domingo, 21 de agosto de 2011

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Visão Holística de Mateus

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MATEUS 
Apresenta Jesus Cristo, o Messias prometido 

O objetivo especial de Mateus no seu evangelho é mostrar aos judeus que Jesus é o tão esperado Messias, o filho de Davi, e que sua vida é o cumprimento das profecias do AT. O pro pósito é dado no primeiro versículo: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”. Esta declaração une Cristo às duas alianças que Deus fez com Davi e Abraão. A aliança de Deus com Davi consistia na promessa de um Rei que se assentaria no seu trono para sempre (2Sm 7.8-13). A aliança de Deus com Abraão prometia que por meio dele todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12.3). O filho de Davi seria Rei; o filho de Abraão seria sacrifício. Mateus começa com o nascimento de um Rei e termina com o oferecimento de um sacrifício. 
Desde o princípio, Jesus está ligado à nação judaica. Mateus foi sábio em não excluir os judeus que pudessem ler a história. Procura convencê-los de que Jesus era o cumprimento de todas as profecias feitas a respeito de seu Messias prometido. Mais do que qualquer dos outros evangelistas, ele cita com freqüência o aT. Aparecem 29 citações. Em 13 delas, ele diz que o acontecimento se deu para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta. 
Mateus liga-nos como o AT. Em cada página, ele procura relacionar o evangelho com os profetas e mostrar que todos os seus ensinos estão se cumprindo na pessoa e no reino de Jesus Cristo. 
É-nos difícil avaliar quão grande é a transição do AT para o NT. Parecia ao judeu que ele tinha de abandonar sua tradição e ortodoxia e aceitar outra crença. Mateus, em seu evangelho, e Paulo, especialmente em Gálatas, mostram aos judeus cristãos que não estavam renunciando a sua antiga fé, mas apenas abandonando símbolos e sombras em troca da substância real. 
Mateus conhecia bem a história e os costumes judaicos. Nas sete parábolas do capítulo 13, ele fala sobre agricultura, pesca e hábitos caseiros do povo. Sabia que essas referências provocariam uma reação favorável nos judeus. 
Ao ler Mateus, procure ter uma visão clara e compreensiva de todo o seu evangelho. Tenha em mente o caráter messiânico desse livro. Observe o equilíbrio entre o ministério e o ensino de Jesus. Aqui achamos a genealogia do Rei; seu nascimento em Belém, a cidade de Davi, de acordo com a profecia de Miquéias (5.2); vinda do precursor João Batista, predito por Malaquias (3.1); o ministério do Rei; sua rejeição por Israel; e a promessa da sua volta em poder e glória. 
O autor é, sem dúvida, um judeu cristão (Mt 9.9; 10.3). Mateus significa “dádiva de Deus”, Era cobrador de impostos em Cafarnaum, para os romanos, quando Jesus o escolheu como um dos 12 discípulos. Seu nome aparece em todas as relações dos Doze, ainda que Marcos e Lucas registrem seu outro nome, Levi. A única menção que o autor faz a seu respeito é chamar-se “publicano”, termo pejorativo na época. Os outros evangelistas falam da grande festa que ele deu para Jesus e registram o fato significativo de ter deixado tudo para seguir o Mestre. Era, sem dúvida, um homem de recursos. 

