domingo, 2 de outubro de 2011

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Visão Holística de Atos


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ATOS 
Apresenta Jesus Cristo, o Senhor redivivo 

Lucas, em seu evangelho mostra o que Cristo começou a fair na terra; Atos mostra o que ele continuou a fazer por meio do Ispírito Santo. 
A ascensão de nosso Senhor é a cena final de Lucas e a cena inicial em Atos (Lc 24.49-51; At 1.10,11). 

EVANGELHOS E ATOS 

Os Evangelhos apresentam o Filho do homem, que veio morrer por nossos pecados; Atos mostra a vinda do Filho de Deus no poder do Espírito Santo. Os Evangelhos apresentam o que Cristo começou a fazer; Atos mostra o que ele continuou tazendo no poder do Espírito Santo por meio dos seus discípulos. Os Evangelhos mencionam o Salvador crucificado e ressuscitado; em Atos, ele é apresentado com o Senhor exaltado. Nos hvangelhos, ouvimos os ensinos de Cristo; em Atos, vemos o Feito de seus ensinos na vida dos apóstolos. 
Atos não é o registro dos atos dos apóstolos, pois nenhuma narrativa extensa é apresentada a respeito deles, com exceção de Pedro e Paulo. Lucas registra os atos do Espírito Santo por meio dos apóstolos. Seu nome é mencionado cerca de 70 vezes. Procure em cada capítulo desse livro alguma operação do rito Santo. 
A palavra “testemunha” é usada mais de 30 vezes. “Ser-me-eis testemunhas” é o coração do livro de Atos. A salvação vem a este mundo somente por Cristo (At. 4.12), por isso é importante que os homens o conheçam e testemunhem dele. Estamos incluídos em seus planos. Você está testemunhando de Cristo? Se não está, por quê? É verdade que só ele pode salvar o mundo, mas não pode salvá-lo sozinho. Se ainda não é uma testemunha de Cristo, examine seu coração, “porque a boca fala do que e cheio o coração” (Mt. 12.34). 
Cristo dissera aos discípulos que enviaria o Espírito. “Esse dará testemunho de mim; e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio” (Jo 15.26,27). A promessa cumpriu-se no dia de Pentecoste, quando ele derramou o Espírito Santo sobre os discípulos (At. 2.16,17,33). A partir daquele momento, ao darem testemunho do Salvador, o Espírito Santo testificaria, ao mesmo tempo, no coração de seus ouvintes, e multidões seriam levadas ao Salvador.
É maravilhoso saber que, quando o Espírito Santo nos manda falar de Cristo a alguém, ele já está preparando aquele coração para receber seu testemunho. Um exemplo perfeito disso encontramos em Atos 8, em que Filipe fora enviado para falar ao etíope. Leia essa palpitante história. 
Qual foi o resultado do primeiro sermão no dia de Pentecoste (At 2)? 
Em cada círculo de influência, que se vai ampliando, encontramos um acentuado derramamento do Espírito Santo. Não é admirável que em uma geração os apóstolos se tivessem movimentado em todas as direções, pregando o evangelho a todas as nações do mundo conhecido daquela época (Cl 1.23)? 
A igreja nasceu demorou a compreender a extensão de sua tarefa. Os Cristãos limitaram sua pregação a Jerusalém, até que a perseguição os obrigou a sair. O sangue de Estevão, o primeiro mártir cristão, tornou-se a semente da igreja que crescia. 
O livro começa a pregação do evangelho em Jerusalém, a metrópole da nação judaica, e termina com o evangelho em Roma, a verdadeira metrópole do poder mundial. 
Embora demos ao livro o nome de Atos dos Apóstolos, ele narra, de fato, os atos do Espírito Santo operando por meio de Pedro, Paulo e seus companheiros. 
Em Atos 1-12, vemos Pedro testemunhando aos judeus. Sua palavra é: Arrependei-vos” (2.36-38). 
O livro apresenta duas divisões naturais. 
Em Atos 13-28, vemos Paulo testemunhando aos gentios. Sua palavra é: Crê” (16.30,31). 
Em Atos 1-12, Pedro diz aos judeus que se arrependam, porque precisavam mudar seu modo de pensar em relação ao Messias. Em Atos 13-28, Paulo diz “creiam”, porque os gentios não precisavam mudar de idéia quanto ao Messias, e sim somente crer nele. 
Esse livro fala da expansão do evangelho até os gentios. Em todo AT, Deus trata com os judeus. No NT, ele opera em todas as nações. 

