domingo, 4 de setembro de 2011

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Visão Holística de Marcos

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MARCOS 
Apresenta Jesus Cristo, o Servo de Deus 

O AUTOR 

João, cujo sobrenome era Marcos, é o autor (At 12.12,25). Era filho de Maria e primo de Barnabé (Cl 4.10); provavelmente, natural de Jerusalém. Acompanhou Paulo e Barnabé a Antioquia e foi causa da desavença entre eles (At 12.25; 13.5). Nessa ocasião, deixou-os, talvez por causa das dificuldades surgidas (At 13.13). Mais tarde, tornou-se de grande proveito para Paulo (Cl 4.10,11; 2Tm 4.11). Acredita-se que os discípulos se reuniram no cenáculo da casa da mãe de Marcos, em Jerusalém. Pedro foi instrumento da sua conversão e afetuosamente o trata “meu filho” (1 Pe 5.13). Percebe-se a influência do ensino dc Pedro neste evangelho. 

O PROPÓSITO 

Em Marcos 10.45, encontramos o objetivo do autor ao escrever esse evangelho: “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Ao contrário de Mateus, Marcos não estava procurando provar certas declarações e profecias a respeito de Jesus. Seu único bjetivo foi narrar claramente determinados fatos a respeito de Jesus, seus atos mais do que suas palavras. Prova que Jesus é o Filho de Deus não por declarar que ele veio à terra, mas mostrando o que realizou durante a sua breve carreira terrena e como sua vinda transformou o mundo. 
Há uma aceitação geral de que o evangelho de Marcos foi escrito para leitores romanos. O romano era diferente do judeu; caracterizava-se por forte espírito prático. Conseqüentemente, sua religião tinha de ser prática. Não tinha nenhum interesse em buscar no passado as raízes de sua crença e, por isso, era indiferente a genealogias e cumprimentos de profecia. Não se interessava por dogmas judaicos; sua tendência seria dizer: “Nada sei das suas Escrituras, nem me interessam suas idéias, mas gostaria de ouvir a história simples da vida desse homem chamado Jesus. Conte-me o que ele fez; desejo conhecê-lo exatamente como era”. 
Marcos é bem diferente de Mateus, tanto em sua natureza como em seu propósito. É o mais curto dos evangelhos. 
Mateus tem 28 capítulos é cheio de parábolas e apresenta Jesus como Filho de Davi, com dignidade e autoridade reais (28.18). 
Marcos tem 16 capítulos e só registra quatro parábolas; apresenta Cristo como Servo de Jeová, humilde, mas perfeito. Os anjos aparecem para servi-lo. 

CARACTERÍSTICAS GERAIS 

Pode-se perceber o talento de um artista no que deixa de fora. Um amador procura incluir tudo. Em estrita harmonia com o propósito central de Marcos, que é salientar Jesus como Servo, observemos as suas omissões. 
Não há nada sobre o nascimento virginal; nenhuma referência ao seu nascimento se faz em todo o evangelho. Isso é significativo. Ninguém se interessa na genealogia de um servo; a visita dos magos não é mencionada. Um servo não recebe homenagens. Não se fala da visita do menino Jesus ao templo; não interessa a Marcos o Jesus menino, mas o Cristo capaz de agir. Não aparece o Sermão do Monte. Mateus dedica três capíttilos inteiros a esse sermão que apresenta as leis do reino e descreve as qualidades de seus súditos. Marcos apresenta Cristo como o perfeito “trabalhador”. Um servo não tem reino nem elabora leis. 
Marcos não cita os profetas. A única referência é Marcos 1.2. Mateus tem citações em cada página. 
Não se usam títulos divinos; nunca se fala de Jesus como Rei, a não ser em tom de zombaria. Mateus diz: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel - Deus conosco”. Marcos não. Chama-o de “Mestre”, enquanto os outros evangelistas chamam- no de “Senhor”. 
Mateus diz: “Senhor, salva-nos! Perecemos!”. Marcos diz: “Mestre, não te importas que pereçamos?”. 
Por ocasião da sua morte, não declara que a obra havia sido consumada, como em João 19.30. Não cabe ao servo dizer quando sua obra terminou. Não há introdução em Marcos. Os outros evangelhos têm extensas aberturas, mas não há nenhuma em Marcos. O versículo inicial diz: “Evangelho de Jesus Cristo”. Ele acrescenta: “Filho de Deus”, a fim de proteger sua glória divina. Como isso é diferente de Mateus, onde encontramos o evangelho do reino. 
A palavra “evangelho” aparece 12 vezes nos quatro evangelhos, e oito delas estão em Marcos. Cabe ao Servo levar as boas-novas! 
Outra palavra que aparece freqüentemente é a que se traduz por “imediatamente”. Aparece 40 vezes em Marcos. Esta é a palavra de um servo. 
Uma das coisas que nos impressiona em Marcos é a sua brevidade. É bem mais curto que os outros quatro evangelhos, e muito pouco se acha aqui que não esteja nos demais. 
Mateus registra 14 parábolas, Marcos, apenas quatro - do semeador, da semente que crescia sem se saber como (peculiar a Marcos) do grão de mostarda, e dos lavradores maus. Não só há omissão em número, mas na espécie. Não se fala do “dono da casa, do casamento do “filho do rei”, ou de “talentos”. 
Os milagres se evidenciam em Marcos, como as parábolas, em Mateus. O servo trabalha o rei fala. 