A POSIÇÃO DE MATEUS 

Mateus quebra o silêncio de quatrocentos anos entre a profecia de Malaquias e o anúncio do nascimento de Jesus. Israel estava sob o domínio do Império Romano. Ninguém da “casa de Davi” tinha sentado no trono por mais de seiscentos anos. 
Herodes não era o rei de Israel, mas governador da Judéia, nomeado pelo imperador de Roma. O homem que na realidade tinha direito ao trono da casa de Davi era José, o carpinteiro que se tornara marido de Maria. Veja a genealogia de José em Mateus 1 e observe um nome em especial, Jeconias, no versículo 11. Se José tivesse sido pai de Jesus segundo a carne, Jesus nunca poderia ter ocupado o trono, porque a Palavra de Deus lhe teria barrado o caminho. Houve uma maldição sobre essa linhagem real desde os dias dejeconias. Em Jeremias 22.30, lemos: 
“Assim diz o SENHOR: Registrai este como se não tivera filhos; homem que não prosperará nos seus dias, e nenhum dos seus filhos prosperará, para se assentar no trono de Davi e ainda reinar em Judá”. José estava na linhagem dessa maldição. Portanto, se Cristo tivesse sido filho de José, ele não poderia se assentar no trono de Davi. 
No entanto, encontramos outra genealogia em Lucas 3. Esta é a linhagem de Maria, traçada até Davi, por meio de Natã, e não de Jeconias (Lc 3.31). Não havia maldição nessa linhagem; a Maria, Deus disse: “Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lc 1.30-33). Agora o silêncio se quebra, e a vinda do Messias é anunciada. 
O livro de Mateus vem depois do AT e é o começo do NT; é o elo de ligação entre os livros. Foi escrito para os judeus e está situado no lugar certo. Ele pressupõe que o desenrolar dos acontecimentos é conhecido pelos leitores. O AT concluíra com a nação escolhida aguardando seu Messias há tanto tempo prometido. Mateus mostra que Jesus era esse Rei; é o evangelho do cumprimento. 
Mateus apresenta o Senhor Jesus de maneira distintamente in te neste evangelho encontramos a declaração do Messias: “Nao fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 15.24). O que seu próprio povo faz a ele (Jo 1.1 1)? 
Na ordem numérica, esse livro é o quadragésimo no cânon. Trinta e nove livros no AT, e depois Mateus. Quarenta é sempre um número de provação nas Escrituras. Jesus foi tentado pelo diabo por quarenta dias; Israel esteve no deserto durante quarenta anos; Davi foi rei por quarenta anos; Moisés esteve no palácio quarenta anos; depois, numa região deserta por quarenta anos. Em que outras ocasiões aparece o número 40? Procure na sua concordância bíblica. 
No quadragésimo livro da Bíblia, Israel está num lugar de provação e sendo testado com a presença do Messias em seu meio. Cristo é apresentado como Rei dos judeus, e eles o rejeitam não só como seu Messias, mas como seu Salvador (Mt 16.21). 

O ADVENTO DO REI
(Cap. 1.1-2:23) 

Mateus é o evangelho do Messias, o Ungido de Deus. O propósito principal do Espírito nesse livro, é mostrar que Jesus de Nazaré é o Messias predito, o Libertador, de quem Moisés e os profetas
escreveram: “... cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq 5.2). Ele é o menino que estava para nascer, o Filho que seria dado, de quem Isaías fala, e que seria chamado “Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6). 
Todos os mapas do mundo e todos os calendários indicam o lugar e o tempo de nascimento de Cristo. Ele nasceu em Belém da Judéia (Mq 5.2; Mt 2.1), nos dias do rei Herodes. Conhecemos esse lugar e esse rei. Não temos de imaginar uma história; temos nomes e datas. O cristianismo é uma religião histórica. O evangelho não começa com “era uma vez...”; começa falando de Belém da Judéia. A cidade está lá, e podemos conhecer o lugar onde Jesus nasceu. 
A época é definida: “nos dias do rei Herodes”, personagem histórica. Esse monstro de iniqüidade não é um mito. 
Essas são declarações de fatos que não podem ser contestados por críticos ou incrédulos. A narrativa do evangelho de Mateus firma-se no fundamento sólido da História. Não estamos construindo nossa fé num mito, mas num fato verdadeiro. Não aconteceu num canto escuro, mas à plena luz do dia, e não receia o mapa do geógrafo nem a pena do historiador. 
A história do nascimento de Jesus em Mateus difere da de Lucas. As duas narrativas se complementam, e, ainda que muita coisa não tenha sido registrada, Deus revelou tudo que precisávamos saber. A vida terrena de Jesus começou numa estrebaria; teve por berço uma manjedoura. Sua família era de condição humilde; ele veio como uma criança indefesa. Como foi humano nosso Senhor! Jesus, entretanto, teve um arcanjo por arauto; sua vinda foi saudada por um coro de anjos, e os mais sábios filósofos do mundo o adoraram! Como foi divino nosso Senhor! 
Muitos, ao começarem a ler Mateus e Lucas, estranham as longas genealogias por eles registradas. Devemos compreender que foram incluídas nas Escrituras com um propósito. 
Genealogia é o estudo da origem das pessoas e das famílias. Há duas genealogias de Cristo: uma em Mateus 1.1-17, e a outra em Lucas 3.23-38. Não são iguais, e a razão é que cada uma delas traça a ascendência de Cristo com um propósito diferente. 
Mateus traça a linhagem de Jesus até Abraão e Davi a fim de mostrar que ele era judeu (descendente de Davi). Lucas traça a linhagem até Adão para mostrar que ele pertencia à raça humana. 
Mateus apresenta Jesus como de descendência real: o Rei, o Messias, o Leão da tribo de Judá, o prometido Soberano de Israel. Lucas mostra Jesus como de linhagem humana: o Homem ideal, nascido de mulher. 
Observe como essas duas descrições de Jesus são mantidas em cada um desses dois relatos - Mateus apresentando-o como o MESSIAS, e Lucas, como o HOMEM. 

