domingo, 18 de setembro de 2011

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Visão Holística de Lucas

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LUCAS 
Apresenta Jesus Cristo, o Filho do homem 

O autor do terceiro evangelho foi o médico Lucas, companheiro de Paulo (At. 16.10-24; 2Tm 4.11; Cl 4.14). Natural da Síria, aparentemente não era judeu, pois Colossenses 4.14 o situa entre outros cristãos gentios. Se isso é verdade, ele foi o único escritor gentio do NT. 
Ë fácil ver que Lucas era homem culto e observador perspicaz. Ficamos sabendo que o livro de Atos dos Apóstolos foi escrito pelo autor do terceiro evangelho (At. 1.1). 
O evangelho de Lucas foi escrito para os gregos. Além do judeu e do romano, o grego também estava se preparando para a vinda de Cristo. Era diferente dos outros dois em muitos aspectos: Possuía cultura mais ampla, amava o belo, a retórica e a filosofia. Lucas, grego culto, era o homem talhado para essa tarefa. Apresenta Jesus como o ideal da perfeita varonilidade. 
Observe que a inspiração não destrói a individualidade. Na introdução (1.1-4), o elemento humano aparece em conexão com a revelação de Deus. Lucas dirigiu seu evangelho a um homem chamado Teófilo, ao que parece um cristão leigo influente na Grécia. 
Mateus apresenta Cristo aos judeus como Rei. 
Marcos apresenta-o aos romanos como Servo de Jeová. 
Lucas apresenta-o aos gregos como Homem perfeito. 
É o evangelho para o pecador. Revela o amor compassivo de Cristo tornando-se homem para salvar o homem. Em Lucas, vemos Deus manifesto na carne. Ele focaliza a humanidade de nosso Senhor; evela o Salvador como homem, com toda a sua compaixã6, seus sentimentos e poder - um Salvador adequado a todos. Nesse evangelho, vemos o Deus da glória descer até nós, assumir nossas condições e sujeitar-se às nossas circunstâncias. 
Lucas é o evangelho da varonilidade de Cristo. Devemos lembrar, entretanto, que embora Jesus se misturasse com os homens, apresenta um profundo contraste com eles. Era o Deus-homem solitário. Havia uma grande diferença entre Cristo como Filho de Deus e nós, filhos dos homens. A diferença não é só relativa, mas absoluta. As palavras do anjo a Maria: “O ente santo que há de nascer” (1.35) refere-se à humanidade de nosso Senhor em contraste com a nossa. A natureza humana é impura (Is 64.6), mas o Filho de Deus, quando encarnou, era “santo”. Adão, no estado anterior à Queda, era inocente, mas Cristo era “santo”. 
Conforme o tema de seu evangelho, o dr. Lucas dá-nos informações minuciosas quanto ao nascimento miraculoso de Jesus. Somos gratos porque o testemunho principal desse fato chegou a nós por um médico. Cristo, o Criador do Universo, entrou no mundo como qualquer outro homem. Esse é o mistério dos mistérios, mas temos fatos suficientes que nos permitem verificar a veracidade dessas predições. Só Lucas conta a história da visita dos pastores (2.8-20). 
Desse evangelho aprendemos que, como menino, Jesus se desenvolveu naturalmente (2.40-52). Como criança, era sujeito a José e Maria (2.5 1). Não há nenhum registro de crescimento malsão ou sobrenatural. É Lucas somente quem conta a visita de Jesus ao templo aos 12 anos. 
Como homem, trabalhou com as mãos, chorou sobre a cidade, ajoelhou-se em oração e conheceu a agonia do sofrimento. Tudo isso é profundamente humano. Cinco dos seis milagres foram de cura. Só Lucas fala da cura da orelha de Malco (Lc 22.51). 
Lucas é o evangelho dos desprezados. Ele nos fala do bom samaritano (10.33), do publicano (18.13), do filho pródigo (15.11-24), de Zaqueu (19.2) e do ladrão na cruz (23.43). É o autor que mais tem o que dizer sobre a mulher (caps. 1 e 2). Menciona a compaixão de Jesus pela viúva de Naim e sua profunda misericórdia pela adúltera. Sua consideração por mulheres e crianças é demonstrada em 7.46; 8.3; 8.42; 9.38; 10.38-42; 11.27; 23.37. 
Só Lucas registra que, quando Jesus contemplou a cidade de Jerusalém, chorou sobre ela; só ele menciona o Filho de Deus suando sangue no Gersêmani; sua misericórdia dirigida ao ladrão moribundo na cruz; a caminhada com os dois discípulos a caminho de Emaús. Ele também refere-se ao fato de Jesus levar os discípulos até Betânia e que, quando ergueu as mãos e os abençoou, retirou-se deles. 
Lucas é um livro cheio de poesia. Abre com um hino: “Glória a Deus!”. Encerra com um hino: “E estavam sempre no templo, louvando a Deus”. A partir daí, o mundo tem cantado. Graças a Deus por um evangelho assim, que preserva gemas preciosas da hinologia cristã: 
O Magnificat — hino de regozijo de Maria (1.46-55) 
O hino de Zacarias (1.68-79) 
O hino dos anjos (2.8-14) 
Lucas fala mais das orações de nosso Senhor que qualquer outro dos evangelhos. A oração é a expressão da dependência de Deus. Por que há tanta atividade na igreja e tão poucos resultados de conversões reais para Deus? Por que se corre tanto de cá para lá e tão poucos são trazidos a Cristo? A resposta é simples. 
Não há bastante oração particular. A causa de Cristo não precisa de menos atividades, mas de mais oração. 
Não há bastante oração particular. A causa de Cristo não precisa de menos atividades, mas de mais oração. 
A coisa mais difícil para os judeus e os cristãos primitivos aprenderem foi que os gentios teriam pleno acesso ao reino e à igreja. Simeão ensinou isso. Leia Lucas 2.32. Cristo enviou os 70 discípulos não só às ovelhas perdidas da casa de Israel, mas a “cada cidade e lugar” (10.1). Todo o ministério de Jesus do lado ocidental do Jordão foi para os gentios. 

