domingo, 26 de fevereiro de 2012

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Visão Holística de Gálatas

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GÁLATAS
Apresenta Jesus Cristo, nossa Liberdade 

Essa epístola demonstra que o cristão já não está debaixo da lei, mas é salvo pela fé somente. 
“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou” (5:1). 
A “lei” é a parte da Palavra de Deus que se encontra nos primeiros cinco livros de Moisés (Gênesis a Deuteronômio) e servia de orientação para todos os aspectos da vida de Israel. 
Durante a sua segunda viagem missionária (At. 16.6), Paulo demorou na Galácia por motivo de saúde (Gl.4:13). Ainda que doente, esse incansável servo do Senhor não pôde permanecer calado, mas continuou a pregar o evangelho. O tema de seus sermões era “Cristo crucificado” (3:1). Foi nessa época que ele organizou as igrejas da Galácia (1:6). Espalhavam-se pela zona rural e eram formadas por gente do interior. Certos mestres da lei tinham seguido Paulo, ensinando salvação pelas obras e declarando que, mesmo sendo verdadeiro o cristianismo, os cristãos deveriam ser circuncidados e praticar todas as obras da lei. Esses mestres diziam que Paulo não ensinava isso porque não era verdadeiro apóstolo e tinha aprendido sua doutrina com outros. Isso perturbou sobremaneira os novos convertidos. 
A circuncisão era o rito inicial da religião judaica. Se um gentio quisesse tornar-se judeu, tinha de observar a lei cerimonial. 
Os falsos mestres começaram a fascinar o povo (3:1), dizendo que ele deveria guardar todas as cerimônias da lei. Paulo queria que os gálatas soubessem que coisa nenhuma — nem fetiches, nem obras, nem cerimônias — poderia levá-los a Cristo. A salvação vem somente pela fé em Cristo, e nada mais. 
Por serem muito volúveis e gostarem de novidades, os gálatas estavam quase aceitando os ensinos desses falsos mestres. Quando Paulo soube disso, escreveu uma carta de próprio punho, por considerar o assunto muito urgente e não haver ninguém perto para escrevê-la (6:11). 
Alguém disse que o judaísmo foi o berço do cristianismo e por pouco não foi seu túmulo. Deus levantou Paulo como o Moisés da igreja cristã para livrar os cristãos dessa escravidão. Essa carta contribuiu mais do que qualquer outro livro do Novo Testamento para libertar a fé cristã do judaísmo (Lei) e do fardo da salvação pelas obras, ensinada por tantos falsos cultos e que tem ameaçado o evangelho simples de nosso Senhor Jesus Cristo. Tanta gente quer fazer alguma coisa para salvar-se. A pergunta do carcereiro de Filipos “Que devo fazer para que seja salvo?” é levantada pelas multidões. A resposta é sempre a mesma: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (At 16.3 1). 
Uma religião sem a cruz não é a religião de Cristo. Ele não veio ao mundo simplesmente para abrir caminho através de uma floresta densa, nem para se tornar o exemplo de um viver verdadeiro. Ele veio para ser o Salvador. 

O poder da cruz
  • Para livrar do pecado (1:4; 2:21; 3:22) 
  • Para livrar da maldição da lei (3:13)
  • Para livrar do egoísmo (2:20; 5:24)
  • Para livrar do mundo (6:14)
  • No novo nascimento (4:4-7) 
  • Em receber o Espírito Santo (3:14)
  • Em produzir o fruto do Espírito (5:22-25)
A carta aos Gálatas é a “Declaração de Independência do Istão”. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). Muitos julgam que as restrições destroem a liberdade. O oposto é que é verdade. Quando entramos num parque público, logo damos com avisos: “Não pise na grama”, “Proibida a entrada de cães”, “É proibido apanhar flores”. Essas leis foram feitas para preservar o parque. Se não tivessem sido estabelecidas, o local em breve se tornaria um simples terreno baldio. Assim é com a sociedade em geral. Se nos revoltássemos contra Deus e sua ordem, nos tornaríamos verdadeiros bárbaros. É o que está acontecendo com o mundo hoje. Liberdade não é independência da lei — isso é licenciosidade. Liberdade é independência dentro da lei. Paulo fala da liberdade que temos “em Cristo” (2:4), pois “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (IICo.3:17). 
Essa é a liberdade de que a epístola trata. Por isso, aprofunde-se em Gálatas e deixe-se saturar por seu ensino. Aprenda o que é ser livre em Cristo. Jesus disse: “Já não vos chamo servos mas tenho-vos chamado amigos” (Jo.15:15).