A LINHAGEM REAL 

Por que estamos interessados nessas genealogias? Porque nos dão a chave para toda a “vida de Cristo”. Elas mostram, antes de maus nada, que ele não era um homem qualquer, mas descendia de família real, tinha sangue real nas veias. Se não fosse Rei, não poderia exigir o domínio sobre nossa vida. Se não fose HOMEM, não poderia conhecer nossas enfermidades e nossas dores. 
Percorra Mateus e siga a trajetória do Rei. 

Veja quanto ele tinha de Rei 

1. Nome real 
“E ele será chamado pelo nome de Emanuel (1.23). 
2. Posição real
“De ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo, Israel” (2.6). 
3. Anúncio real
“Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (3.3). 
4. Coroação real
“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo (3.17). 
5. Proclamação real
“E ele passou a ensiná-los” (5.2); “ele as ensinava como quem tem autoridade” (7.29). 
6. Lealdade real
“Quem não é por mim, é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha” (12.30). 
7. Amor real
“O Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (20.28). 
8. Glória real
“Quando vier o Filho do homem [...] então, dirá o Rei [...] Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino” (25.31,34). 
9. Sacrifício real
“Depois de o crucificarem [...]. Por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, o REI DOS JUDEUS” (27.35,37). 
10. Vitória real
“Ele não está aqui: ressuscitou como tinha dito” (28.6). 
Só Mateus relata a visita dos magos do Oriente. Além de serem magos persas, eram também intelectuais, que estudavam os astros. Vieram adorar e honrar um Rei. Não chegaram indagando: “Onde está aquele que é nascido Salvador do mundo?”, mas: “Onde está o recém-nascido Rei dos judeus?”. 
Marcos, Lucas e João não mencionam os magos porque não estavam registrando o nascimento de um rei. A estrela sagrada havia parado sobre a manjedoura de Belém para anunciar o nas cimento de Cristo. Por esse tempo, o mundo todo aguardava o advento de alguém muito importante. “Onde está o recém-nas cido Rei dos judeus?” era a pergunta em todos os lábios. Com todas as profecias feitas a Israel, nem o mundo nem Israel po deriam ser criticados por aguardarem um Rei que governaria a terra do trono de Davi (Jr 23.3-6; 30.8-10; 33.14-16,23,26; Ez 37.21; Is 9.7; Os 3.4,5). 
Os sacerdotes sabiam onde Cristo iria nascer, porém não o reconhecem quando nasceu. Os magos foram conduzidos a uma pessoa, e não a um credo. 
A adoração dos magos foi prenúncio do domínio universal de Cristo, “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho [...] e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.10,1 1). “Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra” (Sl 72.8). 
Paulo diz em Gálatas 4.4,5: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei”. Jesus veio para ser o Salvador do mundo. 
O nascimento de Jesus foi seguido por doze anos de silêncio até a sua visita aos doutores em Jerusalém. Depois, o silêncio envolveu de novdezoito anos seguintes para informar sobre sua atividade. Jesus preparou-se por trinta anos para um ministério de três anos. 