PREPARAÇÃO DO FILHO DO HOMEM
(Cap. 1.1 / 4.13) 

O início desse belo livro é significativo. Um homem vai ser biografado, e o escritor, Lucas, dedica essa biografia a seu amigo Teófilo. Refere-se ao seu conhecimento pessoal do assunto: “depois de acurada investigação de tudo desde sua origem” (1.3). Revela calor humano na sua apresentação do Homem Jesus Cristo. 
O capítulo de abertura é característico. João, como convém ao seu tema, começa assim: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Seu tom, através do livro, não é deste mundo, mas Lucas é bem diferente. Ele começa com uma simples história terrena: “Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote”. Com o desenrolar da história, aparecem expressões de afeição e simpatia humana que nenhum dos outros evangelhos apresenta. Ficamos sabendo das circunstâncias que cercaram o nascimento e a infância do santo Filho de Deus e do que fora enviado como seu precursor. O nascimento de João Batista (1.57-80), o cântico dos anjos aos pastores (2.8-20), a circuncisão (2.21), a apresentação no templo (2.22-38) e a história do menino aos 12 anos (2.41-52) são todos apresentados por Lucas. 
No capítulo 2, Lucas relata que “naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto convocando toda a população do império para recensear-se” (2.1). Vem depois um fato que nunca encontraríamos em Mateus: José e Maria subiram para se alistar com os demais que iam, cada um à sua cidade. Lucas mostra aqui não alguém com pretensões de domínio, mas um que veio para tomar seu lugar entre os homens. 
Deus cumpre o que os profetas haviam dito. Miquéias dissera que Belém seria o lugar de nascimento de Jesus (Mq. 5.2-5), porque ele pertencia à família de Davi. Maria, porém, vivia em Nazaré, que ficava a uns cento e sessenta quilômetros de Belém. Deus fez Roma baixar um decreto que obrigava Maria e José a irem a Belém, exatamente quando a criança estava para nascer. Não é maravilhoso como Deus usa o decreto de um monarca pagão para fazer cumprir suas profecias? Deus ainda move a mão dos governantes para a realização dos seus propósitos. 
Ouvimos a mensagem dos anjos aos pastores em vigília, mas não vemos os sábios do Oriente indagando sobre o recém-nascido Rei dos judeus. O anjo diz aos humildes pastores: “Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador” (não o Rei) (2.10-12). 
Por que o Pai permitiu que o seu bendito Filho, ao encarnar como homem, nascesse num lugar tão humilde? Lucas é o único que toca nesse ponto relativo à sua humanidade. 

