “Se, pela ofensa de um só, morreram muitos”, a justiça de um homem tornou possível a toda a raça livrar-se dessa condição (5.15).
Você já recebeu a vida eterna por Cristo Jesus, nosso Senhor? É um pecador “em Adão” ou um filho “em Cristo”? 

COMO VIVER A VIDA CRISTÃ
(Cap. 6 a 8) 

Já aprendemos como podemos nos tornar cristãos. Agora vamos ver como podemos viver como cristãos. Uma coisa é aceitar o que Cristo fez por nós. Outra coisa é experimentá-lo de maneira pessoal e real.
Em Romanos 6, há três palavras importantes. Anote-as. 
  • “Saiba” que Cristo morreu por nós (6.3-5,10); nós morremos com Cristo (6.8). 
  • “Considere-se” morto para o pecado. “Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus” (6.11). Se um parente tivesse depositado em um banco certa quantia para você fazer uma viagem, contaria com ela, sem dúvida, ainda que não visse o dinheiro. Se duvidasse e não sacasse o dinheiro, ele nunca seria seu. Uma vez que o considerasse seu, assinaria um cheque e o receberia. Assim, aquilo que nunca tinha visto se tornaria realidade. Quando consideramos as coisas reais, elas se tornam reais. “Visto que estamos mortos para o pecado e vivos para Deus, como viveremos para o pecado? ’ (6.13). 
  • Ofereça-se” a Deus. “Nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça” (6.13). 
Isso significa a renúncia de nossa vida para que Deus viva em nós. Essa é a vida de submissão e o modo certo de viver vitoriosamente debaixo de toda sorte de bênçãos. Deixe que Cristo opere sua vontade em você e por meio de você.
O cristão logo descobre novos padrões para sua vida. Não procura andar de acordo com a lei, porque não está mais debaixo dela. Procura agradar quem habita dentro dele. “Porque para mim o viver é Cristo”, e “faço todas as coisas para a glória de Deus”.
Romanos 6 revela o segredo de uma vida vitoriosa. Vivo em Cristo! Morto para o pecado, mas vivo para Deus! Quando procuro viver a vida cristã por mim mesmo, vejo que é impossível. Somos salvos pela fé e não podemos viver por esforços próprios.
Essa triste verdade acha-se em Romanos 7, que descreve como não podemos ter uma vida vitoriosa. A palavra “eu” (expressa ou oculta) é usada 38 vezes nos 25 versículos desse capítulo. O Espírito Santo nunca é mencionado. Embora o “eu” se esforce, ele só encontra derrota.
O Dr. Griffith Thomas disse: “Não é difícil viver a vida cristã; é impossível”.
Paulo disse: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).
Ouça as palavras de um homem que procurou viver por seu próprio esforço:
“Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado” (7.24,25).
Finalmente, o “eu” descobre que há alguém que é todo suficiente. A luta dá lugar ao poder, a derrota transforma-se em vitória, e a tristeza, em júbilo. Quando o “eu” sai, Cristo entra. 

A VIDA CHEIA DO ESPÍRITO 

A vida “em Cristo” é maravilhosa. Paulo diz: “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (8.2). É o que acontece. Quando entramos num avião, estamos livres da lei da gravidade. A lei mais forte que opera para levantar o aparelho acima das nuvens anula a outra lei que, minutos antes, nos prendia ao solo. A lei da gravidade não é destruída, mas torna-se inoperante. E o que acontece conosco quando vivemos “em Cristo”. A lei que opera pelo Espírito em nossa vida nos ergue acima do mundo e do pecado e este já não tem domínio sobre nós. Estamos livres, sem condenação. Você á vive “em Cristo”? Vive num plano bem acima dos principados e potestades?
Passe da vida do “eu” para a vida cheia do Espírito. Em Romano8, em vez da palavra “eu”, encontramos a palavra “Espírito” 21 vezes. Precisamos submeter nossa vida a ele; essa é a nossa parte. Ele nos encherá com seu Espírito; essa é a parte de Cristo.
Esse glorioso capítulo começa com “nenhuma condenação” e termina com “nenhuma separação”. É o quadro de nossa vida “em Cristo”. O cristão está seguro: Jesus está ao seu redor, o 1spírito está dentro dele, e Deus é por ele. 

POR QUE ISRAEL É POSTO DE LADO 
(Cap. 9 / 11) 

A história dos judeus que foram postos de lado e dispersos pelo mundo, sem pátria e sem rei, é uma advertência para nós (9—11). Deus é soberano e age como quer. Tem o direito de voltar-se para os gentios, porque os judeus não buscaram a justiça de Deus que é pela fé (9.32); procuraram estabelecer sua própria justiça. Todavia, o homem não pode cultivar a justiça; só pode recebê-la. Se Deus pôs de lado seu povo escolhido, não fará o mesmo conosco se formos desobedientes?
Tenhamos cuidado para que não nos tornemos obstinados e desobedientes como os judeus, não atentando para os mandamentos do Senhor. 