O SERVO PREPARA-SE
(Cap. 1:1-13) 

Marcos não fala dos primeiros trinta anos de vida de Jesus, mas esses anos todos foram necessários à sua preparação humana para a obra que teria de realizar. Ele cresceu em contato com a labuta diária; lutou, como Jacó, com os problemas da vida; travou muitas batalhas na arena do coração; meditou sobre as necessidades da sua nação e sentiu profundo peso por ela. 
A preparação é necessária. A vida de Jesus o exemplifica. Os fundamentos de um farol são muito importantes conquanto não sejam vistos. A planta estende suas raíves no solo antes que possa ir produz folhas e flores. Pensemos nos quarenta anos que Moisés passou no deserto antes de iniciar sua grande obra; o longo período da juventude de Elias, antes de comparecer perante o rei Acabe; a juventude de Amós no campo; os trinta anos de treinamento de João Batista. Foi assim também com Jesus. Ele viveu trinta anos na obscuridade em Nazaré antes de iniciar seu ministério público de três anos. É de imensa importância o preparo para o trabalho que vamos realizar. Não fiquemos impacientes se Cristo está levando tempo em preparar-nos para a vida. 

 PREPARAÇÃO POR JOÃO, O PRECURSOR 

Esse evangelho começa com João Batista preparando o povo para a vinda do Messias. A vinda de João ocorreu em cumprimento de uma profecia messiânica: “Conforme está escrito na profecia de Isaías” (Mc 1.2). Essa citação é de Malaquias 3.1. O versículo 4 refere-se Isaías 40.3. Isaías diz que ele seria conhecido simplesmente como “a voz”: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor nosso Deus” (Is 40.3). Essa é a voz que serviria de arauto para Jesus Cristo. 
Esse homem estranho surge no cenário, de modo quase sensacional, vestido de pêlos de camelo e com um cinto de couro, e alimentando-se de gafanhos e mel silvestre. Nem sempre Deus escolhe os homens como nós o fazemos. Muitas vezes, ele usa as coisas loucas para confundir as sábias e usa as fracas para aniquilar as poderosas. (Leia 11.27,28) Sem dúvida, se fôsemos escolher um arauto para Jesus, escolheríamos alguém de estirpe nobre, culto e de alta reputação. Teria de ser eloqüente destemido campeão de grandes causas. Mas Deus não age assim. Sem nenhum diploma, de origem huilde, quase desconhecido, vestido como eremita do deserto, Joao Batista tinha a aprovação de Deus (Mt 11.11). 
A mensagem de João Batista era tão supreendente quanto seu aspecto. Precedendo o seu monarca, como um oficial romano que ordena a reparação de estradas e de caminhos, ele anunciava: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. O verdadeiro avivamento sempre é precedido de retidão. 