A PROCLAMAÇÃO DO REINO
(Cap. 3:1-16:20) 

João Batista tinha outro nome. O profeta Isaías, ao falar da vinda do Messias, o Servo de Jeová, menciona uma personagem conhecida simplesmente como “a voz”: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no termo vereda a nosso Deus” (Is 40.3). Essa “voz”, que aparece aqui sem nome, seria o arauto de Jesus Cristo. Teria duas funções: a de voz e a de mensageiro. Isso é tudo o que o AT nos diz de João Batista. Mas já é muito. É realmente maravilhoso que não só Cristo fosse predito nas Escrituras, mas que o seu precursor, João Batísta, também o fosse. 
Em Mateus, ouvimos “a voz”: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3.2,3). 
O Rei precisa ser anunciado! Era dever de esse arauti ir adiante do Rei como o oficial romano ia adiante do governador e ordenava que fossem consertadas as estradas pelas quais seu senhor iria passar. Foi isso que João Batista fez. Mostrou que os caminhos espirituais da vida dos hoens e das nações estavam cheios de sulcos causados pelo pecado e pelas curvas fechadas da iniqüidade e precisavam ser reconstruídos, endireitados. 
O Rei deixa sua vida pessoal e particular e ingressa em seu ministério público (Mt 4). Começa uma crise. Satanás encontra-se com ele. Depois de receber a unção do Espírito Santo por ocasião do batismo, quando o Pai disse: “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”, Jesus sai a fim de realizar os pianos para os quais veio ao mundo. Foi levado ao deserto para enfrentar o primeiro grande conflito do seu ministério público. 
Satanás ofereceu-lhe um atalho para alcançar o reino universal que ele viera ganhar por meio do caminho longo e doloroso da cruz, mas Cristo veio primeiro para ser Salvador e, então, Senhor. Como é grande a tentação de buscarmos um atalho para a realização das nossas ambições! Jesus, porém, saiu vitorioso com seu escudo intacto e sem mancha. Ele prosseguiu e venceu todas as outras tentações até sua vitória final e ascensão ao céu, como Senhor de todos (v. 1Co 10.13). 

AS LEIS DO REINO 

Todo reino precisa ter leis e padrões para governar seus súditos. O reino dos céus não constitui exceção. Jesus declarou ter vindo não para destruir a lei, mas para cumpri-la. A lei antiga serviu para aquela época. Moisés e os profetas estavam adiantados em relação ao seu tempo; foram pioneiros. Jesus não destruiu a lei antiga, mas tratou-a como rudimentar, e não como perfeita e final. 
Jesus disse que toda reforma que inicia de fora para dentro está começando do lado errado. Cristo inicia do interior para o exterior, O único modo de viver certo é ter um coração bom. Do elevado púlpito de um monte, Jesus pregou o sermão que contém as leis do seu reino (Mt 5-7). Leia esses três capítulos e recorde o mais maravilhoso de seus discursos. Está repleto de ensinamentos. Depois de mil e novecentos anos este Sermão do Monte nada perdeu de sua majestade ou poder; sobressai a todos os ensinos dos homens. O mundo ainda não alcançou os mais simples ideais e exigências. Muitos não-cristãos declaram que o Sermão do Monte é sua religião. Como entendem pouco a profundidade do seu significado! O importante não é simplesmente elogiar esse código como uma teoria maravilhosa, mas praticá-lo de fato em nossa vida. Se permitíssemos que esses princípios operassem em nós, eles transformariam todo o nosso relacionamento pessoal, curariam nossas feridas sociais, resolveriam todas as questões entre as nações e poriam o mundo todo em ordem. A base dessa lei é a bondade. Um dia vivido de acordo com seus ensinos seria um pedacinho do céu. Em vez da anarquia, reinaria o amor. Cristo mostra que o pecado não consiste apenas no ato cometido, mas também no motivo que o provocou (v. Mt 5.21,22,27,28). Ninguém pode esperar perdão se não perdoa (Mt 6.12,14,15). Alguém já penetrou na profundidade de Mateus 7.12? É fácil de ler, mas dificíl de praticar. 
Jesus define a natureza e os limites do reino, as condições de entrada, suas leis, seus privilégios e recompensas. O Sermão do Monte estabelece a constituição do reino. Repetidamente, o Rei diz: “Eu, porém, vos digo”. Isso revela a autoridade de Jesus em relação à lei de Moisés. Os homens precisam guardar a lei não só exteriormente, mas também no espírito. Observe o efeito sobre o povo: “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mt 7.28,29). 