COMO SERVIR A DEUS
(Cap. 12 / 16) 

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (12.1).
Nesse apelo, Paulo exorta a que vivamos à altura de nossa fé. Mostra que a doutrina da justificação pela fé não permite uma vida ou conduta descuidada. Somos salvos para servir. A vida do cristão precisa ser vivida em relação a Deus, a si próprio e ao próximo.
Talvez você se tenha surpreendido de que até aqui não tivéssemos de fazer nada senão crer em Cristo e submeter-nos a ele para que nos use como desejar. Agora devemos servir.
 Pouco podemos fazer para Deus antes de sermos salvos por sua graça e transformados por seu amor. Leia 1Coríntios 13. Quando nos entregamos a Cristo e nos enchemos do seu amor, podemos achar muito para fazer. Cristo quer um “sacrifício vivo”, e não morto (12.1). Muitos estão prontos a morrer por ele, mas poucos estão prontos a viver para ele. Há muitos que prefeririam ir para a fogueira a sofrer a crítica dos companheiros. Alguém definiu o cristão moderno assim: “Ë uma pessoa que está pronta a morrer pela igreja à qual não freqüenta”. Quantos de nós emudecemos quando o nome de Cristo é menosprezado ou usado em vão!
A primeira parte de Romanos é o que Deus faz por nós; a última é o que podemos fazer para Deus. 

PLANO DE ESTUDO SEMANAL
  • Domingo: O QUE SOMOS POR NATUREZA Romanos 1.14-23-3.9-20 
  • Segunda: COMO TORNAR-NOS CRISTÃOS Romanos 3.12—5.21 
  • Terça: COMO VIVER A VIDA CRISTÃ Romanos 6.1-23 
  • Quarta: A LUTA Romanos 7.1-25 
  • Quinta: A VIDA VITORIOSA Romanos 8.1-39 
  • Sexta: Os JUDEUS POSTOS DELADO Romanos 9.30—11.12 
  • Sábado: O SERVIÇO CRISTÃO ROMANO Romanos 12.1-21 

domingo, 2 de outubro de 2011

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Visão Holística de Atos


ATENÇÃO: Antes de iniciar sua leitura faça uma oração pedindo orientação ao Espírito Santo. Para maior compreensão do estudo, use a Bíblia On-line clicando aqui, pois ao longo do texto, várias citações precisam ser analisadas. Quando o estudo fizer referência a outro livro, este terá um link direcionador (clique em cima do texto sublinhado).
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ATOS 
Apresenta Jesus Cristo, o Senhor redivivo 

Lucas, em seu evangelho mostra o que Cristo começou a fair na terra; Atos mostra o que ele continuou a fazer por meio do Ispírito Santo. 
A ascensão de nosso Senhor é a cena final de Lucas e a cena inicial em Atos (Lc 24.49-51; At 1.10,11). 

EVANGELHOS E ATOS 

Os Evangelhos apresentam o Filho do homem, que veio morrer por nossos pecados; Atos mostra a vinda do Filho de Deus no poder do Espírito Santo. Os Evangelhos apresentam o que Cristo começou a fazer; Atos mostra o que ele continuou tazendo no poder do Espírito Santo por meio dos seus discípulos. Os Evangelhos mencionam o Salvador crucificado e ressuscitado; em Atos, ele é apresentado com o Senhor exaltado. Nos hvangelhos, ouvimos os ensinos de Cristo; em Atos, vemos o Feito de seus ensinos na vida dos apóstolos. 
Atos não é o registro dos atos dos apóstolos, pois nenhuma narrativa extensa é apresentada a respeito deles, com exceção de Pedro e Paulo. Lucas registra os atos do Espírito Santo por meio dos apóstolos. Seu nome é mencionado cerca de 70 vezes. Procure em cada capítulo desse livro alguma operação do rito Santo. 
A palavra “testemunha” é usada mais de 30 vezes. “Ser-me-eis testemunhas” é o coração do livro de Atos. A salvação vem a este mundo somente por Cristo (At. 4.12), por isso é importante que os homens o conheçam e testemunhem dele. Estamos incluídos em seus planos. Você está testemunhando de Cristo? Se não está, por quê? É verdade que só ele pode salvar o mundo, mas não pode salvá-lo sozinho. Se ainda não é uma testemunha de Cristo, examine seu coração, “porque a boca fala do que e cheio o coração” (Mt. 12.34). 
Cristo dissera aos discípulos que enviaria o Espírito. “Esse dará testemunho de mim; e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio” (Jo 15.26,27). A promessa cumpriu-se no dia de Pentecoste, quando ele derramou o Espírito Santo sobre os discípulos (At. 2.16,17,33). A partir daquele momento, ao darem testemunho do Salvador, o Espírito Santo testificaria, ao mesmo tempo, no coração de seus ouvintes, e multidões seriam levadas ao Salvador.
É maravilhoso saber que, quando o Espírito Santo nos manda falar de Cristo a alguém, ele já está preparando aquele coração para receber seu testemunho. Um exemplo perfeito disso encontramos em Atos 8, em que Filipe fora enviado para falar ao etíope. Leia essa palpitante história. 
Qual foi o resultado do primeiro sermão no dia de Pentecoste (At 2)? 
Em cada círculo de influência, que se vai ampliando, encontramos um acentuado derramamento do Espírito Santo. Não é admirável que em uma geração os apóstolos se tivessem movimentado em todas as direções, pregando o evangelho a todas as nações do mundo conhecido daquela época (Cl 1.23)? 
A igreja nasceu demorou a compreender a extensão de sua tarefa. Os Cristãos limitaram sua pregação a Jerusalém, até que a perseguição os obrigou a sair. O sangue de Estevão, o primeiro mártir cristão, tornou-se a semente da igreja que crescia. 
O livro começa a pregação do evangelho em Jerusalém, a metrópole da nação judaica, e termina com o evangelho em Roma, a verdadeira metrópole do poder mundial. 
Embora demos ao livro o nome de Atos dos Apóstolos, ele narra, de fato, os atos do Espírito Santo operando por meio de Pedro, Paulo e seus companheiros. 
Em Atos 1-12, vemos Pedro testemunhando aos judeus. Sua palavra é: Arrependei-vos” (2.36-38). 
O livro apresenta duas divisões naturais. 
Em Atos 13-28, vemos Paulo testemunhando aos gentios. Sua palavra é: Crê” (16.30,31). 
Em Atos 1-12, Pedro diz aos judeus que se arrependam, porque precisavam mudar seu modo de pensar em relação ao Messias. Em Atos 13-28, Paulo diz “creiam”, porque os gentios não precisavam mudar de idéia quanto ao Messias, e sim somente crer nele. 
Esse livro fala da expansão do evangelho até os gentios. Em todo AT, Deus trata com os judeus. No NT, ele opera em todas as nações. 