PREPARAÇÃO PELO BATISMO 

João e Jesus encontraram-se. Ele logo reconhece que esse Homem não precisava submeter-se ao batismo de arrependimento que pregava. Havia nessa face uma pureza e majestade tal que João sentiu sua própria indignidade. Ele era o Filho de Deus. João hesitou e disse: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mt 3.14). 
Jesus foi batizado com o batismo de Joao, em obediencia a uma ordem estabelecida: “Deixa por enquanto, porque, assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15). Desse modo, pôs o selo da sua aprovação na mensagem e na obra de João e o reconheceu como seu verdadeiro precursor. O batismo de João foi ordenado por Deus e era, portanto, obrigatório para todos os que reconheciam Deus e queriam cumprir seus mandamentos. 
Cristo foi o padrão e o exemplo da justiça. Ele próprio cumpriu todos os deveres que impôs a outros (1Co 10.13). 

PREPARAÇÃO PELO RECEBIMENTO DO ESPÍRITO SANTO 

 “Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele” (Mc 1.10). O Espírito não só desceu como pomba, mas em forma de pomba (Lc 3.22). Tratava-se de um símbolo. A vinda do próprio Espírito foi uma realidade, e, por isso, todo acontecimento na vida de Jesus tinha significação. Em qualquer serviço para Deus, o Espírito sempre prepara a vida do discípulo, dandd-lhe poder e recursos. Ele éo grande agente de Deus para a luta espiritual. 
Se Jesus desceu às águas batismais da obediência a Deus, podia subir delas, sob um céu que se abria com o Espírito Santo descendo sobre ele, e ouvir a voz do Pai declarando que ele era seu Filho amado. Jesus subiu daquela água um novo Homem, em um novo mundo. Seu relacionamento com o Pai e sua missão foram proclamados. 

PREPARAÇÃO POR UM CHAMADO DIVINO 

“Então, foi ouvida uma voz dos céus” (Mc 1.11). Deus referendou Jesus e sua missão e mostrou à nação judaica que ele era o Messias. “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (At 10.38). Este texto tem sido chamado o evangelho de Marcos condensado. Mais tarde, a mesma voz é ouvida na sua transfiguração: “Este é o meu Filho amado; a ele ouvi” (Mc 9.7). 

PREPARAÇÃO PELA TENTAÇÃO

O batismo e a tentação, aparecem aqui ligados. Havia ce sado a voz do céu, e se ouve em seguida o murmúrio do infi.r. no. Saindo da bênção batismal do Pai, Jesus entra em uma luta intensa com o diabo. 
Marcos diz: “E logo o Espírito o impeliu para o deserto”, o que revela a rapidez com que o Espírito age (Mc 1.12). “E” indica continuidade, mostrando que a tentação, tanto quanto o batismo, faz parte da preparação do servo para sua obra. ‘iiientn e povacão constituem parte do plano de Deus, tanto quanto as frageis e o triunfo. Jesus foi impelido para ser tentado. Não foi mero acaso ou má sorte, mas determinação divina. A tentação tem seu lugar neste mundo. Sem ela, não poderíamos crescer e amadurecer. Nada há nada de errado em sermos tentados; o erro começa quando passamos a ceder, Não devemos procurar a tentação; Jesus não se conduziu a ela, mas foi levado pelo Espírito. No caminho do dever, muitas vezes somos tentados, “mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1Co 10.13). Ele sempre provê livramento! 