Gálatas contrasta a lei e a graça
  • Em Romanos, descobrimos a nossa posição. 
  • Em Gálatas, tomamos posição. 
Paulo nos ensina
  • Em Romanos, a usar o intelecto para nos apossarmos das grandes verdades do cristianismo. 
  • Em I Coríntios, a estender a mão para alcançarmos nossos privilégios em Cristo. 
  • Em II Coríntios, a erguer o coração para recebermos as consolações que nos pertencem. 
  • Em Gálatas, a firmar os pés na liberdade que Cristo dá. 

INTRODUÇÃO
(Cap.1:1-11) 

Esta é a única vez, em todos os seus escritos, que Paulo não expressa seus agradecimentos. Ao contrário, ele diz: “Admira- me”. É a única igreja à qual não pede orações. Como poderia fazê-lo, se estavam desonrando o Senhor (1:6-9)?
Paulo admira-se de que esses novos cristãos tão cedo tivessem abandonado o evangelho da liberdade para aceitar uma mensagem legalista que não era nenhum evangelho. Duas vezes ele lança maldição sobre os causadores do problema. Ele diz que, se um anjo do céu viesse pregar algum outro evangelho diferente do que ele pregava, seria anátema (1:8,9). 
Que evangelho era esse pregado por Paulo? O evangelho de Paulo deixava de fora as obras. 
“Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, [...] pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (2:16). 
A dificuldade para a salvação não consiste em procurarmos ser suficientemente bons para sermos salvos, mas em reconhecermos que somos tão maus que precisamos de salvação. Cristo só pode salvar pecadores. A graça não começa até que a lei tenha provado que somos culpados, como mostra a carta aos Romanos. Aí, então, Cristo nos oferece sua justiça. 
Um evangelho em que lei e graça se misturam não tem poder. Os falsos mestres desse tipo de evangelho são anátemas porque pervertem o verdadeiro evangelho. Eles admitiam a morte de Cristo na cruz, mas negavam que somente a fé em seu sacrifício era suficiente para a salvação. Ensinavam que, para ser salvo, o homem precisava observar ao menos uma parte da lei. Julgavam que a simples fé, de acordo com o evangelho que Paulo pregava, não era suficiente para a salvação. O povo gosta dessa espécie de pregação por sentir que pode fazer alguma coisa para inçar mérito diante de Deus. 
Paulo mostra como é séria a nossa condição sem Cristo. Quando um médico especialista diz: “Sua única esperança é isto ou aquilo”, você sabe que sua condição é crítica. Aqui temos as palavras de uma grande autoridade no evangelho. Paulo declara que nossa condição é muito grave e que o evangelho da graça de Deus é nossa única esperança. Não há outra. 
Paulo apresenta a expiação (1:4), uma verdade que antes lhes fora tão cara, mas agora é praticamente rejeitada: “Cristo entregou-se a si mesmo pelos nossos pecados”. 


PAULO DEFENDE O SEU APOSTOLADO 
(Gl 1.12— 2.21) 

O ensino de Paulo tinha a aprovação do próprio Deus (1:11-24). Ele prova que recebeu seu evangelho diretamente dos céus e só Deus poderia tê-lo transformado de homicida em pregador. 
Há muitas coisas que aprendemos pela experiência mas com as coisas de Deus não é assim. Para conhecê-las, é preciso que nos sejam reveladas. 
“Porque, eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo” (1:12). 
Paulo não consultou ninguém sobre o que deveria pregar, mas retirou-se para o deserto da Arábia por três anos e ali ele ouviu Deus. Esteve apenas 15 dias com Pedro e Tiago, por isso não poderia ter aprendido muita coisa com eles.
A autoridade do evangelho de Paulo aparece em sua repreensão a Pedro (2:11-21). Para provar que Pedro não era apóstolo maior que ele, Paulo salienta nesta epístola como o repreendeu abertamente por sua atitude dúbia com respeito a costumes judaicos quando estava em Antioquia. Não fez nenhuma tentativa secreta para solapar a autoridade de Pedro. Paulo não era dominado por esse grande apóstolo dos judeus. O versículo 11 é um argumento irrespondível contra a supremacia de Pedro. 
“Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem” (1:11). 
É bom saber que a amizade de Pedro e Paulo era tão genuína que suportou aquela severa 

O que quer dizer “justificado”? Deus leva a meu crédito o que Cristo fez, como se eu mesmo tivesse feito. Quando um criminoso é perdoado, não pode ser considerado justo. Mas a justificação é o ato de Deus pelo qual ele não só nos perdoa, mas também nos atribui a justiça de Cristo. Deus justifica o pecador sem justificar seu pecado. Ele nos dá uma justiça que não é nossa, mas de Cristo. 
Como somos justificados? Não por obras (2:16,17). As obras estão excluídas! Não somos justificados pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo. 
Não há graus de justificação. No momento em que cremos em Cristo, somos feitos justos. 