MANUAL DE MISSÕES 

Sem dúvida, Atos é o melhor “manual de missões” já escrito. Nele encontramos a razão de ser da obra missionária. O objetivo único dos cristãos era levar os homens ao conhecimento da salvação em Jesus Cristo. Esse era seu tema exclusivo, e a Palavra de Deus, sua única arma. 
Vemos a igreja primitiva com um programa definido para a realização de seus planos. Alguns grandes centros foram escolhidos como base de onde pudesse irradiar a influência do trabalho dos discípulos de maneira a atingir os lugares vizinhos. 
Os discípulos foram simples, diretos e bem-sucedidos. Dependiam inteiramente do poder de Deus, mediante o Espírito. Avançaram com zelo irreprimível e coragem inabalável. 
O versículo 8 do capítulo 1 sugere a divisão do livro. Decorando-o, você terá o esboço. 
1. Poder para testemunhar — 1 e 2 
2. O testemunho em Jerusalém (missões locais) — 3—H,b 
3. O testemunho na Judéia e Samaria (missões nacionais) 8.4—12.25 
4. O testemunho até os confins da terra (missões estrangeiras) — 13—28 

PODER PARA TESTEMUNHAR
(Cap. 1 e 2) 

Os discípulos passaram quarenta dias maravilhosos com Senhor Jesus, depois de ressurreto e antes da sua ascensão. Estavam realmente ansiosos por ouvir suas últimas palavras de instrução. Ele falava das coisas do reino de Deus; nessa ocasio1 determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas esperassem a promessa do Pai (1.4). 
Os primeiros 11 versículos do capítulo 1 servem de introdução para o resto do livro. 
Grande Comissão — 1.6-8 
Ascensão— 1.2,9,11 
Volta de Cristo— 1.10,11 
Os discípulos ainda não estavam satisfeitos quanto à época em que Cristo iria estabelecer seu reino na terra. Ainda esperavam um reino que lhes desse independência política e os colocasse em posição de liderança no mundo (1.6). Qual foi a resposta de Jesus(1.7)? 
Um dia, Jesus os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou (Lc 24.50). Disse-lhes que o poder deles não seria político, mas espiritual (1.8.) 
Com a ascensão, nosso Senhor desapareceu, mas permaneceu com eles de modo ainda mais real. Depois de lhes ter suas últimas palavras (1.8), foi arrebatado, e uma nuvem o cobriu dos olhos deles. Um acontecimento tão notável com tão poucas palavras! O Pai levou seu Filho de volta à glória