O SERVO TRABALHANDO
(Cap. 1.14 / 8.30) 

Esse evangelho é um registro do serviço ininterrupto prestado pelo Servo. Lemos: “E ele fez isso, e ele disse aquilo”. Precisava ensinar aos homens, pois estavam em trevas; precisava animá-los, pois estavam sem esperança; precisava curá-los, pois estavam enfermos; precisava libertá-los, pois estavam sob o poder de Satanás; precisava perdoar-lhes e purificá-los, porque eram pecadores. 
Jesus está pregando, à beira-mar e escolhe quatro pescadores para serem seus primeiros discípulos, a fim de aprenderem sob sua orientação a se tornar “pescadores de homens”. Quem eram eles? (Leia Marcos 11.6-20.) A esse trabalho de pescar homens deveriam dedicar todo o seu conhecimento prático e toda a habilidade que empregavam na arte de pescar. Que discípulo foi chamado em Marcos2? 
É interessante verificar que Jesus nunca chamou um Ocioso; escolheu para segui-lo homens ocupados e bem-sucedido. Todos podemos tornar nossas ocupações em oportunidades de serviço a Cristo. Como foi recebido o chamado de Jesus? “Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram (Mc 1.18). Muitas vezes, há tempo perdido entre o nosso chamado e a nossa resposta. 
Jesus logo em seguida aparece “ungido de poder” e inteiramente dedicado a sua obra. Nos capítulos seguintes, não aparecem longos discursos, e sim muitas obras poderosas. Demônios expulsos (1.21-28); a febre repreendida (1.29-31); a febre repreendida (1.29-31); várias doenças curadas (1.32-34); leprosos purificados (1.40-45); um paralítico anda (2.1-12); a cura da mão ressequida (3.1-5); multidões curadas (3.6-12); a tempestade apazigua (4.35-41); um endemoninhado liberto (5.1-15); fluxo de sangue estancado (5.21-34); a filha de Jairo ressuscitada (5.35-43); cinco mil alimentados (6.32-44); Jesus anda sobre as águas (6.45-51); todos os que o tocam são curados (6.53-56); surdos e mudos ouvem e falam (7.31-37); quatro mil alimentados (8.1-9); o cego curado (8.22-26). 
A ação é rápida e os acontecimentos parecem desenrolar-se diante de nossos próprios olhos. As descrições de Marcos são bruscas e francas, mas ele preserva muitas coisas que, de outra forma, se teriam perdido. É o único evangelho que diz que Cristo foi carpinteiro. Marcos registra que Jesus “tomou alguém pela mão” e as criancinhas “em seus braços”; que ele “se condoeu”; que “suspirou”; que se “maravilhou”, “amou”, “irou-se” e que “se compadeceu das nossas enfermidades”. 
Passemos com Jesus o sábado registrado em Marcos 1.21-34, indo com ele à igreja, ouvindo sua pregação vendo-o ser interrompido por um endemoninhado, expulsar o espírito imundo e transformar a cura em poderoso recurso do seu ensino. Terminado o culto, vamos com ele até a casa de Pedro para vê-lo curar a sogra deste, que ardia em febre. Depois vamos passar o sábado à tarde em repouso e amável conversa. Ao anoitecer veremos chegar grande número de pessoas com toda sorte dc doenças. São trazidas a Jesus, e ele estende as mãos ternas sobre elas e as cura. Os coxos levantam-se e saltam de alegria; os cegos abrem os olhos e vêem aquele que os curou; as marcas de sofrimento transformam-se numa expressão de intenso júbilo, enquanto outros estão sendo libertados de suas enfermidades. 
Marcos faz uma admirável declaração a respeito do sábado: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (2.27). Essa grande declaração de Jesus é o princípio central da observância do sábado. O sábado não foi feito para aborrecer o homem, para restringi-lo, para empobrecê-lo, mas para enriquecê-lo e abençoá-lo. Experimente gastar um dia com o Senhor como Jesus fez. Sei que irá gostar, e o Senhor vai agradar-se. 
Cristo responde à pergunta sobre a guarda do sábado com uma ilustração prática (Mc 3.1-5). Sua conclusão é que qualquer ação que realmente ajude o homem é lícita no sábado e está em perfeita harmonia com os desígnios de Deus para esse dia. Ele exemplifica a verdade em questão com esse milagre de cura. Sete dos milagres de Jesus foram realizados no sábado. O sábado “foi feito”. É dádiva de Deus ao homem. 
Os milagres de Jesus eram prova de sua missão divina. Revelavam que era o prometido Redentor e Rei, aquele de quem todos precisamos. Jesus era Deus, de modo que os milagres eram tão naturais para ele como qualquer outra ação. Por meio deles, Jesus infundia fé em muitos dôs que o viam e ouviam. 
O Servo aparece sempre trabalhando. “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou enquanto é dia”, são suas palavras. Os dias do ministério de Jesus eram sempre cheios. Como nossa vida é vazia quando comparada com a dele! 