O PODER DO REI 

Há 12 surpreendentes milagres em Mateus 8 e 9. Quais são eles? Depois que Jesus realizou os milagres do capítulo 12, lemos: “E toda a multidão se admirava e dizia: É este, porventura, o Filho de Davi?” (12.23). Os escribas, com seu espírito crítico, entram em cena agora e passam a julgar com hostilidade os atos de Jesus (Mt 9.3). O reino está próximo porque o Rei mesmo estava lá. 

OS MINISTROS DO REI 

Jesus não só pregou, mas também reuniu outros ao seu redor. Era preciso organizar o reino e estabelecê-lo em bases mais Amplas e permanentes. Um rei tem súditos; sua luz se reflete por meio de instrumentos humanos. Ele diz: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5.14). Jesus ainda tem uma grande mensagem para o mundo e precisa de nós para anunciá-la. As idéias espirituais não podem caminhar sozinhas pelo mundo e ter algum valor; têm de encrnar-se em pessoas e instituições que lhes sirvam de coração e cérebro, mãos e pés, a fim de praticá-las. Era isso que Jesus estava fazendo. Ele estava chamando homens a fim de treiná-los para darem continuidade a sua obra. 
Onde Jesus encontrou seus colaboradores? Não no templo, entre os doutores da lei ou entre os sacerdotes, nem nas universidades de Jerusalém. Ele os achou à beira-mar, consertando suas redes. Jesus não chamou muitos nobres e poderosos mas “escolheu antes as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios” (1Co 1.27). 
Em Mateus 10.2-4, temos o nome dos discípulos. Esta é, provavelmente, a relação de nomes mais importantes do mundo. A esses homens foi dada a execução de uma obra, diante da qual vencer batalhas e fundar impérios parecem coisas de somenos importância. A grande mensagem deles era o reino dos céus. “E, à medida que seguirdes, pregai que esta proximo o reino dos ceus (Mt 10.7). A tremenda missão deles era dar início a esse reino. 
Observe as advertências e instruções de Jesus aos discípulos em Mateus 10. Quais foram? Se essas exigências para o discipulado vigoram ainda hoje, podemos considerar-nos discípulos de Jesus? Pensemos nas palavras de Cristo em Mateus 10.32,33. 

O REINO DOS CÉUS 

A palavra “reino” aparece mais de 55 vezes em Mateus, pois este é o Evagelho do Rei. A expressão “reino dos céus” aparece 35 vezes aqui e não figura em nenhum outro dos evangelhos. Das 15 parábolas registradas em Mateus, só três não começam com a expressão “O reino dos céus é semelhante a...”. 
Os judeus entendiam bem a expressão “reino dos céus”. Nem Jesus nem João a definiram. No Sinai, Deus disse a Israel: “Vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa” (Êx 19.6). A princípio, Israel era uma teocracia; Deus era seu rei, e o povo formava o reino. Os profetas repetidamente se referiam ao reino messiânicos. 
Jesus comparou o reino dos céus, em Mateus 13:
  • ao semeador; 
  • ao fermento na massa; 
  • ao joio; 
  • ao tesouro escondido; 
  • à semente de mostarda; 
  • à pérola de grande preço; 
  • à rede de pescar. 
Essas parábolas, chamadas de mistérios do reino dos céus (Mt 13.11), descrevem qual será o resultado da presença do evangelho de Cristo no mundo, desde a época presente até sua volta, quando então haverá a ceifa (13.40-43). Não vemos nenhum quadro alvissareiro de um mundo convertido. Haverá joio misturado com trigo, peixes de boa e má qualidade, fermento na massa. (O fermento é sempre tipo do pecado. O Espírito nunca usa o fermento como tipo de algo bom. Verifique isso em sua concordância bíblica.) Ocorre então o crescimento anormal da semente de mostarda a ponto de poderem as aves do céu abrigar-se debaixo de seus ramos. Isso é o cristianismo. Só Cristo pode determinar o que é bom e o que é mau e, por ocasião da ceifa, fará a separação. Se vamos ter o reino aqui na terra com as leis que Cristo estabeleceu, então precisamos ter o Rei. Um dia, Cristo virá em poder e grande glória e estabelecerá seu trono na terra. Quando o Príncipe da Paz reinar, teremos paz! 