CRISTO VOLTARÁ 

“Esse Jesus [...] virá do modo como o vistes subir” (At 1.1 Como será a sua volta aqui anunciada? Será simplesmente hora da morte? Será meramente ao vir habitar em nosso coração? Não. A promessa é que ele vai voltar do modo como subiu. Portanto, devemos examinar como ele foi. Desse modo, saberemos como ele voltará. Sua volta será: 
pessoal — 1Tessalonicenses 4.16; 
visível — Apocalipse 1.7; 
corpórea — Mateus 24.30; 
local — Lucas 24.50. 
Imaginemos os discípulos voltando do monte das Oliveiras para Jerusalém e se reunindo num cenáculo. Pode ter sido mesmo em que Jesus comeu a última ceia com eles (Lc 22.12 “Todos estes perseveravam unânimes em oração” (At 1.14) p dez dias. Jesus lhes disse que ficassem em Jerusalém até que recebessem poder do alto (Lc 24.49). Embora tivessem tido três anos de treinamento com o Senhor, precisavam da presença Espírito Santo que ele prometera enviar a fim de revesti-los de poder. Já haviam dado provas de serem um grupo de fracos.
Cristo ordenou-lhes que esperassem pela promessa. Seria natural que tivessem fugido do lugar em que seu Senhor havia sido crucificado e voltassem para a Galiléia. Mas a ordem era para que permanecessem na cidade por ser o centro de maior influencia. Nem sempre podemos escolher nosso lugar de serviço. 
Depois da vinda do Senhor Jesus Cristo à terra, o acontecimento de maior importância é a vinda do Espírito Santo. A igreja  nasceu no dia de Pentecoste. Procure familiarizar-se com  a narrativa de Atos 2.1-13. O Pentecoste era uma das festas mais populares, e Jerusalém estava repleta de peregrinos de toda parte. Cinquenta dias haviam passado desde a crucificação. A partir dessa data, o Pentecoste não seria mais uma festa judaica, mas o raiar de um novo dia, o dia do nascimento da igreja de Cristo. 
A cena abre-se com os discípulos reunidos no cenáculo, corações firmados em Cristo, esperando o cumprimento da sua promessa. O Espírito Santo desceu naquele dia. Lucas não diz que era um vento, mas o som era um símbolo, assim como as línguas de fogo. O vento impetuoso representava o poder celestial. As línguas eram símbolo do fogo e indicavam o poder para testemunhar. Veja os resultados desse acontecimento em Atos 2.6,12. O fogo é símbolo da presença divina que ilumina e purifica.

O ESPÍRITO SANTO NO PENTECOSTE 

O Espírito Santo pousou sobre os discípulos (2.1-3); entrou neles (2.4); operou por meio deles (2.41—47). 
Eles foram cheios do Espírito Santo e, assim, estavam capacitados para um serviço especial. Não só foram capacitados para pregar com poder, mas para falar nas diferentes línguas representadas naquele dia em Jerusalém (2.2-4). Esse falar em novas línguas era um palavreado que ninguém entendia ou os presentes podiam entender e ser beneficiados (2.6)? 
O maravilhoso Pentecoste não foi o “vento veemente e impetuoso”, nem as “línguas como de fogo”, mas o fato de os discípulo serem cheios do Espírito Santo para que pudessem 
testemunhar aos homens. Se não temos o desejo de falar de Cristo a outros, é evidente que ainda não conhecemos a plenitude do Espírito Santo.
Não pense que o Espírito Santo veio ao mundo pela primeira vez por ocasião do Pentecoste. Por todo o AT, encontramos narrativas que mostram como ele guiava e fortalecia os homens. Agora o Espírito Santo iria fazer uso de um novo instrumento, a igreja nascida naquele mesmo dia. 
“Todos, atônitos e perplexos” (2.12). O homem, por natureza, é descrente. Não é uma grande manifestação da graça de Deus quando realmente cremos nele e aceitamos sua Palavra?
Alguns zombavam, dizendo: “Estão embriagados!” (2.13-15). Os homens sempre procuram explicar os milagres de Deus pelas leis naturais, mas o racionalismo nunca pode dar uma explicação razoável para aquilo que é divino. Além disso, eram 9 hora, e nenhum judeu podia tocar em vinho até aquela hora. Veja a defesa de Pedro contra essa falsa acusação em Atos 2.1 5-21. 

O SERMÃO DE PEDRO 

O tema desse primeiro sermão foi que Jesus é o Messias como demonstra sua ressurreição. Pedro é a figura central nos 12 primeiros capítulos de Atos. O verdadeiro poder do Espírito. Santo revelou-se quando esse humilde pescador se levantou pa falar e 3 mil almas foram salvas. Como poderíamos explicar ousadia de um Pedro, que antes fora covarde, ao se levantar para pregar a uma multidão nas ruas de Jerusalém? Qual era o segredo do ministério de Pedro? É algo muito sério acusar alguém de homicídio, mas foi exatamente o que Pedro fez (2.36). Como ele irá sair dessa situação? Será apedrejado? Os últimos versículos do capítulo 2 respondem a essa pergunta (2.37-47). 
A primeira igreja de Jerusalém foi organizada com 3 mil membros no dia de Pentecoste. Que dias gloriosos se seguiram de ensino, comunhão, sinais e prodígios, e, sobretudo, salvação! “Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (2.47). Esse é o verdadeiro objetivo da igreja. Estamos vendo isso hoje? 
Tão maravilhoso como o dom de línguas era o viver diário da primeira igreja. Não é de admirar que contassem com a simpatia de todo o povo e que dia a dia crescesse o número dos alvos.
Os primeiros cristãos eram constantes: 
  • Na freqüência às reuniões — Atos 2.44; 
  • Na contribuição financeira – Atos 2.45;
  • Na missão da igreja 2.46,47. 