O SERVO EM ORAÇÃO 

Na manhã seguinte ao grande sábado de pregação e cura, em que acompanhamos Jesus, ele se levantou cedo e saiu para um lugar solitário a fim de orar (Mc 1.35). Seu trabalho estava crescendo rapidamente, e Jesus precisava de comunhão com Deus. Parece que a resposta foi um trabalho mais amplo, o início da sua primeira viagem de pregação e cura na Galiléia (Mc 1.37-39). Só uma cura foi registrada nessa viagem de vários dias - a de um leproso, cuja moléstia era incurável (Mc 1.40-45). 
Se o Filho de Deus precisava orar antes de iniciar sua obra, quanto mais nós necessitamos fazê-lo. Talvez nossa falta de êxito se deva a isso. “Não temos porque não pedimos.” 

O SERVO PERDOA PECADOS 

Dias depois [...] e logo correu que ele estava em casa” (Mc 2.1). É notável como as notícias se espalhavam com rapidez no Oriente sem jornais, televisão, telefone ou rádio. O fato é que noutra parte da cidade um paralítico ouvira falar desse novo profeta e de seu ministério de cura. Quatro amigos o trouxeram a Jesus e o baixaram pelo telhado da casa até que ficasse diante dele. Vemos nessa cura a prova do poder de Jesus não só como médico do corpo, mas também da alma. “Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?” (Mc 2.7). Todo pecado é cometido contra Deus, e, portanto, só ele pode perdoar. Jesus disse: “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados [...] Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Mc 2.9-12). 
Com esse milagre, Deus confirmou a declaração de que Jesus era o Messias. O homem levantou-se, tomou a cama e retirou-se diante de todos, testemunha viva do poder de Jesus sobre o pecado, exemplo vivo da obra que ele veio realizar. Veio dar sua vida em resgate por muitos para que pudesse perdoar os pecados dos homens. Todos pecaram e precisam de um Salvador. (V. Rm 3.23.) 
Em Marcos 3.13-21, aparece a narrativa da escolha dos Doze. O versículo 14 diz que Jesus escolheu esses homens para estarem com ele. É o que Jesus quer de seus discípulos hoje — que encontrem tempo para estar em sua presença e ter comunhão com ele. Em João 15.15, ele diz: “Já não vos chamo servos [...] mas tenho-vos chamado amigos”. 
A parábola do semeador apresenta os obstáculos ao evangelho existentes no coração dos ouvintes (Mc 4.3-20). 
Todos deveriam conhecer bem as parábolas do reino registradas no capítulo 4. Foram instrumentos especiais do ensino de Cristo. A interpretação da parábola do semeador é dada em Marcos 4.13-20. Jesus usou esse método de ensino por causa da crescente hostilidade a ele e à sua mensagem. Estava cercado de inimigos que procuravam apanhá-lo em alguma palavra, mas ninguém objetaria uma simples história. Além disso, até as pessoas mais simples se lembrariam dessas histórias. 
A parábola é uma analogia. A palavra vem do grego e é composta de duas palavras que significam “ao lado” e “lançar”. A parábola, portanto, é uma forma de ensino em que uma coisa é colocada ao lado da outra. Além da parábola do semeador, nosso Senhor contou mais estas: 
1. A da candeia - 4.21-25 
2. A da semente germinando secretamente - 4.26-29 
3. A da semente de mostarda - 4.30-33 
Depois de interpretar as parábolas, Jesus tomou um barco para escapar da multidão. O Mestre, cansado, dormiu, e uma violenta tempestade surgiu no mar da Galiléia. Quando estavam a ponto de afundar, os discípulos, atemorizados, acordaram Jesus. A uma palavra sua, o mar se acalmou. Ele tinha poder sobre os elementos da natureza (Mc 4.35-4 1). 