MANUAL DE MISSÕES 

Sem dúvida, Atos é o melhor “manual de missões” já escrito. Nele encontramos a razão de ser da obra missionária. O objetivo único dos cristãos era levar os homens ao conhecimento da salvação em Jesus Cristo. Esse era seu tema exclusivo, e a Palavra de Deus, sua única arma. 
Vemos a igreja primitiva com um programa definido para a realização de seus planos. Alguns grandes centros foram escolhidos como base de onde pudesse irradiar a influência do trabalho dos discípulos de maneira a atingir os lugares vizinhos. 
Os discípulos foram simples, diretos e bem-sucedidos. Dependiam inteiramente do poder de Deus, mediante o Espírito. Avançaram com zelo irreprimível e coragem inabalável. 
O versículo 8 do capítulo 1 sugere a divisão do livro. Decorando-o, você terá o esboço. 
1. Poder para testemunhar — 1 e 2 
2. O testemunho em Jerusalém (missões locais) — 3—H,b 
3. O testemunho na Judéia e Samaria (missões nacionais) 8.4—12.25 
4. O testemunho até os confins da terra (missões estrangeiras) — 13—28 

PODER PARA TESTEMUNHAR
(Cap. 1 e 2) 

Os discípulos passaram quarenta dias maravilhosos com Senhor Jesus, depois de ressurreto e antes da sua ascensão. Estavam realmente ansiosos por ouvir suas últimas palavras de instrução. Ele falava das coisas do reino de Deus; nessa ocasio1 determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas esperassem a promessa do Pai (1.4). 
Os primeiros 11 versículos do capítulo 1 servem de introdução para o resto do livro. 
Grande Comissão — 1.6-8 
Ascensão— 1.2,9,11 
Volta de Cristo— 1.10,11 
Os discípulos ainda não estavam satisfeitos quanto à época em que Cristo iria estabelecer seu reino na terra. Ainda esperavam um reino que lhes desse independência política e os colocasse em posição de liderança no mundo (1.6). Qual foi a resposta de Jesus(1.7)? 
Um dia, Jesus os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou (Lc 24.50). Disse-lhes que o poder deles não seria político, mas espiritual (1.8.) 
Com a ascensão, nosso Senhor desapareceu, mas permaneceu com eles de modo ainda mais real. Depois de lhes ter suas últimas palavras (1.8), foi arrebatado, e uma nuvem o cobriu dos olhos deles. Um acontecimento tão notável com tão poucas palavras! O Pai levou seu Filho de volta à glória

CRISTO VOLTARÁ 

“Esse Jesus [...] virá do modo como o vistes subir” (At 1.1 Como será a sua volta aqui anunciada? Será simplesmente hora da morte? Será meramente ao vir habitar em nosso coração? Não. A promessa é que ele vai voltar do modo como subiu. Portanto, devemos examinar como ele foi. Desse modo, saberemos como ele voltará. Sua volta será: 
pessoal — 1Tessalonicenses 4.16; 
visível — Apocalipse 1.7; 
corpórea — Mateus 24.30; 
local — Lucas 24.50. 
Imaginemos os discípulos voltando do monte das Oliveiras para Jerusalém e se reunindo num cenáculo. Pode ter sido mesmo em que Jesus comeu a última ceia com eles (Lc 22.12 “Todos estes perseveravam unânimes em oração” (At 1.14) p dez dias. Jesus lhes disse que ficassem em Jerusalém até que recebessem poder do alto (Lc 24.49). Embora tivessem tido três anos de treinamento com o Senhor, precisavam da presença Espírito Santo que ele prometera enviar a fim de revesti-los de poder. Já haviam dado provas de serem um grupo de fracos.
Cristo ordenou-lhes que esperassem pela promessa. Seria natural que tivessem fugido do lugar em que seu Senhor havia sido crucificado e voltassem para a Galiléia. Mas a ordem era para que permanecessem na cidade por ser o centro de maior influencia. Nem sempre podemos escolher nosso lugar de serviço. 
Depois da vinda do Senhor Jesus Cristo à terra, o acontecimento de maior importância é a vinda do Espírito Santo. A igreja  nasceu no dia de Pentecoste. Procure familiarizar-se com  a narrativa de Atos 2.1-13. O Pentecoste era uma das festas mais populares, e Jerusalém estava repleta de peregrinos de toda parte. Cinquenta dias haviam passado desde a crucificação. A partir dessa data, o Pentecoste não seria mais uma festa judaica, mas o raiar de um novo dia, o dia do nascimento da igreja de Cristo. 
A cena abre-se com os discípulos reunidos no cenáculo, corações firmados em Cristo, esperando o cumprimento da sua promessa. O Espírito Santo desceu naquele dia. Lucas não diz que era um vento, mas o som era um símbolo, assim como as línguas de fogo. O vento impetuoso representava o poder celestial. As línguas eram símbolo do fogo e indicavam o poder para testemunhar. Veja os resultados desse acontecimento em Atos 2.6,12. O fogo é símbolo da presença divina que ilumina e purifica.