O TESTEMUNHO EM JERUSALÉM
(At. 3.1 / 8.3) 

O capítulo 3 inicia junto à porta do templo chamada Formosa. Pedro havia curado um coxo de nascença que era colocado diariamente naquele lugar para pedir esmolas. O milagre atraiu a atenção dos líderes judeus e resultou na primeira oposição da igreja.
Ao juntar-se uma multidão ao redor do coxo curado tão milagrosamente, Pedro aproveitou a oportunidade para pregar seu segundo sermão. Ele não poupou os judeus. Voltou a dizer-lhes 
que Cristo, a quem haviam crucificado, era o Messias havia muito prometido. As palavras de Pedro e João foram tão poderosas que um total de 5 mil pessoas aceitaram Cristo. 
Os líderes revoltaram-se porque os apóstolos ensinavam ao povo que esse Jesus a quem eles haviam crucificado ressuscitara dos mortos e iria voltar (4.2). Ordenaram-lhes que não mais pregassem; a oposição, porém, só fez a igreja prosperar. A oposição não deve causar admiração, nem mesmo surpresa, a nenhum cristão. A obra do Espírito é sempre um prenúncio da obra de Satanás. Toda vez que o Espírito vem para abençoar, o adversário vem para amaldiçoar. O martírio ajuda a igreja, e, sempre que a verdade é pregada com fidelidade, os frutos aparecem (v. At 4.3,4).
Logo que Pedro e João foram soltos, procuraram seus amigos, contaram as experiências e se uniram em oração e louvor. A igreja deve esperar oposição, mas em todas as circunstâncias podemos encontrar coragem e ajuda em Deus. “Tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (4.31). 
Essa espécie de pregação trouxe unidade à igreja. “Da rnultidão dos que creram era um o coração e a alma” (4.32). “Os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” (4.33). Levemos essa mensagem; os perdidos precisam ouvi-la. 
Ninguém era obrigado a desfazer-se dos seus bens; não se esperava isso deles. Quando alguém trazia o que tinha, era um ato espontâneo. A comunhão de bens era voluntária, limitada a Jerusalém, temporária e exclusiva aos irmãos. 
A igreja tornou-se tão desprendida que muitos vendiam todos os seus bens e depositavam os valores correspondentes aos pés dos apóstolos para serem distribuídos “à medida que alguém tivesse necessidade” (2.45). Contudo, mesmo esse ato de amor e generosidade estava sujeito a abuso e engano. A liberalidade de Barnabé exemplificava o espírito de amor; Ananias e Safira mostravam o espírito de engano, pelo qual iludiram a si mesmos e aos apóstolos. Mas o Espírito Santo revelou a verdade da situação. Eles queriam glória sem pagar o preço; queriam honra sem honestidade, e foram punidos de morte instantânea por declararem que estavam dando tudo a Deus enquanto guardavam uma parte para si (5.4,5). 
Como cristãos, professamos dar tudo a Cristo. A condição que ele estabelece para o discipulado é uma submissão completa. “Todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (v. Lc 14.33). Estamos deixando de entregar alguma coisa a Cristo? Somos hipócritas em nosso testemunho? 
O poder do testemunho dos apóstolos residia no fato de sua vida ser uma confirmação da própria vida do Cristo ressuscitado. A atitude do mundo hoje é a de quem quer ver para crer. Aqueles cristãos primitivos mostravam ao mundo quem eram, Nossa vida e conduta testemunham que somos cristãos? 
Quando sinais e prodígios eram realizados entre o povo, as multidões vinham para ver. Quando o Espírito Santo estava presente, o povo via o poder de Deus. O mesmo acontece hoje. Quando as igrejas apresentam Cristo em sua formosura e o Espírito santo em seu poder, o povo vem. Cristo atrai todos os homens.
Os milagres em geral produzem conversões. Quando o milagre das línguas aconteceu, a multidão afluiu (2.6). Quando Pedro e João curaram o homem junto à porta Formosa, o povo correu atônito para junto deles no pórtico chamado de Salomão (3.11). Quando o milagre do julgamento veio sobre Ananias e Safira, “crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor” (5.14). Assim, vemos exemplos em todo o livro. 
Milhares de artigos têm sido escritos sobre como levar os cristãos a trabalhar na igreja. Haverá atividade em abundância na igreja, quando dermos lugar ao Espírito Santo. A igreja cheia 
do Espírito é aquela que trabalha. 
“Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que ele [...] prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública (5.17,18). Vemos novamente que o trabalho maravilhoso dos apóstolos provocou a oposição do Sinédrio (um tribunal de 70 juízes). Um grupo de pescadores ignorantes  levantara-se para ensinar, e as multidões os ouviam e seguiam. Esse era o motivo que os perturbava. Embora açoitados e proibidos de pregar, os apóstolos sentiam-se felizes por terem sido achados dignos de sofrer pelo nome de Jesus. “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo” (5.42). Suas palavras mais ousadas acham-se nesta declaração: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (5.29). É essa a nossa convicção? Tenhamos o espírito desses apóstolos! Não desanimemos quando os adversários se multiplicam.
Foi convocada uma reunião da igreja, e sete homens foram eleitos diáconos. Havia agora dois ofícios na igreja: “servir às mesas”, isto é, cuidar da distribuição de bens e das necessidades dos irmãos; o outro era o da pregação e da oração. 
Os primeiros diáconos mencionados foram Estevão e Filipe (6.5). Eram homens de grande influência na igreja, talvez mais do que qualquer outro, com exceção de Pedro e Paulo. 
A oposição concentrou-se em Estevão. Leia as experiências registradas nos capítulos 6 e 7. Estevão, um dos primeiros diáconos, era apenas um leigo. É descrito como homem cheio de graça e de poder (6.8). Temos o registro de um só dia da sua vida — o último. Mas que dia! Não é a extensão da nossa vida que conta, mas como vivemos. Alguém disse: “Um cristão está sempre de prontidão”. Isso quer dizer que cada minuto é importante e deve ser vivido sob a direção de Deus. 
Estevão era um homem simples. Como milhares de outros desde então, “ele operou maravilhas” porque era “cheio de fé e de poder”. 
A vida e a morte de Estevão tiveram efeito incalculável na história do mundo pela influência que exerceram em Saulo de Tarso. Quem poderá calcular a influência que nossa vida poderá exercer sobre as pessoas que nos cercam? 
Os líderes da sinagoga “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava” (6.10). A ira deles transformou-se em ódio homicida. Estevão tornou-se o primeiro mártir da igreja cristã. Podemos atribuir à morte de Estevão, sem dúvida, as primeiras impressões que os seguidores de Cristo causaram em Saulo. 