No capítulo 5, Jesus ainda está em plena atividade, O que está fazendo agora? Leia as narrativas paralelas em Mateus 8.28- 34 e Lucas 8.26-39. Compare esse milagre com outras curas de endemoninhados em Mateus 9.32,33; Marcos 1.23-26; Mateus 17.14-18; Lucas 9.38-42. 
O milagre de Marcos 5, como todos os outros, pôs à prova o caráter dos homens. Apanhou-os de surpresa e revelou a verdadeira natureza deles. Observe o contraste no modo de os homens receberem a obra de Cristo. 
Alguns se esquivam do Salvador. Os que alimentavam os porcos fugiram, outros temeram (v. 14,15) e “entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles” (v. 17). Sem dúvida, havia lá outras manadas de porcos, e eles receavam perdê-las também. Essa é a atitude típica de muitos para com Cristo. Às vezes, é um negócio lucrativo de que não querem abrir mão, outras vezes algum pecado íntimo. São razões assim que levam os homens a rejeitar Cristo. 
Alguns buscam o Salvador. O homem curado implorou que ele não se retirasse dali, mas o deixasse estar com ele. Assim acontece ainda hoje. Ou os homens pedem que Jesus os deixe porque desejam permanecer no seu pecado, ou suplicam que ele fique com eles porque querem deixar seus pecados. Com quem desejamos ficar? 
Depois de curar o endemoninhado, Jesus voltou a Cafarnaum, curou uma mulher que estava doente havia muito tempo e, enquanto ainda falava (Mc 5.35), foi chamado para ressuscitar a filha de Jairo. 
Jesus partiu em sua terceira viagem para proclamar o evangelho pela Galiléia (Mc 6). Mandou os Doze, de dois a dois, a lugares diferentes (Mc 6.7-13). Mateus 10 registra as instruçôti que receberam. Herodes ouviu-os pregar e ficou perturbailn pensando que o homem que ele havia matado voltara paIi o assombrar (Mc 6.14-29). Que alto preço os homens pagam hi sensatamente por prazeres fugazes! Por um momento de pi xão, um pouco mais de dinheiro, uma posição mais elevada, por essas coisas dão metade, senão mesmo o reino inteiro da su alma, a saúde, o lar, amizades, paz, felicidade e vida eterna. Como Esaú, vendem o direito de primogenitura por um prato de lentilhas. Como Judas, vendem seu Salvador por 30 moedas. 
Depois de os apóstolos terem sido treinados, Jesus os enviou em uma longa viagem missionária às aldeias da Galiléia (Mc 6.12,13). Ao regressar, voltaram à presença de Jesus (6.30), provavelmente ao lugar de encontro habitual, em Cafarnaum. Relataram seus sermões, o número de conversões e os milagres realizados. Nenhum trabalho cristão prosseguirá sem freqüentes conversas com Jesus. Precisamos da sua aprovação, direção e poder. 
Jesus afastou-se para um lugar deserto a fim de descansar um pouco (6.3 1), mas as multidões o seguiram. Segue-se imediatamente a multiplicação dos pães (Mc 6.32-44). Este é um dos milagres mais importantes; deve ter causado uma impressão viva nos autores dos evangelhos, pois é o único dos 35 milagres registrado pelos quatro. 
Que milagres vm a seguir (6.45-52,53-56)? Acompanhe Jesusno que faz e diz (Mc 7.1-23; 7.24-30; 7.31-37; 8.1-9; 8.22-26). 
A confissão de fé que Pedro fez merece um estudo especial (Mc 8.29). Jesus não diz aos discípulos quem ele é; espera até que lho digam. Quando pergunta: “Mas vós, quem dizeis que eu sou?”, Jesus atingiu o clímax do seu ministério. Estava pondo à prova o propósito de todo o treinamento recebido pelos Doze. A resposta de Pedro deu-lhe a certeza de que o alvo fira alcançado. 
Que pensavam os fariseus de Jesus? Já haviam concordado em matá-lo. 
Que pensava dele a multidão? Já o estava abandonando. 
Que pensavam dele os discípulos? Pedro deu a resposta. 
E você, o que pensa de Cristo? 