O ESPÍRITO SANTO NO PENTECOSTE 

O Espírito Santo pousou sobre os discípulos (2.1-3); entrou neles (2.4); operou por meio deles (2.41—47). 
Eles foram cheios do Espírito Santo e, assim, estavam capacitados para um serviço especial. Não só foram capacitados para pregar com poder, mas para falar nas diferentes línguas representadas naquele dia em Jerusalém (2.2-4). Esse falar em novas línguas era um palavreado que ninguém entendia ou os presentes podiam entender e ser beneficiados (2.6)? 
O maravilhoso Pentecoste não foi o “vento veemente e impetuoso”, nem as “línguas como de fogo”, mas o fato de os discípulo serem cheios do Espírito Santo para que pudessem 
testemunhar aos homens. Se não temos o desejo de falar de Cristo a outros, é evidente que ainda não conhecemos a plenitude do Espírito Santo.
Não pense que o Espírito Santo veio ao mundo pela primeira vez por ocasião do Pentecoste. Por todo o AT, encontramos narrativas que mostram como ele guiava e fortalecia os homens. Agora o Espírito Santo iria fazer uso de um novo instrumento, a igreja nascida naquele mesmo dia. 
“Todos, atônitos e perplexos” (2.12). O homem, por natureza, é descrente. Não é uma grande manifestação da graça de Deus quando realmente cremos nele e aceitamos sua Palavra?
Alguns zombavam, dizendo: “Estão embriagados!” (2.13-15). Os homens sempre procuram explicar os milagres de Deus pelas leis naturais, mas o racionalismo nunca pode dar uma explicação razoável para aquilo que é divino. Além disso, eram 9 hora, e nenhum judeu podia tocar em vinho até aquela hora. Veja a defesa de Pedro contra essa falsa acusação em Atos 2.1 5-21. 

O SERMÃO DE PEDRO 

O tema desse primeiro sermão foi que Jesus é o Messias como demonstra sua ressurreição. Pedro é a figura central nos 12 primeiros capítulos de Atos. O verdadeiro poder do Espírito. Santo revelou-se quando esse humilde pescador se levantou pa falar e 3 mil almas foram salvas. Como poderíamos explicar ousadia de um Pedro, que antes fora covarde, ao se levantar para pregar a uma multidão nas ruas de Jerusalém? Qual era o segredo do ministério de Pedro? É algo muito sério acusar alguém de homicídio, mas foi exatamente o que Pedro fez (2.36). Como ele irá sair dessa situação? Será apedrejado? Os últimos versículos do capítulo 2 respondem a essa pergunta (2.37-47). 
A primeira igreja de Jerusalém foi organizada com 3 mil membros no dia de Pentecoste. Que dias gloriosos se seguiram de ensino, comunhão, sinais e prodígios, e, sobretudo, salvação! “Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (2.47). Esse é o verdadeiro objetivo da igreja. Estamos vendo isso hoje? 
Tão maravilhoso como o dom de línguas era o viver diário da primeira igreja. Não é de admirar que contassem com a simpatia de todo o povo e que dia a dia crescesse o número dos alvos.
Os primeiros cristãos eram constantes: 
  • Na freqüência às reuniões — Atos 2.44; 
  • Na contribuição financeira – Atos 2.45;
  • Na missão da igreja 2.46,47. 