TESTEMUNHO NA JUDÉIA E SAMARIA
(Cap. 8.4 / 12.25) 

Os discípulos eram testemunhas em Jerusalém, mas Jesus dissera que deveriam ir à Judéia e Samaria. 
Os guias religiosos julgavam estar fazendo a vontade de Deus, cristianismo, matando os cristãos. Paulo disse: “Na verdade, mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno” (26.9). 
Sem o saber, Paulo realmente deu início naquela ocasião à sua obra de espalhar o evangelho. Leia Atos 8.3. Ele pensava estar destruindo o cristianismo, quando, na verdade, o estava divulgando. A perseguição sempre disseminou o cristianismo, como o vento espalha o fogo. Isso vem acontecendo através dos séculos, desde que Jesus viveu entre os homens. Note a qualidade daquela igreja: “Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (8.4). Essa foi a razão de o evangelho espalhar-se no princípio. Qual foi a comissão dada aos discípulos? “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho...” Quanto Jesus treinou para sua obra? Somente 12, e um deles o abandonou.
Bem, lá estavam eles acomodados m Jerusalém enquanto o mundo precisa
do evangelho. A perseguição por parte de Saulo, como a confusão de línguas na torre de Babel, espalhou os cristãos pelo mundo. Não foi a covardia que os levou a fugir, pois os encontramos em toda parte pregando o evangelho (8.4). 

FILIPE, O EVANGELISTA 

Filipe, um dos sete escolhidos para o diaconato (6.5), era evangelista. Como resultado da perseguição, ele se estabeleceu em Samaria. Jesus tinha dito: “Sereis minhas testemunhas [...] em Samaria...” (At 1.8). Filipe pregava Cristo, e as multidões o seguiam sua campanha de evangelização, mas Deus ordenou-lhe que deixasse o trabalho que fazia com tanto êxito: 
“Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto” (8.26). Filipe obedeceu e saiu; no caminho, encontrou um etíope. Seria por acaso? Quando estamos no centro da vontade de Deus, as coisas não acontecem por mero acaso. Nenhum amigo cruza nosso caminho por acaso. Nenhuma alegria ou tristeza sobrevém senão pela permissão de Deus. 
Essa história levanta a pergunta sobre qual método dá mais resultados: pregar a um grande número de pessoas ou falar de Jesus individualmente? Muitos julgam que o método individual é lento, mas vejamos alguns dados. 
O Brasil tem hoje uma população de quase 190 milhões de habitantes. Suponhamos que você seja o único cristão neste país. Hoje, você ganha uma pessoa para Cristo; amanhã, os dois ganham mais uma pessoa; no dia seguinte, o mesmo acontece com os quatro; no outro dia, os oito ganham mais oito, e assim por diante. Aqui está um fato impressionante. Se cada um desses cristãos mais os que foram ganhos por eles levassem uma pessoa a Cristo por dia, quanto tempo levariam para alcançar todos esses milhões de brasileiros? Menos de um mês, a contar do primeiro convertido! 
O etíope, convertido pelo testemunho de Filipe, sem dúvida levou o evangelho à África. Nada indica que a África tivesse antes qualquer conhecimento do Filho de Deus. As boas-novas estavam a caminho dos confins da terra. 

SAULO 

A primeira menção feita a Saulo foi por ocasião da morte de Estevão, cujo martírio parece ter influenciado aquele perseguidor da igreja. Saulo estava em luta com uma consciência despertada. Sabia que estava errado, mas não queria ceder. Foi por isso que Jesus lhe disse em sua visão: “Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões” (26.14) Saulo causou grande mal à igreja! Quanto mais inteligente e ética a pessoa é, tanto mais dano pode causar quando dominada por Satanás. 
A conversão de Saulo é de fato uma história emocionante. Procure conhecê-la bem. Antes “respirava ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor” (9.1). Agora o vemos anunciando Jesus nas sinagogas, “afirmando que este é o Filho de Deus” (9.20).paso de suas três viagens missionárias, Paulo tornou conhecida a vontade de Cristo com inconfundível clareza. Não há dúvida de que Paulo ocupa o lugar mais importante que qualquer outro homem no NT. Ele se converteu, e foi feito pelo próprio Cristo. Foi a ele que o Senhor fez revelações diretas da verdade e entregou a doutrina da igreja. A quem Paulo foi especialmente enviado? Era o apóstolo aos gentios, como Pedro, aos judeus. 