O SERVO REJEITADO 
(Cap. 8.31 / 15.47) 

Mesmo antes de apresentar a declaração direta de Jesus de que era o Rei do reino, Marcos revelou o modo pelo qual o Rei deve ser recebido. Seu caminho é de sofrimento e rejeição. Jesus disse “que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas” (8.31). 
Os evangelistas dizem, em linguagem clara, que ele seria rejeitado pelos guias de Israel, morto, e que ressuscitaria no terceiro dia. 
Jesus disse aos discípulos que seria rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas (8.3 1). 
Seria entregue por traição (9.3 1). 
Seria morto pelos romanos (10.32-45). 
Iria ressuscitar no terceiro dia (9.3 1). 
Jesus, entretanto, afirmou seu direito ao reino ao apresentar-se como herdeiro de Davi em Jerusalém, conforme a profecia de Zacarias 9.9 (Mc 11.1-11). 
Como foi que o povo recebeu esse Rei? A princípio, receberam-no bem, porque esperavam que os libertasse do jugo de Roma e os livrasse da pobreza em que viviam. Mas quando ele entrou no templo e mostrou que sua missão era espiritual, passou a ser odiado pelos guias religiosos com ódio satânico que os levou a tramar sua morte (14.1). 

O MAIOR PECADO DO MUNDO 

O maior pecado desta geração, como de todas as demais, é i rejeição a Jesus Cristo. Entretanto, convém mencionar que todo aquele que ouviu o evangelho tem de receber Jesus como Salvador e Senhor ou pisá-lo debaixo dos pés. O povo no tempo de Jesus fez a escolha, e em nossos dias as pessoas também têm de fazê-la. 
Essa Presença maravilhosa que irradia dos Evangelhos, essa visão do Deus encarnado, será só para ser apreciada e prosseguirmos em nossa caminhada, como se tivéssemos simplesmente visto uma obra de arte? Essa voz que ressoa através dos séculos será somente para ser ouvida, como se fosse apenas a de um talentoso orador? Quem é Jesus para você? É apenas um nome ou é seu Mestre? Se não pode responder à pergunta como Pedro o fez, não gostaria de assinar o compromisso abaixo redigido pelo dr. R. A. Torrey? 
Prometo examinar cuidadosamente a prova de que a Bíblia é a Palavra de Deus, que Jesus Cristo é o Filho de Deus e Salvador do homem; e se eu chegar a crer que esse livro é verdadeiro e que Jesus é o Salvador do homem, eu o aceitarei, o confessarei diante dos homens e assumirei o compromisso de segui-lo. Assinatura: _______________________________________________________________________ 
Depois do ministério público de Cristo, descrito em Marcos 10.46-11.26, lemos a respeito de seu último conflito com as autoridades judaicas e de seu triunfo sobre os líderes religiosos 
(11.27-12.44). 
Jesus procurou persuadir os judeus a recebê-lo como Messias (11.15-12.44). Foi uma terça-feira cheia, de manhã à noite, gasta num esforço tremendo para levar a nação judaica a reconhecê-lo a fim de tornar-se gloriosa e separada para abençoar o mundo. 
Nos belos átrios do templo, esse galileu simples encontrou as autoridades judaicas vestidas com toda a pompa de suas vestes oficiais. Houve uma ríspida e prolongada controvérsia sobre assuntos complexos. 
Os escribas e principais sacerdotes perguntaram-lhe: “Com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu tal autoridade para as fazeres?” (11.28). Os fariseus e herodianos procuraram apanhá-lo em alguma palavra: “É lícito pagar tributo a César ou não?” (12.14-17). 
Os saduceus, que diziam não haver ressurreição, perguntaram-lhe o que aconteceria na ressurreição a uma mulher que fora casada sete vezes; de quem seria esposa?” (12.23). 
Os escribas perguntaram-lhe: “Qual é o principal de todos os mandamentos?” (12.28-34). 
Depois que Jesus respondeu a,todos eles, lemos: “E já ninguém mais ousava interrogá-lo” (12.34). 
Parecia que não escaparia da acusação de traição ao governo de Roma ao responder-lhes mas saiu incólume. Hora após hora, Jesus enfrentou o ataque. 
O tempo todo, o perfeito Servo de Deus foi perseguido por seus inimigos. O inimigo não está morto! Os servos de Deus hoje são chamados a palmilhar o mesmo caminho. Jesus silenciou seus inimigos, mas o coração deles não se rendeu. Depois, denunciou suas práticas hipócritas com palavras que caíram como bombas. Procurou derrubar as muralhas do preconceito e levá-los ao arrependimento antes que fosse tarde demais, mas tudo em vão. 
Antes de ir para a cruz, Jesus revela o futuro aos conturbados discípulos em seu discurso no monte das Oliveiras (cap. 13). Fala-lhes a respeito do final dos tempos, da grande tribulação, e culmina com a promessa da sua volta em poder e glória. 
A trama dos principais sacerdotes para apanhá-lo astuciosamente e o matarem e a unção do seu corpo para a sepultura abrem o capítulo 14. Em seguida, vem a história sempre trisLc da traição por parte de um dos discípulos (14.10,11); a celebração da Páscoa e a instituição da ceia do Senhor estão comprimidas em 25 breves versículos. Acrescentando o insulto à injúrias lemos a negação de Pedro (14.26-31,66-71). 
A grande mensagem de Isaías é que o Filho de Deus se tornará o Servo do Senhor a fim de morrer para remir o mundo, Marcos registra o sofrimento de Jesus no Getsêmani e no Calvário em cumprimento às profecias de Isaías (Is 53). 
Jesus foi vendido pelo preço de um escravo: 30 moedas dc prata. Foi morto como só escravos morrem. Sim, Cristo foi o Servo sofredor e morreu por nós; levou nossos pecados em seu corpo no madeiro. 
Marcos não faz referência à declaração de que Jesus poderia ter invocado 12 legiões de anjos se quisesse. Nenhuma promessa de entrada no reino é feita ao ladrão moribundo. Essas afirmações só um rei pode fazer, nunca um servo. 