O TESTEMUNHO EM JERUSALÉM
(At. 3.1 / 8.3) 

O capítulo 3 inicia junto à porta do templo chamada Formosa. Pedro havia curado um coxo de nascença que era colocado diariamente naquele lugar para pedir esmolas. O milagre atraiu a atenção dos líderes judeus e resultou na primeira oposição da igreja.
Ao juntar-se uma multidão ao redor do coxo curado tão milagrosamente, Pedro aproveitou a oportunidade para pregar seu segundo sermão. Ele não poupou os judeus. Voltou a dizer-lhes 
que Cristo, a quem haviam crucificado, era o Messias havia muito prometido. As palavras de Pedro e João foram tão poderosas que um total de 5 mil pessoas aceitaram Cristo. 
Os líderes revoltaram-se porque os apóstolos ensinavam ao povo que esse Jesus a quem eles haviam crucificado ressuscitara dos mortos e iria voltar (4.2). Ordenaram-lhes que não mais pregassem; a oposição, porém, só fez a igreja prosperar. A oposição não deve causar admiração, nem mesmo surpresa, a nenhum cristão. A obra do Espírito é sempre um prenúncio da obra de Satanás. Toda vez que o Espírito vem para abençoar, o adversário vem para amaldiçoar. O martírio ajuda a igreja, e, sempre que a verdade é pregada com fidelidade, os frutos aparecem (v. At 4.3,4).
Logo que Pedro e João foram soltos, procuraram seus amigos, contaram as experiências e se uniram em oração e louvor. A igreja deve esperar oposição, mas em todas as circunstâncias podemos encontrar coragem e ajuda em Deus. “Tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (4.31). 
Essa espécie de pregação trouxe unidade à igreja. “Da rnultidão dos que creram era um o coração e a alma” (4.32). “Os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” (4.33). Levemos essa mensagem; os perdidos precisam ouvi-la. 
Ninguém era obrigado a desfazer-se dos seus bens; não se esperava isso deles. Quando alguém trazia o que tinha, era um ato espontâneo. A comunhão de bens era voluntária, limitada a Jerusalém, temporária e exclusiva aos irmãos. 
A igreja tornou-se tão desprendida que muitos vendiam todos os seus bens e depositavam os valores correspondentes aos pés dos apóstolos para serem distribuídos “à medida que alguém tivesse necessidade” (2.45). Contudo, mesmo esse ato de amor e generosidade estava sujeito a abuso e engano. A liberalidade de Barnabé exemplificava o espírito de amor; Ananias e Safira mostravam o espírito de engano, pelo qual iludiram a si mesmos e aos apóstolos. Mas o Espírito Santo revelou a verdade da situação. Eles queriam glória sem pagar o preço; queriam honra sem honestidade, e foram punidos de morte instantânea por declararem que estavam dando tudo a Deus enquanto guardavam uma parte para si (5.4,5). 
Como cristãos, professamos dar tudo a Cristo. A condição que ele estabelece para o discipulado é uma submissão completa. “Todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (v. Lc 14.33). Estamos deixando de entregar alguma coisa a Cristo? Somos hipócritas em nosso testemunho? 
O poder do testemunho dos apóstolos residia no fato de sua vida ser uma confirmação da própria vida do Cristo ressuscitado. A atitude do mundo hoje é a de quem quer ver para crer. Aqueles cristãos primitivos mostravam ao mundo quem eram, Nossa vida e conduta testemunham que somos cristãos? 
Quando sinais e prodígios eram realizados entre o povo, as multidões vinham para ver. Quando o Espírito Santo estava presente, o povo via o poder de Deus. O mesmo acontece hoje. Quando as igrejas apresentam Cristo em sua formosura e o Espírito santo em seu poder, o povo vem. Cristo atrai todos os homens.
Os milagres em geral produzem conversões. Quando o milagre das línguas aconteceu, a multidão afluiu (2.6). Quando Pedro e João curaram o homem junto à porta Formosa, o povo correu atônito para junto deles no pórtico chamado de Salomão (3.11). Quando o milagre do julgamento veio sobre Ananias e Safira, “crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor” (5.14). Assim, vemos exemplos em todo o livro. 
Milhares de artigos têm sido escritos sobre como levar os cristãos a trabalhar na igreja. Haverá atividade em abundância na igreja, quando dermos lugar ao Espírito Santo. A igreja cheia 
do Espírito é aquela que trabalha. 
“Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que ele [...] prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública (5.17,18). Vemos novamente que o trabalho maravilhoso dos apóstolos provocou a oposição do Sinédrio (um tribunal de 70 juízes). Um grupo de pescadores ignorantes  levantara-se para ensinar, e as multidões os ouviam e seguiam. Esse era o motivo que os perturbava. Embora açoitados e proibidos de pregar, os apóstolos sentiam-se felizes por terem sido achados dignos de sofrer pelo nome de Jesus. “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo” (5.42). Suas palavras mais ousadas acham-se nesta declaração: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (5.29). É essa a nossa convicção? Tenhamos o espírito desses apóstolos! Não desanimemos quando os adversários se multiplicam.
Foi convocada uma reunião da igreja, e sete homens foram eleitos diáconos. Havia agora dois ofícios na igreja: “servir às mesas”, isto é, cuidar da distribuição de bens e das necessidades dos irmãos; o outro era o da pregação e da oração. 
Os primeiros diáconos mencionados foram Estevão e Filipe (6.5). Eram homens de grande influência na igreja, talvez mais do que qualquer outro, com exceção de Pedro e Paulo. 
A oposição concentrou-se em Estevão. Leia as experiências registradas nos capítulos 6 e 7. Estevão, um dos primeiros diáconos, era apenas um leigo. É descrito como homem cheio de graça e de poder (6.8). Temos o registro de um só dia da sua vida — o último. Mas que dia! Não é a extensão da nossa vida que conta, mas como vivemos. Alguém disse: “Um cristão está sempre de prontidão”. Isso quer dizer que cada minuto é importante e deve ser vivido sob a direção de Deus. 
Estevão era um homem simples. Como milhares de outros desde então, “ele operou maravilhas” porque era “cheio de fé e de poder”. 
A vida e a morte de Estevão tiveram efeito incalculável na história do mundo pela influência que exerceram em Saulo de Tarso. Quem poderá calcular a influência que nossa vida poderá exercer sobre as pessoas que nos cercam? 
Os líderes da sinagoga “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava” (6.10). A ira deles transformou-se em ódio homicida. Estevão tornou-se o primeiro mártir da igreja cristã. Podemos atribuir à morte de Estevão, sem dúvida, as primeiras impressões que os seguidores de Cristo causaram em Saulo. 