SUA INFÂNCIA 

“Crescia o menino [...] e a graça de Deus estava sobre ele” (2.40). Aos 12 anos, Jesus subiu a Jerusalém com os pais para a festa, como todo menino judeu fazia nessa idade. Permaneceu em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Bem típico de um garoto! Eles o acharam assentado no meio dos mestres, “ouvindo-os e interrogando-os” (2.46). Quão intensamente humano é isso! Entretanto, lemos: “E todos os que ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas” (2.47). Lucas diz que ele era cheio de sabedoria. Lado a lado com o humano, há sempre a evidência de que era mais do que homem. Temos aqui as primeiras palavras de Jesus registradas: “Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” (2.49). É o primeiro autotestemunho da sua divindade. 
Lemos em seguida: “E desceu com eles para Nazaré; e era- lhes submisso” (2.5 1). “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (2.52). Todas essas coisas são peculiares a Jesus como homem, e só Lucas as registra. É importante notarmos que Jesus era “popular” em Nazaré. Seguem-se dezoito anos de silêncio. 

O BATISMO DE JESUS 

Apareceu João Batista “pregando batismo de arrependimentopara remissão de pecados”(3.3). Então veio Jesus para ser batizado. Só Lucas relata que, “ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu” (3.2 1). Ele está ligado “a todo o povo”; desceu ao nível do homem. Mateus e Marcos registram o batismo de Jesus, mas João o omite, porque ele é visto como o Filho unigênito de Deus. É Lucas quem nos dá a idade com que nosso Senhor iniciou seu ministério público (3.23). 

GENEALOGIA 

A genealogia de Jesus Cristo em Lucas é dada em conjunção com seu batismo, e não com seu nascimento (3.23). Há consideráveis diferenças entre a genealogia de Lucas e a de Mateus. Em Mateus, temos a genealogia real do Filho de Davi, por parte de José. Em Lucas, temos sua genealogia pessoal, pelo lado de Maria. Em Mateus, a genealogia é traçada desde Abraão; em Lucas, ela vai até Adão. Ambas são significativas. Mateus mostra a relação de Jesus com os judeus, por isso vai só até Abraão, pai da nação judaica. Em Lucas, Jesus aparece relacionado à raça humana, daí sua genealogia chegar até Adão, pai da humanidade. 
Em Lucas, a linha ancestral de Jesus recua até Adão e é, sem dúvida, a linha de sua mãe. Em Lucas 3.23, não se diz que Jesus era filho de José. A expressão é: “Era, como se cuidava, filho de José”. Em Mateus 1.16, em que aparece a genealogia de José1 vemos que ele era filho de Jacó. Em Lucas, José é mencionado como filho de Heli. Ele não podia ser filho de dois homens por geração natural. Observe, porém, o seguinte: o registro não declara que Heli gerou José, daí supor-se que José era filho em virtude do casamento, isto é, genro de Heli. Acredita-se que Heli tenha sido pai de Maria. 
A genealogia por parte de Davi passa por Natã, e não por Salomão. Isso também é importante. O Messias deve ser filho e herdeiro de Davi (2Sm 7.12,13; Rm. 1.3; At. 2.30,31) e sua semente segundo a carne. Ele deve ser literalmente descendente de carne e sangue. Daí Maria e José serem membros da casa de Davi (1.32). 

A TENTAÇÃO 

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo” (4.1,2). 
Só aqui somos informados de que o Salvador estava cheio do Espírito Santo ao voltar do batismo. Só Lucas menciona que “Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia” (4.14), mostrando que a velha serpente fracassara por completo ao tentar cortar a comunhão do Filho do homem na terra com seu Pai no céu. 
Assim como Jesus saiu do fogo da provação no poder inquebrantável do Espírito, também nós podemos fazê-lo. É somente quando estamos cheios do Espírito que podemos vencer a tentação pelo poder do mesmo Espírito. 
O propósito da tentação não foi descobrir se Jesus cederia ou não a Satanás, mas demonstrar que ele não poderia ceder; mostrar que não havia nada nele que desse a Satanás o direito de fazer qualquer alegação. Cristo podia ser provado. Quanto mais se esmaga uma rosa, mais se sente a sua fragrância. Desse modo, quanto mais Satanás o pressionava, mais se revelava sua perfeição. 