A justificação vem:
  • Por Deus — Romanos 3:26; 8:33; 
  • Pela graça — Romanos 3:25; 5:9; 
  • Pela fé — Romanos 3:21-28. 
Paulo termina sua defesa com uma palavra pessoal de testemunho que nos dá um quadro completo da vida cristã, do ponto de vista positivo e negativo, aparentemente um verdadeiro paradoxo:
“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (2:19,20). 
Esse versículo é verdadeiro em relação a todo cristão. Não precisamos ser crucificados com Cristo; já fomos crucificados com ele. Ele morreu em nosso lugar. Vivemos agora não pela lei, mas pela fé. Cristo foi nosso sacrifício pelo pecado e agora é nossa suficiência para a nova vida. A vida cristã é um morrer diário para o eu e o pecado. O Salvador crucicado é quem vive naqueles que participam de sua crucificação. 

PAULO DEFENDE O EVANGELHO 
(Cap.3:1—4:31) 

— Experimentei religião nesses últimos cinco anos; não obtive resultados e desisti — foram as palavras de um jovem ao ser convidado por um pastor a receber Cristo. 
— Eu também experimentei religião durante quinze anos, e de nada fez por mim. Também desisti — respondeu o pastor. 
Seguiu-se uma pausa. 
— Então por que o senhor é pastor? — perguntou o jovem. 
— Depois experimentei Cristo, e ele satisfez todas as minhas necessidades. Não é religião que lhe estou recomendando, mas um Salvador vivo e amoroso. 

A palavra “religião” está caindo de moda porque tem sido distorcida e mal aplicada. Ser religioso, hoje em dia, significa que a pessoa aceita um credo, observa certas cerimônias ou freqüenta certos lugares de culto. Mas isso não é bastante. É preciso que haja uma fé viva num Salvador vivo. É possível ter religião sem ter evangelho. Esse era o perigo que os cristãos da Galácia enfrentavam. Há muita gente que confia na sinceridade de sua fé num credo que formularam para serem salvos. Dizem: “A regra áurea é minha religião”. Mas não há salvação nela, porque “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb.9:22). 
Há pessoas que não acreditam em missões estrangeiras porque dizem que os pagãos têm sua própria religião e não devemos perturbá-los. O fato é que eles têm tanta religião que vivem curvados sob esse fardo sem as boas-novas do evangelho. Recebemos a ordem de pregar o evangelho a toda criatura. 
Religião é o melhor que o homem pode fazer. Cristianismo é o melhor que Deus pode fazer. Qual o resultado do melhor que o homem pode fazer? “Pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (2:16). Como pode o homem tornar-se justo? Mediante a fé em Cristo Jesus (2:16). Cristianismo é o melhor de Deus. “Cristo é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo.1:29). Somos declarados justos não por obras da lei, mas pela fé Nele. 
Paulo está defendendo o evangelho de Cristo. Descreve a própria pregação, apresentando a cruz tão completamente que é como se tivessem visto Cristo crucificado no meio deles (3:1). Ele mostra o que a lei não pôde fazer, mas o que a graça fez. 
Paulo lança uma pergunta desafiadora a esses gálatas insensatos: “Ó gálatas insensatos! Eu lhes trouxe o verdadeiro evangelho, e vocês o receberam com avidez e gratidão. Agora, de repente, o abandonaram. Que aconteceu com vocês?”
“Escutem aqui, seus gálatas sabidos, vocês que de repente se tornaram mestres, enquanto eu mais pareço seu discípulo. Por acaso vocês receberam o Espírito Santo pelas obras da lei ou pela pregação do evangelho?” (paráfrase). Essa pergunta era um desafio a eles porque sua própria experiência comprovava a verdade da pregação de Paulo. 
“Vocês não podem dizer que receberam o Espírito Santo só porque guardaram a lei. Ninguém jamais ouviu tal coisa.” E acrescenta: “Mas logo que veio o evangelho, vocês receberam o Espírito Santo simplesmente por ouvir com fé” (paráfrase). 
Ë difícil acreditar que o inestimável dom do perdão dos pecados e a dádiva do Espírito Santo não sejam ganhos por nosso esforço, mas oferecidos de graça por Deus. Por que não recebêlos? Por que ficarmos preocupados com nossa própria indignidade? Por que não aceitarmos tudo isso com gratidão? 
Um raciocínio tolo logo diz: “Se o homem nada pode fazer para a sua salvação ou para a expiação de seus pecados, então ficará preguiçoso e nem vai tentar ser bom”. Mas o fato é que, quando aceitamos o evangelho com coração grato, logo passamos a praticar boas obras. Queremos agradar a Deus. Aqueles que pensam que devemos ser salvos por nossas obras acham que coisa fácil de alcançar. Sabemos, entretanto, por experiência pessoal, como é difícil simplesmente crer. Lutero diz que o cristaão não está isento de pecar, mas Deus não mais considera o seu pecado por causa de sua fé em Cristo. 
É “o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça” (3:6). Abraão gozava de alto conceito entre os homens por causa de sua vida reta, mas, segundo o padrão de Deus, ele era pecador condenado. Foi justificado com base na fé, e não nas obras. Se a fé sem obras foi suficiente para Abraão, que haveríamos de trocar a fé pela lei? Abraão creu. Isso é fé. A fé diz a Deus: “Eu creio no que dizes”. 
Deve ter causado grande espanto aos orgulhosos e perturbadores judeus ouvirem Paulo dizer que os verdadeiros filhos de Abraão não eram os nascidos de sua carne e sangue, e sim aqueles que criam em Jesus Cristo. Embora nascidos na obscuridade (3:26,29), todos podem graças ao novo nascimento, sentar-se com Abraão, como filhos do pai dos fiéis (3:14,29). 
“Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça’ (3:6,7). 
A MALDIÇÃO DA LEI 