TESTEMUNHO NA JUDÉIA E SAMARIA
(Cap. 8.4 / 12.25) 

Os discípulos eram testemunhas em Jerusalém, mas Jesus dissera que deveriam ir à Judéia e Samaria. 
Os guias religiosos julgavam estar fazendo a vontade de Deus, cristianismo, matando os cristãos. Paulo disse: “Na verdade, mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno” (26.9). 
Sem o saber, Paulo realmente deu início naquela ocasião à sua obra de espalhar o evangelho. Leia Atos 8.3. Ele pensava estar destruindo o cristianismo, quando, na verdade, o estava divulgando. A perseguição sempre disseminou o cristianismo, como o vento espalha o fogo. Isso vem acontecendo através dos séculos, desde que Jesus viveu entre os homens. Note a qualidade daquela igreja: “Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (8.4). Essa foi a razão de o evangelho espalhar-se no princípio. Qual foi a comissão dada aos discípulos? “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho...” Quanto Jesus treinou para sua obra? Somente 12, e um deles o abandonou.
Bem, lá estavam eles acomodados m Jerusalém enquanto o mundo precisa
do evangelho. A perseguição por parte de Saulo, como a confusão de línguas na torre de Babel, espalhou os cristãos pelo mundo. Não foi a covardia que os levou a fugir, pois os encontramos em toda parte pregando o evangelho (8.4). 