A REJEIÇÃO DO REI
(Cap. 16.21-20.34) 

É triste pensar que Cristo “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Primeiro, o reino foi apresentado aos herceiros legítimos, os filhos de Israel, mas estes recusaram a oferta, rejeitaram o Rei, e finalmente o crucificaram. A partir de Mateus 12, vemos uma grande controvérsia entre os guias religiosos a respeito de Jesus. 
Jesus anunciou que o reino seria tirado dos judeus e dado a outra nação. “Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos” (21.43). A declaracao ofendeu os guias religiosos, que procuravam matá-lo (21.46). 
Nosso Senhor apresentou a Nicodemos os requisitos para entrar no reino dos céus (Jo 3.3-7,16). Todos aqueles que crer pode desfrutar dos privilégios e bênçãos do reino que é tanto para o gentio como para o judeu. 
Porque os judeus recusaram o reino? O mundo hoje aspira a uma era áurea. 
Um milênio de paz e tranqüilidade é o grande anseio dos diplomatas e governantes, mas sabe-se que eles o querem a seu modo e de acordo com suas condições; querem que isso se realiza por 
seus próprios esforços. Não anseiam o Milênio que será estabelecido pela volta de nosso Senhor Jesus Cristo. O mesmo aconteceu com os judeus nos dias de João Batista. 
Você já pôs Cristo no trono de sua vida? Tem a paz que tanto anseia? Já aceitou as condições que Jesus estabeleceu para sua vida. 

A IGREJA PROMETIDA 

Encontramos Jesua com seus discípulos em Cesaréia de Filipe, aparentemente com o propósito de ter uma entrevista particular com eles, na qual lhes revelaria uma grande verdade (Mt 16). Só o evangelho de Mateus menciona a palavra “igreja”. Rejeitado o reino, há uma mudança nos ensinos de Jesus. Ele começa a falar sobre a igreja, em vez de no reino (16.18). A palavra “igreja” vem de ecciesia (no grego), que quer dizer “os chamados para fora”. Visto que nem todos creriam nele, Cristo disse que chamaria qualquer pessoa, judeu ou gentio, para pertencer à igreja, que é seu corpo. Ele começou a construir um novo edifício, um novo corpo de pessoas, que incluiria tanto judeus como gentios (Ef 2.14-18). 

A PERGUNTA MAIS IMPORTANTE DA VIDA 

Quando se achavam longe da agitação em que viviam, Jesus fez esta pergunta aos discípulos: “Quem diz o povo ser o Filho do homem?” (16.13). 
Essa é uma pergunta importante atualmente. Feita primeiro por um obscuro galileu naquele lugar afastado, vem ecoando através dos séculos e se tornou a suprema pergunta no mundo de hoje. O que vocês pensam de Cristo? Aquilo que pensamos determina o que somos e o que fazemos. As idéias que os homens têm sobre indústria, riqueza, governo, moral e religião moldam a sociedade e modificam vidas. Assim, o que se pensa de Cristo é a força motora no mundo hoje e, mais do que qualquer outra coisa, influencia a vida e o pensamento da humanidade. 
Os discípulos apresentam as respostas que o povo estava dando. Eram tão variadas naquele tempo como o são em nossos dias. Todos concordavam em que Jesus era uma pessoa extraordinária, no mínimo um profeta, ou uma pessoa com dons sobrenaturais. As opiniões dos homens sobre Cristo são elevadas. A resposta de que Jesus era um mito, um ingênuo ou um impostor já não se tolera. 
A seguir, Jesus transfere a pergunta do terreno geral para o terreno pessoal: “Mas vós, quem dizeis que eu sou?” (16.15). Faça a si mesmo esta pergunta. A pergunta é importante no sentido geral, mas muito mais importante no sentido pessoal. Ninguém pode escapar dela. Uma resposta neutra é impossível. Ou ele é Deus, ou é um impostor. 