PEDRO

O que Pedro tinha feito desde o Pentecoste? O que conta não é só o que se crê, mas o que se faz com o aquilo em que se crê. Cristo dissera a Pedro que ele seria testemunha. Ele desempenhou um importante papel no início da primeira igreja, realizou milagres e batizou milhares. Seu trabalho fora entre os judeus.
Encontramos Pedro agora na casa de Simão, o curtidor (10.5,6). Deus iria mostrar-lhe que o evangelho era tanto para torno para os gentios como para os judeus (10.9-16): o muro alto da diferença religiosa entre judeu e gentio precisava ser derrubado. Pedro foi o homem a quem Deus usou para iniciar essa tarefa. Cristo estava construindo uma igreja e queria que tanto judeus quanto gentios fossem as pedras vivas com as quais fosse edificada (Ef 2.20-22). 
No Pentecoste, Pedro usara as “chaves do reino” confiadas a ele para abrir a porta do evangelho aos judeus. Enquanto Paulo estava em Tarso, Pedro, na casa de Cornélio, fez uso da chave e abriu a porta que impedia os gentios de entrar (10.1-48). Leia essa narrativa.

TESTEMUNHO ATÉ OS CONFINS DA TERRA 
(Cap. 13 / 28) 

A morte de Estevão foi só o começo da grande perseguição aos cristãos. Como conseguiram chegar a Antioquia (11.1 9-21)? Alguém disse que o cristianismo dos dias primitivos foi “uma história de duas cidades” — Jerusalém e Antioquia. 
Até o capítulo 12 de Atos, vimos o início da igreja em Jerusalém, tendo Pedro como líder. Em Atos 13-28, iremos ver Paulo e a igreja em Antioquia, que passou a ser a nova base de 
operações. Todas as maravilhosas viagens missionárias de Paulo tiveram início ali, e não em Jerusalém. Antioquia tornou-se o novo centro da igreja para cumprir a ordem de Jesus. 
Os judeus cristãos, forçados a deixar Jerusalém por causa perseguição, naturalmente tiveram de misturar-se com os gentios. Esses cristãos primitivos não podiam deixar de falar daquilo que mais lhes interessava. O poder de Deus era tão visível que uma grande multidão se uniu à igreja (11.21). 
Foi nessa igreja que os seguidores de Cristo receberam um novo nome. “Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (11.26). É interessante notar que a igreja perdera contato com Paulo. Não se importava com o que havia acontecido a ele, mas Barnabé foi procurá-lo (11.25). Ele se comunicara com Paulo todos esses anos. Se não fosse Barnabé, Paulo poderia ter permanecido na obscuridade a vida toda. Irnaginem o que o mundo teria perdido se ele não tivesse sido descoberto! Há muita gente esperando ser descoberta para Deus.

INÍCIO DAS MISSÕES ESTRANGEIRAS 

Paulo e Barnabé, os primeiros missionários, partiram de Antioquia para o Ocidente (13.2,3). O maior empreendimento do mundo são as missões estrangeiras, e aqui temos o início dessa grande obra. A idéia originou-se exatamente como deveria: numa reunião de oração. 
Enquanto Paulo e Barnabé pregavam o evangelho sob perseguições e provocções, havia muitos em Jerusalém levantando o problema que mais perturbou a igreja: o gentio precisava tornar-se judeu e aceitar as leis e cerimônias do judaísmo, antes de tornar-se cristão (15.1)? Paulo e Barnabé não haviam dito nada sobre a lei de Moisés. Sua afirmação era: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (16.31). A lei não salva ninguém. 
A essa altura, Lucas se uniu aos missionários (16.10). A primeira pessoa convertida na Europa não foi um sábio ou uma autoridade influente, mas Lídia, uma vendedora de púrpura. 
Em Filipos, encontramos Paulo e Suas na prisão. Por que vemos homens como esses lançados numa cela escura? Leia Atos 16.16-24. O segundo cristão da Europa foi bem diferente da primeira cristã. Lídia converteu-se numa reunião de oração, mas foi preciso um terremoto para sacudir o carcereiro. A pergunta dele é provavelmente uma das mais importantes do mundo (16.30). 
A experiências de Paulo nas maiores cidades de seu tempo são repletas de fatos interessantes. Ele implantou uma igreja em Tessalônica (17.4). Na famosa Atenas, pregou seu imortal sermão no Areópago. Essa é uma das grandes cenas da História. Que efeito causou aos ouvintes (17.32)? 
Paulo deixou Atenas e chegou a Corinto muito desanimado. Não sabemos se conseguiu organizar uma igreja em Atenas, mas em Corinto, uma das cidades mais corrompidas do mundo antigo, organizou uma igreja e lá permaneceu dezoito meses para confirmar os discípulos na fé (18.8). Foi lá que ele encontrou Áquila e sua esposa, Priscila, os quais se tornaram grandes e leais amigos do apóstolo. Depois de uma ausência de três ou quatro anos, Paulo voltou a Antioquia, passando por Éfeso. Em Antioquia, apresentou o relatório da sua entrada na Europa. 