FILIPE, O EVANGELISTA 

Filipe, um dos sete escolhidos para o diaconato (6.5), era evangelista. Como resultado da perseguição, ele se estabeleceu em Samaria. Jesus tinha dito: “Sereis minhas testemunhas [...] em Samaria...” (At 1.8). Filipe pregava Cristo, e as multidões o seguiam sua campanha de evangelização, mas Deus ordenou-lhe que deixasse o trabalho que fazia com tanto êxito: 
“Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto” (8.26). Filipe obedeceu e saiu; no caminho, encontrou um etíope. Seria por acaso? Quando estamos no centro da vontade de Deus, as coisas não acontecem por mero acaso. Nenhum amigo cruza nosso caminho por acaso. Nenhuma alegria ou tristeza sobrevém senão pela permissão de Deus. 
Essa história levanta a pergunta sobre qual método dá mais resultados: pregar a um grande número de pessoas ou falar de Jesus individualmente? Muitos julgam que o método individual é lento, mas vejamos alguns dados. 
O Brasil tem hoje uma população de quase 190 milhões de habitantes. Suponhamos que você seja o único cristão neste país. Hoje, você ganha uma pessoa para Cristo; amanhã, os dois ganham mais uma pessoa; no dia seguinte, o mesmo acontece com os quatro; no outro dia, os oito ganham mais oito, e assim por diante. Aqui está um fato impressionante. Se cada um desses cristãos mais os que foram ganhos por eles levassem uma pessoa a Cristo por dia, quanto tempo levariam para alcançar todos esses milhões de brasileiros? Menos de um mês, a contar do primeiro convertido! 
O etíope, convertido pelo testemunho de Filipe, sem dúvida levou o evangelho à África. Nada indica que a África tivesse antes qualquer conhecimento do Filho de Deus. As boas-novas estavam a caminho dos confins da terra. 

SAULO 

A primeira menção feita a Saulo foi por ocasião da morte de Estevão, cujo martírio parece ter influenciado aquele perseguidor da igreja. Saulo estava em luta com uma consciência despertada. Sabia que estava errado, mas não queria ceder. Foi por isso que Jesus lhe disse em sua visão: “Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões” (26.14) Saulo causou grande mal à igreja! Quanto mais inteligente e ética a pessoa é, tanto mais dano pode causar quando dominada por Satanás. 
A conversão de Saulo é de fato uma história emocionante. Procure conhecê-la bem. Antes “respirava ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor” (9.1). Agora o vemos anunciando Jesus nas sinagogas, “afirmando que este é o Filho de Deus” (9.20).paso de suas três viagens missionárias, Paulo tornou conhecida a vontade de Cristo com inconfundível clareza. Não há dúvida de que Paulo ocupa o lugar mais importante que qualquer outro homem no NT. Ele se converteu, e foi feito pelo próprio Cristo. Foi a ele que o Senhor fez revelações diretas da verdade e entregou a doutrina da igreja. A quem Paulo foi especialmente enviado? Era o apóstolo aos gentios, como Pedro, aos judeus. 

PEDRO

O que Pedro tinha feito desde o Pentecoste? O que conta não é só o que se crê, mas o que se faz com o aquilo em que se crê. Cristo dissera a Pedro que ele seria testemunha. Ele desempenhou um importante papel no início da primeira igreja, realizou milagres e batizou milhares. Seu trabalho fora entre os judeus.
Encontramos Pedro agora na casa de Simão, o curtidor (10.5,6). Deus iria mostrar-lhe que o evangelho era tanto para torno para os gentios como para os judeus (10.9-16): o muro alto da diferença religiosa entre judeu e gentio precisava ser derrubado. Pedro foi o homem a quem Deus usou para iniciar essa tarefa. Cristo estava construindo uma igreja e queria que tanto judeus quanto gentios fossem as pedras vivas com as quais fosse edificada (Ef 2.20-22). 
No Pentecoste, Pedro usara as “chaves do reino” confiadas a ele para abrir a porta do evangelho aos judeus. Enquanto Paulo estava em Tarso, Pedro, na casa de Cornélio, fez uso da chave e abriu a porta que impedia os gentios de entrar (10.1-48). Leia essa narrativa.