A RESPOSTA MAIS IMPORTANTE 

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”, exclamou o impulsivo e ardoroso Pedro. Essa resposta reconhece Cristo como Messias, o cumprimento das profecias do AT. É uma magnífica confissão porque exalta Cristo como o Filho de Deus, eleva-o acima da humanidade e reconhece sua divindade. Daqui por diante, ele revela a esse punhado de discípulos novas verdades a respeito de seus ensinos. Jesus disse a Pedro e aos discípulos, depois dessa confissão: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja. Era isso que iria fazer: construir urna igreja da qual ele mesmo seria a principal pedra de esquina. Essa igreja nasceu em Jerusalém, no dia do Pentecoste (At 2). 
Pela primeira vez, a profética sombra da cruz projetou-se no caminho dos discípulos. Daí por diante, Jesus começou a erguer o pano que encobria o futuro e a mostrar-lhes as coisas que 
iriam acontecer. Ele viu o caminho que o corduziria a Jerusalém, onde os fariseus e os sacerdotes o aguardavam cheios de ódio, e depois a terrível cruz, mas viu também a glória da manhã da ressurreição (16.21). 
Jesus não revelou essas coisas aos discípulos enquanto não estavam prontos para elas. Muitas vezes, Deus, em sua misericórdia, esconde de nós o futuro. 

O REI TRIUNFA 
(Cap. 21.1-28.20) 

Na manhã do Domingo de Ramos, havia um alvoroço em Betânia e ao longo da estrada que levava a Jerusalém. Estava prevista a entrada de Jesus na cidade naquele dia. Os discípulos procuraram um jumento e, tendo lançado sobre ele seus mantos, fizeram Jesus montar, e a procissão começou. Esse pequeno desfile não pode ser comparado em magnificência a muitos cortejo que têm sido celebrados para a coroação de um rei ou para a posse de um presidente, mas teve muito maior significação para o mundo. Jesus permitia pela primeira vez, um reconhecimento público e a celebração de seus direitos como Messias-Rei. O fim aproximava-se com tremenda rapidez, e ele deveria oferecer-se, mesmo que fosse para ser rejeitado. 
Em seu entusiasmo, o povo arrancava ramos de oliveiras e de palmeiras e com eles atapetava a estrada, louvando-o em alta voz. Cria em Jesus e, com todo o seu ardente entusiasmo oriental, não se envergonhava do seu Rei. Em resposta às multidões que perguntavam: “Quem é este?”, eles respondiam com desassombro: “É o profeta, Jesus de Nazaré”. Era preciso coragem para dizer isso em Jerusalém. Jesus não estava entrando na cidade como um conquistador triunfante, como os romanos haviam feito. Não vinha de espada em punho. Sobre ele não esvoaçava um estandarte manchado de sangue. Sua missão era salvar! 
Ao anoitecer, as multidões se dispersaram, e Jesus retornou em silêncio a Betânia. Aparentemente nada havia sido realizado no sentido de torná-lo rei. Seu reino não seria visível nem cercado de aparato; sua hora ainda não havia chegado. Cristo tem de ser Salvador primeiro, para então voltar como Rei dos reis e Senhor dos senhores. 
A autoridade de Cristo foi posta em dúvida, quando entrou no templo e expulsou os mercadores, derrubando as mesas e dizendo-lhes que haviam feito da casa de Deus um covil de ladrões. Seguiu-se uma dura controvérsia: “Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam em alguma palavra” (Mt 22.15). Jesus despediu-se de Jerusalém até o dia em que retornaria para sentar-se no trono de Davi. 

O FUTURO DO REINO 

Jesus pronunciou o discurso do monte das Oliveiras e predisse as condições do mundo depois da sua ascensão até a sua volta, em glória, para julgar as nações pelo tratamento dispensado aos seus irmãos, os judeus (Mt 25). Esse não é o julgamento do grande trono branco, o julgamento dos ímpios mortos, tampouco é o tribunal de Cristo (2Co 5.10), que é o julgamento dos santos segundo as suas obras. É o julgamento das nações gentias por sua atitude para com o povo de Deus. 
Boa parte do sermão de Mateus 24 e 25 é dedicada à sua segunda vinda. Nas parábolas do servo fiel, das dez virgens e dos talentos, ele exorta os homens a estarem preparados. 