O MINISTÉRIO DO FILHO DO HOMEM 
(Cap. 4:14 / 19:48) 

Estes são os acontecimentos da vida de Jesus, na ordem em que estão registrados: 

Ministério ao redor da Galiléia - 4.14-9.50 
  • Ministério em Nazaré, a cidade onde morava -4.16-30 
  • Pregação em Cafarnaum - 4.31-44 
  • Chamado de Pedro, Tiago e João - 5.1-11 
  • Chamado de Mateus - 5.27-39 
  • Os fariseus - 6.1-11 
  • A escolha dos Doze - 6.12-16 
  • A instrução aos discípulos - 6.17-49 
  • Milagres - 7.1-17 
  • Discursos do Mestre - 7.18-50 
  • Parábolas - 8.4-18 
  • Os verdadeiros parentes - 8.19-21 
  • O mar acalmado - 8.22-25 
  • A cura de um endemoninhado - 8.26-40 
  • A mulher curada - 8.41-48 
  • A ressurreição da filha de Jairo - 8.49-56 
  • A missão dos Doze - 9.1-10 
  • Cinco mil alimentados - 9.10-17 
  • A confissão de Pedro - 9.18-21 
  • A transfiguração - 9.27-36 
  • A cura do jovem possesso - 9.37-43 
Ministério na Judéia - 9.51-19.27 
  • A missão dos setenta - 10.1-24 
  • O bom samaritano -10.25-37 
  • Marta e Maria- 10.38-42 
  • Jesus ensina os discípulos a orar - 11.1-13 
  • Buscando sinais -11.14-36 
  • Os fariseus denunciados - 12.1-12 
  • O pecado da avareza- 12.13-59 
  • O arrependimento - 13.1-9 
  • O reino de Deus - 13.18-30 
  • Jesus fala sobre a hospitalidade - 14.1-24 
  • Jesus fala sobre a renúncia - 14.25-3 5 
  • O Salvador e os perdidos - 15.1-32 
  • O administrador infiel - 16.1-30 
  • A caminho de Jerusalém - 16.31-19.27 
Ministério em Jerusalém - 19.28-24.53 
  • A entrada triunfal - 19.28-38 
  • A autoridade de Jesus posta em dúvida - 20.1-21.4 
  • Acontecimentos futuros - 21.5-38 
  • A última Páscoa de Jesus - 22.1-38 
  •  Jesus é traído - 22.39-53 
  • Julgado perante o sumo sacerdote - 22.54-71 
  • Julgado perante Pilatos - 23.1-26 
  • Á crucificação - 23.27-49 
  • O sepultamento - 23.50-56 
  • A ressurreição - 24.1-48 
  • A ascensão - 24.49-53 
A lista não é completa, mas dá uma vista geral da vida ativa do Filho do homem na terra. A palavra-chave de seu ministério é “compaixão”. 
Depois da tentação, Jesus, “indo para Nazaré, onde fora criaI , entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler” (4.16). 
Jesus declara aqui que Deus o havia ungido para anunciar III)ertação aos cativos e pregar boas-novas aos pobres e opriiiidos. Escolheu o capítulo 61 de Isaías, que anunciava o objeÉ ivo da sua missão na terra. Fora comissionado e enviado por 1 )eus e divinamente qualificado para a sua obra. Ele é nosso Redentor; fez-se semelhante a nós para nos libertar; tornou-se homem a fim de nos reconciliar com Deus. 
No começo do ministério de Jesus, vemos os da sua própria cidade resolvidos a matá-lo (4.28-30). Eles disseram: “Não é este o filho de José?”. Este foi o primeiro sinal da sua futura rejeição. Jesus se havia proclamado Messias (4.21). Iraram-se por haver sugerido que o Messias deles seria enviado também aos gentios (Lc 4.24-30). Acreditavam que a graça de Deus estava limitada aos judeus e, por isso, estavam prontos a matá-lo. Ele recusou-se a realizar milagres ali por causa da incredulidade deles. Tentaram precipitá-lo de um monte, mas ele escapou e foi para Cafarnaum (4.29-31). (Comparando Lc 4.16 com Mt 13.54, parece que Jesus fez outra visita a Nazaré alguns meses mais tarde, mas sem resultado.) 

EVANGELHO MUNDIAL 

Os judeus odiavam os gentios por causa de como foram tratados por eles quando cativos na Babilônia. Olhavam-nos com desprezo; consideravam-nos imundos e inimigos de Deus. Lucas descreve Jesus derrubando essas barreiras entre judeus e gentios, apresentando o arrependimento e a fé como as únicas condições de entrada no reino. “E que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (24.47). O evangelho de Jesus Cristo não é simplesmente uma das religiões do mundo; é a verdade viva de Deus adaptada a todas as nações e a todas as classes. Leia Romanos 1.16. 
Como Filho do homem, Jesus atenta para as necessidades de todos os homens. Em Lucas 6, que é substancialmente igual ao Sermão do Monte em Mateus, encontramos amplos ensinos morais, aplicáveis às necessidades de todos. Ele resume em alguns versículos o que Mateus apresenta nos capítulos 5-7 (Lc 6.20-49). Não faz referência à lei e aos profetas como Mateus. 
Jesus diz aqui palavras escolhidas a seus discípulos. As bem-aventuranças apresentam um retrato do cristão. Não é o que estamos nos esforçando por ser, mas o que somos em Cristo que nos traz alegria. As bem-aventuranças são um retrato de Cristo, pois expõem a face do próprio Jesus e descrevem o cristão perfeito. 