TESTEMUNHO ATÉ OS CONFINS DA TERRA 
(Cap. 13 / 28) 

A morte de Estevão foi só o começo da grande perseguição aos cristãos. Como conseguiram chegar a Antioquia (11.1 9-21)? Alguém disse que o cristianismo dos dias primitivos foi “uma história de duas cidades” — Jerusalém e Antioquia. 
Até o capítulo 12 de Atos, vimos o início da igreja em Jerusalém, tendo Pedro como líder. Em Atos 13-28, iremos ver Paulo e a igreja em Antioquia, que passou a ser a nova base de 
operações. Todas as maravilhosas viagens missionárias de Paulo tiveram início ali, e não em Jerusalém. Antioquia tornou-se o novo centro da igreja para cumprir a ordem de Jesus. 
Os judeus cristãos, forçados a deixar Jerusalém por causa perseguição, naturalmente tiveram de misturar-se com os gentios. Esses cristãos primitivos não podiam deixar de falar daquilo que mais lhes interessava. O poder de Deus era tão visível que uma grande multidão se uniu à igreja (11.21). 
Foi nessa igreja que os seguidores de Cristo receberam um novo nome. “Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (11.26). É interessante notar que a igreja perdera contato com Paulo. Não se importava com o que havia acontecido a ele, mas Barnabé foi procurá-lo (11.25). Ele se comunicara com Paulo todos esses anos. Se não fosse Barnabé, Paulo poderia ter permanecido na obscuridade a vida toda. Irnaginem o que o mundo teria perdido se ele não tivesse sido descoberto! Há muita gente esperando ser descoberta para Deus.

INÍCIO DAS MISSÕES ESTRANGEIRAS 

Paulo e Barnabé, os primeiros missionários, partiram de Antioquia para o Ocidente (13.2,3). O maior empreendimento do mundo são as missões estrangeiras, e aqui temos o início dessa grande obra. A idéia originou-se exatamente como deveria: numa reunião de oração. 
Enquanto Paulo e Barnabé pregavam o evangelho sob perseguições e provocções, havia muitos em Jerusalém levantando o problema que mais perturbou a igreja: o gentio precisava tornar-se judeu e aceitar as leis e cerimônias do judaísmo, antes de tornar-se cristão (15.1)? Paulo e Barnabé não haviam dito nada sobre a lei de Moisés. Sua afirmação era: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (16.31). A lei não salva ninguém. 
A essa altura, Lucas se uniu aos missionários (16.10). A primeira pessoa convertida na Europa não foi um sábio ou uma autoridade influente, mas Lídia, uma vendedora de púrpura. 
Em Filipos, encontramos Paulo e Suas na prisão. Por que vemos homens como esses lançados numa cela escura? Leia Atos 16.16-24. O segundo cristão da Europa foi bem diferente da primeira cristã. Lídia converteu-se numa reunião de oração, mas foi preciso um terremoto para sacudir o carcereiro. A pergunta dele é provavelmente uma das mais importantes do mundo (16.30). 
A experiências de Paulo nas maiores cidades de seu tempo são repletas de fatos interessantes. Ele implantou uma igreja em Tessalônica (17.4). Na famosa Atenas, pregou seu imortal sermão no Areópago. Essa é uma das grandes cenas da História. Que efeito causou aos ouvintes (17.32)? 
Paulo deixou Atenas e chegou a Corinto muito desanimado. Não sabemos se conseguiu organizar uma igreja em Atenas, mas em Corinto, uma das cidades mais corrompidas do mundo antigo, organizou uma igreja e lá permaneceu dezoito meses para confirmar os discípulos na fé (18.8). Foi lá que ele encontrou Áquila e sua esposa, Priscila, os quais se tornaram grandes e leais amigos do apóstolo. Depois de uma ausência de três ou quatro anos, Paulo voltou a Antioquia, passando por Éfeso. Em Antioquia, apresentou o relatório da sua entrada na Europa. 

A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA

Paulo passou três anos numa das maiores cidades da época. vez, com exceção de Roma, a maior cidade do mundo e a mais cosmopolita, famosa por seu luxo, por sua licenciosidade,  e pelo culto à deusa Diana. Multidões de judeus e da Ásia ouviram a pregação do evangelho. Os anos que o apóstolo passou ali foram marcados por muitos acontecimentos interessantes. É difícil escolher o mais importante deles. Convertidos entusiastas queimaram seus livros de artes mágicas e jogaram fora os ídolos de prata. Houve uma grande fogueira em Éfeso. Parece que podemos ver as chamas ardendo ainda hoje. Representavam a queima de seu modo antigo de viver. Paulo ensina que todo ídolo deve ser derrubado em nosso coração e que só o Senhor é digno de ocupar o trono. Há alguma coisa em nossa vida que precisa ser queimada? 
Bênçãos como essas não podiam ficar por muito tempo sem oposição. Ao lermos o capítulo 19 até o fim, vemos os resultados do trabalho de Paulo. Os artífices de prata fizeram um alvoroço, e os apóstolos foram salvos graças à intervenção das autoridades locais. 
Era em suas viagens que Paulo escrevia suas maravilhosas cartas, e hoje as lemos com grande proveito e interesse. De Éfeso, enviou sua primeira carta aos coríntios (1Co 16.8). Na terceira  viagem, escreveu 2Coríntios, Gálatas e Romanos. 