A maldição de Deus é como uma enchente, levando tudo que não é da fé. A lei de que Paulo está falando não é a civil. Essa tem seu lugar, mas a justiça civil nunca poderá livrar alguém da condenação da lei de Deus. Só porque sou um cidadão que cumpre a lei, não quer dizer que sou cristão. As leis civis são bênção para a vida presente e não para a futura. Do contrário, muitos não-crentes talvez estivessem mais perto do céu do que alguns cristãos. Uma pessoa culpada nunca compareceria perante um tribunal alegando inocência só porque pertence a uma igreja, contribui liberalmente ou é aluno da Escola Bíblica. Tampouco pode o não-crente comparecer diante do tribunal celeste e esperar ser aceito só por ter sido bom funcionário, bom cidadão ou uma pessoa correta. Os tribunais terrenos exigem que cumpramos as leis — o celestial demanda que tenhamos fé em Jesus Cristo. 
A lei não pode oferecer justiça, porém traz a morte sobre todos os que não a observam (3:10). Ela exige obediência perfeita. Muitos acham que deveriam ser recompensados por cumprir a lei, mas, de fato, não devem esperar nada. É dever do homem guardar a lei, sem esperar coisa alguma em troca. Podemos passar a vida inteira numa cidade e observar suas leis. A municipalidade irá premiá-lo por não tê-las desobedecido? Por certo que não. É nosso dever cumpri-las. Suponhamos, porém, que, depois de viver dentro da lei por vinte anos, você cometesse um crime. As autoridades o sentenciariam à prisão, por ter infringido a lei. A Bíblia diz que a maldição pesa sobre todos os que quebram a lei, ao passo que a bênção recai sobre todos os que vivem pela fé. 
“Cristo nos regatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (3:13).Visto que todos tinham quebrado a lei, todos se achavam debaixo da sua maldição. Mas Cristo nos remiu. Não voltemos para a lei da qual Cristo nos remiu. “Ó gálatas insensatos, quem vos fascinou para que vos desviásseis da bênção da fé para a maldição da lei?” (paráfrase). 
A lei trata do que somos e fazemos, enquanto a graça trata do que Cristo é e faz. Qual é o valor da lei? Temos a resposta em Gálatas 3:19,20. Tudo tem seu propósito. Vejamos qual é o propósito da lei. A lei foi dada para restringir o ímpio, punindo o crime, assim como as leis civis servem para impedir que os homens matem e roubem, com medo da prisão. Essas restrições não tornam os homens justos; apenas os refreiam do crime. 
A lei também possui um propósito espiritual. Ela nos revela o pecado, a cegueira e o desprezo a Deus. Pelo fato de não matar nem roubar, alguém pode se considerar justo. Como é que Deus mostra o que de fato essa pessoa é? Com o martelo da lei. Enquanto se considerar justa a seus próprios olhos, será orgulhosa e desprezará a graça de Deus. Esse monstro da justiça própria precisa de um grande machado, e a lei é esse instrumento. Quando a pessoa percebe, pela lei, que está debaixo da ira de Deus, começa a rebelar-se e queixar-se contra Deus. A lei inspira ódio a Deus. O que essa pancada do braço da lei consegue? Ajuda-nos a achar o caminho da graça. Quando a consciência fica completamente dominada pelo medo da lei, está pronta a receber o evangelho. 
A lei revela o pecado, porém não o remove. Prova que todo homem é pecador por natureza e o conduz a Cristo. Muitas vezes, pensamos que nos tornamos pecadores ao cometermos atos pecaminosos, mas é porque já somos pecadores que praticamos esses atos. O homem mente porque é mentiroso; rouba porque é ladrão. Não se torna mentiroso quando profere a mentira. Ela prova tão-somente que ele é mentiroso. 
A lei foi dada também para nos conduzir a Cristo quando mostra a nossa necessidade. O evangelho diz que Cristo é o único capaz de atender a essa necessidade (3:23 / 4:11). Paulo declara que a lei nos serviu de mestre para despertar em nós o senso da necessidade que temos de Cristo, a fim de que pudéssemos alcançar a justificação da fé (3:24). A lei de Deus não é como o mestre de antigamente — um verdadeiro tirano. Sua lei não tem o propósito de nos atormentar. A lei de Deus é como o bom professor que ensina as crianças a terem prazer nas coisas que antes detestavam. 
A lei realmente tem seu lugar em conduzir-nos a uma experiência cristã. Você já viu uma pessoa tentar costurar sem agulha? Conseguiria muito pouco se usasse só a linha. É assim que Deus lida conosco. Ele usa a agulha da lei primeiro porque estamos dormindo tão profundamente em nossos pecados que precisamos ser despertados por alguma coisa pontuda. Depois que a agulha da lei penetrou em nosso coração, ele puxa a linha do evangelho do amor, da paz e da alegria. 