MORTE E RESSUREIÇÃO DO REI 

Temos focalizado alguns pontos culminantes da vida de Jesus. Ao entrarmos no Gersêmafli agora começamos a penetrar nas sombras. Vemos o filho de Abraão, o sacrifício, morrendo para que todas as nações da terra sejam abençoadas por meio dele. Jesus foi morto potque afirmou ser Rei de Israel. Ressurgiu dos mortos porque era Rei (At 2.30-36). Apesar de um grande número de discípulos crer em Jesus e segui-loa a oposição dos judeus era cruel, e deliberaram matá-lo. Sob acusação de blasfêmia e de ter afirmado ser o Rei dos judeus fazendo-se, assim, inimigo do imperador romano, Jesus foi entregue a Pilatos para ser crucificado. 
Mateus não é o único a registrar as terríveis circuntâncias da paixão do Salvador, mas faz-nos sentir que a zombaria, a coroa de espinhos o cetro e a inscrição na cruz são testemunhas de que Jesus era realmente Rei, ainda que fossem escarnecedoras. 
Depois de estar pendurado no madeiro cruel por seis horas, o Salvador morreu, não só como resultado do sofrimento físico, mas de um coração partido por levar sobre si os pecados do mundo todo. Ouvimos o seu grito triunfante: “Está consumado!”. Ele pagou a dívida do pecado e se tornou o Redentor do mundo. 

O ALTO PREÇO DA REDENÇÃO 

O modo pelo qual o Messias iria morrer fora prefigurado no AT por vários tipos e símbolos. A serpente de bronze no deserto significava que teria de ser levantado na cruz; o cordeiro no altar judaico significava que seu sangue deveria ser derramado; suas mãos e pés seriam perfurados pelos cravos; seria ferido e atormentado; seus ouvidos se encheriam dos insultos; sobre seu manto lançariam sortes e lhe dariam vinagre para beber. Todos esses incidentes foram preditos na profecia judaica. Essa, porém, não é a história toda da redenção. Jesus foi posto no túmulo de José de Arimatéia, e no terceiro dia ressuscitou, como havia dito. Essa era a suprema prova de sua realeza. Os homens pensaram que ele tivesse morrido, e seu reino, fracassado, mas sua ressurreição assegurava aos discípulos que O Rei estava vivo e que um dia voltaria para estabelecer seu reino na terra. 
Mateus não registra a ascensão de Jesus. O pano desce com o Messias ainda na terra, pois é na terra, e não no céu, que o Filho de Davi irá reinar em glória. A última vez que os judeus viram Cristo, ele estava no monte das Oliveiras. Quando o virem de novo, ele estará no monte das Oliveiras! (V. Zc 14.4; At 1.11.) 

COMISSÃO MUNDIAL 

Jesus anunciou seu programa, e uma hora de crise atingiu a história da cristandade. O clímax acha-se em sua Grande Comissão: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (28.18-20). 
Qual a missão para a qual foram enviados? Conquistar o mundo com exércitos e fazer os homens se submeterem à espada? Não! Sua missão foi “fazer discípulos de todas as nações”. 
Do monte da ascensão, os discípulos partiram a fim de cumprir a ordem, e daquele centro eles têm-se espalhado até que alcancem os confins da terra. O cristianismo não é religião nacional ou racial; não conhece limites de montanha nem mar, mas envolve todo o globo! 

PLANO DE ESTUDO SEMANAL
  • Domingo: O Rei nasceu Mateus 1.18-2.23 
  • Segunda: O Rei inicia a sua obra Mateus 4.1-25 
  • Terça: O Rei enuncia as leis do reino Mateus 5.1-17, 41-48; 6.19-34 
  • Quarta: O Rei e seu seguidores Mateus 10.1-33 
  • Quinta: Os Mistérios do reino Mateus 13.1-52 
  • Sexta: O Rei se oferece como Rei Mateus 21.1-11 
  • Sábado: O Rei voltará Mateus 25.14-16

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