A DESPEDIDA DE PAULO 

A última viagem missionária de Paulo deve ter sido uma experiência comovedora. Em toda parte, era preciso despedir-se. Ele sabia que sua carreira estava chegando ao fim. Leia Atos 20.37,38. Choraram e o abraçaram afetuosamente, expressando sua tristeza, certos de que não mais o veriam. Imagine essa experiência triste repetida uma dúzia de vezes. Talvez nenhum outro homem, com exceção de Davi, tenha inspirado amor tão intenso em tantos corações.
Partindo do porto de Éfeso, Paulo despediu-se dos amigos pela última vez. Seu destino é Jerusalém, e de agora em diante ele é visto como “prisioneiro do Senhor”. Visitou Jerusalém pela última vez. Ali, uma dessas turbas que se formam com rapidez no Oriente acometeu contra o apóstolo e o agarrou, acusando-o de ensinar os judeus a desprezarem Moisés. Sem dúvida, recordou-se de que, vinte e seis anos antes, ele mesmo, perto daquela cidade, tomara parte no assassinato de Estevão. Descobrindo que Paulo era cidadão romano, o comandante prometeu-lhe julgamento condigno. Paulo fez sua defesa em Cesaréia, perante Félix, o governador romano. Após dois anos de prisão, foi julgado pela segunda vez perante o novo governador, Festo, diante do qual apelou para César o imperador romano  (21.27-26.32).
Depois de urna viagem emocionante, na qual o navio naufragou urrível tempestade na altura da costa de Malta, Paulo chegou a Roma. Ali ficou preso dois anos na residência que alugara. Mesmo na prisão, o grande pregador e evangelista levou a Cristo os serviçais do palácio de Nero. Servir ao Mestre pode tornar luminosas as horas mais negras da vida. Quando procuramos aliviar os fardos dos outros, o nosso se torna mais leve (27.1-28.24). 
Durante a prisão, Paulo escreveu muitas de suas epístolas: Filemom, Colossenses, Efésios e Filipenses. Numa cadeia em Roma, aguardando a sua execução a qualquer momento, ele escreveu a segunda epístola a Timóteo.
Finalmente, de acordo com a tradição, o amado apóstolo foi condenado e decapitado. Sua alma heróica foi libertada, e o corpo frágil, sepultado nas catacumbas. 
Paulo salvou o cristianismo dos limites estreitos de uma seita judaica e o tornou um movimento de alcance mundial. Procurou derrubar as barreiras entre judeus e gentios e entre livres. 
Atos é o único livro inacabado da Bíblia. Observe a maneira brusca como termina. De que outro modo poderia terminar? 
Como poderia haver uma narrativa completa da vida uma pessoa que ainda vive? Nosso Senhor, que ressuscitou a ascendeu ao céu, ainda vive. Do centro — Cristo —, as linhas se estendem em todas as direções, mas “os confins da terra” ainda não foram atingidos. Esse livro é só um fragmento. O evangelho de Cristo avança; ainda estamos vivendo Atos. 

PLANO DE ESTUDO SEMANAL 
  • Domingo: A PRIMEIRA IGREJA EM JERUSALÉM Atos 1.1 – 4.37
  • Segunda: TESTEMUNHO EM JERUSALÉM Atos 5.1—8.3 
  • Terça: TESTEMUNHO NA JUDÉIA E SAMARIA Atos 8.4—12.25
  • Quarta: PAULO ORGANIZA IGREJAS (PRIMEIRA VIAGEM) 13.1—15.35 
  • Quinta: PAULO TORNA A VISITAR AS IGREJAS (SEGUNDA VIAGEM) Atos 15.36—18.21 
  • Sexta: PAULO ANIMA AS IGREJAS (TERCEIRA VIAGEM) Atos 18—25.9 
  • Sábado: PAULO ENVIADO A ROMA Atos 25.10—28.31

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