OS DISCÍPULOS COMISSIONADOS 

Ao serem comissionados os Doze (cap. 9), receberam uma tarefa mais ampla. Em Mateus, ouvimos o Senhor dizer: “Não tomeis rumo aos gentios [...] mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt. 10.5,6). Lucas omite isso e diz: “Então, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o evangelho [...] por toda parte” (Lc 9.6). 
Aonde Jesus Cristo ia, seguia-o uma multidão, “e procuravam tocá-lo, porque dele saía poder; e curava a todos” (6.19). Ele dava de si mesmo; assim devemos servi-lo. 
Jesus tem poder sobre a doença e a morte (7.1-17). Também demonstra ser amigo dos pecadores. Tinha vindo para “buscar e salvar o que se havia perdido”. É chamado “amigo dos publicanos 
e pecadores” (7.36-50). 

JESUS CRISTO, O MESTRE 

Os alunos - Jesus era Mestre. Seus discípulos foram instruídos e treinados para levar avante sua mensagem (6.12-16). 
A escola - A matrícula nessa escola é controlada; há determinadas exigências. Mas, por outro lado, o ingresso é fácil. Não há barreira de idade, sexo, raça ou cor (14.25-33.) 
Exigências de entrada - “E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (14.27). “Todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (14.33). 
Exames - Jesus conhece a capacidade e as limitações de cada aluno da sua escola. Seus exames não são os mesmos para todos; ele dá provas individuais. É fácil seguir as provas que deu a Pedro. Em Lucas 5, está provando a obediência de Pedro (5.5). Em 9.18, submeteu os alunos a um exame, e o impetuoso Pedro deu uma resposta surpreendente (9.18-20). 
Normas a observar - Um relacionamento adequado com o Mestre deve ser mantido o tempp todo. Muitos pensam que basta um contato inicial com Jesus. Não é assim. Tem de haver estudo constante da sua Palavra, tempo gasto no laboratório da oração e na prática do exercício espiritual (9.59; 5.27). 
Escola prática - Jesus não só lhes ensinou, mas os fez experimentar as grandes verdades que apresentava (10.1-12,28,36, 37; 11.35; 12.8,9; 14.25-33; 18.18-26). 
O curso - O curso incluía um estudo do reino e do Rei (7.28; 8.1; 9.2,11,62; 13.20,21; 12.32; 9.12,15; 22.29; 13.28,29; 17.20; 18.29). 

O SOFRIMENTO DO FILHO DO HOMEM
(Cap. 20:1 / 23:56) 

Jesus está sentado com os discípulos ao redor da mesa, celebrando a festa da Páscoa. Nessa ocasião, ele institui o que chamamos “a ceia do Senhor”. Ouça suas palavras: “Isto é o meu corpo oferecido por vós [...]. Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós” (22.19,20). dif rente do registro de Mateus e Marcos. Eles dizem: “Meu sangue derramado a favor de muitos”. Seu amor é expresso de maneira muito pessoal em Lucas. Ele acrescenta: “Fazei isto em memória de mim”. 
Observe o triste registro dos acontecimentos relacionados com a sua morte. Os discípulos estão discutindo sobre qual deles seria o maior no reino (22.24-27). Lemos acerca de Pedro e de sua lamentável história negando seu Senhor e Mestre (22.54-62). 