FILHOS DE DEUS 

Paulo diz que nem todos são filhos de Deus. É a fé em Cristo, e não as obras da lei, a paternidade de Deus e a fraternidade dos homens, que nos torna filhos de Deus. 
“Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus” (3:26). 
É a fé, e não as obras, que nos introduz na família de Deus. 
Enquanto o herdeiro é menor de idade, não há nenhuma diferença entre ele e um escravo, porque está sob o controle de um tutor. Desse modo, Paulo mostra em Gálatas 4:5,6 que todos os cristãos são filhos de Deus, mas nem todos os filhos são adultos.
“Adoção” é um termo da lei romana que significa designar alguém à posição legal de filho. Isso pode acontecer quando se recebe uma pessoa que não pertence à família por nascimento, ou pelo ato legal do reconhecimento da sua maioridade. Cristo veio remir-nos para que não mais fôssemos escravos, debaixo da lei, mas possuíssemos todos os privilégios de filhos adultos e herdeiros. 
Usando outro exemplo da posição deles como pessoas livres em Cristo, Paulo lembra-lhes que Abraão teve dois filhos: Ismael, filho de Hagar, a escrava; e Isaque, filho de Sara, a livre. Ismael não desfrutou as bênçãos de filho no lar de Abraão, mas foi deixado de fora, ainda que fosse o primogênito, e Isaque foi chamado. É isso que acontece aos que procuram salvar-se pela lei. Mas Isaque, o filho da promessa e da fé, foi o herdeiro de tudo. Do mesmo modo, somos herdeiros de uma promessa espiritual. 

PAULO DESEJA QUE O EVANGELHO SEJA APLICADO 
(Cap. 5 e 6) 

A primeira aplicação do evangelho diz respeito à liberdade pessoal da lei. Paulo quer que os gálatas se apeguem à sua liberdade pessoal. É o evangelho da graça de Deus que dá a verdadeira liberdade (5:1-12). 
“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes...” (5:1,2). 
Se os gálatas procuravam salvar-se pela observância da lei, estavam presos a ela. A liberdade deles deve ser considerada de alto preço, por ter causado tanto — o sangue de Cristo. 