A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA

Paulo passou três anos numa das maiores cidades da época. vez, com exceção de Roma, a maior cidade do mundo e a mais cosmopolita, famosa por seu luxo, por sua licenciosidade,  e pelo culto à deusa Diana. Multidões de judeus e da Ásia ouviram a pregação do evangelho. Os anos que o apóstolo passou ali foram marcados por muitos acontecimentos interessantes. É difícil escolher o mais importante deles. Convertidos entusiastas queimaram seus livros de artes mágicas e jogaram fora os ídolos de prata. Houve uma grande fogueira em Éfeso. Parece que podemos ver as chamas ardendo ainda hoje. Representavam a queima de seu modo antigo de viver. Paulo ensina que todo ídolo deve ser derrubado em nosso coração e que só o Senhor é digno de ocupar o trono. Há alguma coisa em nossa vida que precisa ser queimada? 
Bênçãos como essas não podiam ficar por muito tempo sem oposição. Ao lermos o capítulo 19 até o fim, vemos os resultados do trabalho de Paulo. Os artífices de prata fizeram um alvoroço, e os apóstolos foram salvos graças à intervenção das autoridades locais. 
Era em suas viagens que Paulo escrevia suas maravilhosas cartas, e hoje as lemos com grande proveito e interesse. De Éfeso, enviou sua primeira carta aos coríntios (1Co 16.8). Na terceira  viagem, escreveu 2Coríntios, Gálatas e Romanos. 

A DESPEDIDA DE PAULO 

A última viagem missionária de Paulo deve ter sido uma experiência comovedora. Em toda parte, era preciso despedir-se. Ele sabia que sua carreira estava chegando ao fim. Leia Atos 20.37,38. Choraram e o abraçaram afetuosamente, expressando sua tristeza, certos de que não mais o veriam. Imagine essa experiência triste repetida uma dúzia de vezes. Talvez nenhum outro homem, com exceção de Davi, tenha inspirado amor tão intenso em tantos corações.
Partindo do porto de Éfeso, Paulo despediu-se dos amigos pela última vez. Seu destino é Jerusalém, e de agora em diante ele é visto como “prisioneiro do Senhor”. Visitou Jerusalém pela última vez. Ali, uma dessas turbas que se formam com rapidez no Oriente acometeu contra o apóstolo e o agarrou, acusando-o de ensinar os judeus a desprezarem Moisés. Sem dúvida, recordou-se de que, vinte e seis anos antes, ele mesmo, perto daquela cidade, tomara parte no assassinato de Estevão. Descobrindo que Paulo era cidadão romano, o comandante prometeu-lhe julgamento condigno. Paulo fez sua defesa em Cesaréia, perante Félix, o governador romano. Após dois anos de prisão, foi julgado pela segunda vez perante o novo governador, Festo, diante do qual apelou para César o imperador romano  (21.27-26.32).
Depois de urna viagem emocionante, na qual o navio naufragou urrível tempestade na altura da costa de Malta, Paulo chegou a Roma. Ali ficou preso dois anos na residência que alugara. Mesmo na prisão, o grande pregador e evangelista levou a Cristo os serviçais do palácio de Nero. Servir ao Mestre pode tornar luminosas as horas mais negras da vida. Quando procuramos aliviar os fardos dos outros, o nosso se torna mais leve (27.1-28.24). 
Durante a prisão, Paulo escreveu muitas de suas epístolas: Filemom, Colossenses, Efésios e Filipenses. Numa cadeia em Roma, aguardando a sua execução a qualquer momento, ele escreveu a segunda epístola a Timóteo.
Finalmente, de acordo com a tradição, o amado apóstolo foi condenado e decapitado. Sua alma heróica foi libertada, e o corpo frágil, sepultado nas catacumbas. 
Paulo salvou o cristianismo dos limites estreitos de uma seita judaica e o tornou um movimento de alcance mundial. Procurou derrubar as barreiras entre judeus e gentios e entre livres. 
Atos é o único livro inacabado da Bíblia. Observe a maneira brusca como termina. De que outro modo poderia terminar? 
Como poderia haver uma narrativa completa da vida uma pessoa que ainda vive? Nosso Senhor, que ressuscitou a ascendeu ao céu, ainda vive. Do centro — Cristo —, as linhas se estendem em todas as direções, mas “os confins da terra” ainda não foram atingidos. Esse livro é só um fragmento. O evangelho de Cristo avança; ainda estamos vivendo Atos. 

PLANO DE ESTUDO SEMANAL 
  • Domingo: A PRIMEIRA IGREJA EM JERUSALÉM Atos 1.1 – 4.37
  • Segunda: TESTEMUNHO EM JERUSALÉM Atos 5.1—8.3 
  • Terça: TESTEMUNHO NA JUDÉIA E SAMARIA Atos 8.4—12.25
  • Quarta: PAULO ORGANIZA IGREJAS (PRIMEIRA VIAGEM) 13.1—15.35 
  • Quinta: PAULO TORNA A VISITAR AS IGREJAS (SEGUNDA VIAGEM) Atos 15.36—18.21 
  • Sexta: PAULO ANIMA AS IGREJAS (TERCEIRA VIAGEM) Atos 18—25.9 
  • Sábado: PAULO ENVIADO A ROMA Atos 25.10—28.31

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