O GETSÊMANI 

Em agonia, Jesus está orando no jardim do Getsêmani, e seu suor se torna em gotas de sangue caindo sobre a terra. Lucas diz que um anjo apareceu para confortá-lo, fato que Mateus e Marcos não mencionam. 
Por entre as sombras do jardim, chega um grupo de soldados, tendo à frente Judas. Este se aproxima para beijar Jesus. Sim, ele ainda é discípulo. As Escrituras dizem que Jesus seria traído por um amigo e vendido por 30 moedas de prata (Lc 22.47-62; SI 41.9; Zc 11.12). 
O pior de tudo é que seus amigos o deixaram, abandonaram-no e fugiram, exceto João, o amado. Somente Lucas nos diz que Jesus olhou para Pedro e lhe partiu o coração com seu olhar de amor. 
Seguimos Jesus até o pretório de Pilatos e depois perante Herodes (23.1-12). Avançamos pela Via Dolorosa até a cruz (23.27-38). Somente Lucas usa apalavra Calvário, que é o nome gentio de Gólgota. Lucas omite muita coisa que Mateus e Marcos registram, mas é o único a mencionar a oração (23.13-46). 
Havia três cruzes no monte Calvário. Numa delas, estava um ladrão, morrendo por seus crimes. Lucas também registra o fato (23.39-45). Esse homem foi salvo do mesmo modo que todo pecador precisa ser salvo. Ele creu no Cordeiro de Deus que morreu na cruz naquele dia a fim de pagar a pena do pecado. 
A cena do Calvário termina com o Filho do homem clamando em alta voz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (23.46). O centurião dá este testemunho: “Verdadeiramente este homem era justo” (23.47). 

A VITÓRIA DO FILHO DO HOMEM
(Cap. 24.1-53) 

Passamos, com grande alívio, da tristeza e da morte na cruz, da escuridão e do desalento do túmulo, para o esplendor e a glória da manhã da ressurreição. 
Lucas dá-nos parte da cena que os outros não narram. É a história da caminhada a Emaús. Jesus mostra a esses dois discípulos que, como Senhor ressurreto, ele é exatamente o mesmo amigo amoroso e compreensivo que tinha sido antes de sua morte. Depois de caminhar ao seu lado, abrindo-lhes as Escrituras sem ser reconhecido, os discípulos insistem em que entre e passe a noite com eles. Ao levantar aquelas mãos que tinham sido perfuradas pelos cravos e para partir o pão, eles o reconheceram, mas Jesus desapareceu. Retornaram a Jerusalém e lá encontraram provas abundantes da ressurreição. Jesus provou que era um ente real com carne e ossos. Todos esses pormenores pertencem ao evangelho de Lucas. 
Estão registradas nada menos que 11 aparições de Jesus, depois da ressurreição, não só a indivíduos, mas a grupos e multidões. Primeiro, às mulheres, a Maria e depois aos demais (Mc 16; Jo 20.14); depois, a Pedro sozinho (Lc 24.34); em seguida, aos dois de Emaús (Lc 24.13); aos dez apóstolos em Jerusalém [estando ausente Tomé] (Jo 20.19) e mais tarde aos 11 discípulos (Jo 20.26,29); depois disso, a sete deles no mar de Tiberíades (Jo 21.1). Mais adiante, ao grupo todo dos apóstolos num monte na Galiléia (Mt 28.16); depois, a 500 irmãos de uma vez (iCo 15.6); então, aTiago (lCo 15.7); e, finalmente, ao pequeno grupo no monte das Oliveiras, na sua ascensão (Lc 24.51). 
Três vezes lemos que os discípulos o tocaram após a ressurreição. (Mt 28.9; Lc 24.39; Jo 20.27). Além disso, comeu com eles (Lc 24.42; Jo 21.12,13). 
“Aconteceu que, enquanto os abençoava, {...] foi elevado para o céu” (Lc 2451). O fato de ter sido “elevado” revela mais uma vez que ele era homem. 
Já não é um Cristo local, limitado a Jerusalém, mas um Cristo universal. Ele podia dizer aos discípulos que se lamentavam1 pensando que não mais o teriam consigo: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28.20). Como era diferente a esperança e a alegria desses seguidores escolhidos, do desespero e opróbrio da crucificação! Eles voltaram a Jerusalém com grande alegria. 

PLANO DE ESTUDO SEMANAL
  • Domingo: “SEMELHANTE AOS IRMÃOS” Lucas 1. 1-3.38 
  • Segunda: “TENTADO [...] À NOSSA SEMELHANÇA” Lucas 4.1-8.3 
  • Terça: “COMPADECEU-SE DAS NOSSAS FRAQUEZAS” Lucas 8.4-12.48 
  • Quarta: “CUMPRIA-ME ESTAR NA CASA DE MEU PAI” Lucas 12.49-16.31 
  • Quinta: “JAMAIS ALGUÉM FALOU COMO ESTE HOMEM” Lucas 17. 1-19.27 
  • Sexta: “TU ÉS UM RESGATADOR” Lucas 19.28-23.56 
  • Sábado: “POR FIM SE LEVANTARÁ SOBRE A TERRA” Lucas 24.1-53 

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