O SERVO EXALTADO 
(Cap. 16:1-20) 

Depois que o Servo deu a vida em resgate por muitos, ressuscitou dos mortos. Vem em seguida a Grande Comissão (16.15), também registrada em Mateus 28.19,20. Compare as duas. Em Marcos, não ouvimos um rei dizer: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra”, como em Mateus. Em Marcos, os discípuios deverão tomar o lugar de Jesus, e ele servirá por meio deles (16.20). A ordem contém uma nota de urgência. Nenhum recanto da terra deve ser esquecido; nem uma só alma deve ficar de fora! 
Finalmente, foi recebido no céu para sentar-se à destra de Deus (16.19). Aquele que tomou sobre si a forma de servo é agora exaltado sobremaneira (Fp 2.7-9.) Está num lugar de poder, intercedendo sempre por nós. Ele é o nosso advogado. 
Cristo, porém, está conosco; o Servo está sempre operando em nós e por meio de nós. Somos cooperadores com ele (1Co 3.9). Ele ainda está “cooperando” conosco (16.20). Sigamos, como remidos, o nosso modelo e referencial, que é Jesus, e saiamos a campo para servi-lo também. 
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58). 

PLANO DE ESTUDO SEMANAL
  • Domingo: A vindaeaprova do servo Marcos 1.1-20 
  • Segunda: O servo trabalhando Marcos 2.1-3.25 
  • Terça: O servo falando Marcos 4.1-6.13 
  • Quarta: Os milagres do servo Marcos 6.32-8.26 
  • Quinta: A revelação do servo Marcos 8.27-10.34 
  • Sexta: A rejeição do servo Marcos 11.1-12.44 
  • Sábado: A morte e o tunfo do servo Marcos 14.1-16.20

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