Permanecei firmes. Essa é uma das expressões prediletas de Paulo. Permaneçam firmes: 
  • Na fé — I Coríntios 16:13; 
  • Na liberdade — Gálatas 5:1; 
  • No Espírito — Filipenses 1:27; 
  • No Senhor— Filipenses 4:1. 
O evangelho da graça guarda-nos da imprudência (5:13-15). Muitos têm receio de viver debaixo da graça, pois poderá leva-los a viver a seu bel-prazer. A graça, porém, sempre leva o homem a viver de modo agradável a Deus. 

O mau uso da liberdade 

  1. Por falta de amor — Gálatas 5:13-15. “Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v. 14). Pratique o amor! 
  2. Por uma vida impura — Gálatas 5:16-26. Veja a atuação da carne e leia a relação de suas 15 obras (5.19-21). Esses são pecados tanto da mente quanto do corpo. Somos assim por natureza, e essas são as coisas que praticamos. Cristo deu-nos o Espírito Santo para nos libertar delas. “Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (5:16). Deixe que o Espírito Santo dirija a sua vida. 
A criança aprende a andar com alguém segurando-lhe a mão. Nós começamos a andar no Espírito quando ele nos segura. No entanto, não é só uma ajuda externa, como no caso da criança; é uma ajuda interior. Ele nos guia os passos (5:16)! 

O FRUTO DO ESPÍRITO

Para com Deus 
  • Amor 
  • Alegria 
  • Paz 
Para com o próximo 
  • Longanimidade 
  • Benignidade 
  • Bondade 
Para com nós mesmos 
  • Fidelidade 
  • Mansidão 
  • Domínio próprio 
Em oposição às obras da carne, vemos o fruto do Espírito (5:22,23). Se permanecermos em Cristo, produziremos fruto para Deus. Essas nove manifestações do Espírito são uma realidade em nós? 

SEMEADURA E COLHEITA 
(Cap. 6:7-9) 
“Aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (6:7). 
Se semearmos no Espírito, teremos uma colheita espiritual. Se semearmos na carne (os baixos instintos), colheremos fraqueza moral (6:7,8). 
A colheita não será de acordo com o que sabemos, mas de acordo com o que semeamos. Podemos ter abundância de grãos no celeiro da mente, mas, se não forem plantados em terreno apropriado, não produzirão fruto. Semeie a semente dos pensamentos em palavras e ações. A Palavra de Deus sempre gera semente segundo a sua espécie. 
Semeie as sementes da sua vida no solo do Espírito, e não no da carne. Semeadas no Espírito, elas honrarão a Deus; semeadas na carne, vão apodrecer e produzir corrupção. O Espírito só produz frutos bons; a carne para nada aproveita. 
Muitos se enganam ao dizerem: “Não importa o que eu semeie, desde que seja sincero”. Seria esse um bom conselho para o lavrador? A vida egoísta nunca produzirá o fruto do Espírito. Semear e colher são termos da agricultura. O trabalhador não é comparado a um vendedor ou a um mecânico, mas a um agricultor. A obra cristã não é comprar e vender, mas semear e colher. Quando lidamos com almas, não somos mecânicos. Nosso trabalho não é consertar vidas, mas plantar a Palavra viva. 
Paulo trazia em seu corpo as marcas de um escravo de Jesus (6:17). Eram marcas de: 
  • Propriedade — Pertenço a outrem. A palavra grega stigmata (marca) significa uma gravação feita no rosto, no corpo ou no hraço do escravo ou do criminoso. Quais eram as marcas de Paulo? Eram cicatrizes que ele havia recebido nas perseguições e provações sofridas por amor a Cristo (IICo.6:4; 11:23). As mãos calejadas do operário revelam seu trabalho rude; o rosto crestado do homem do mar, as feridas do soldado, as rugas no rosto da mãe, todos são dignos de honra. As marcas do escravo de Cristo falam, primeiro, de um caráter transformado e depois da obra de amor realizada para ele. 
  • Dedicação - Que cicatrizes receberam os falsos mestres por causa de Cristo? Nenhuma. Eles souberam poupar-se. Mas olhem as minhas, diz o apóstolo. 
  • Comissão — Os falsos mestres tinham chegado munidos de cartas de autorização. Ao que Paulo dizia: “Não trago cartas de recomendação, mas vejam minhas cicatrizes. Elas constituem a minha comissão”. 
Em Cristo, somos livres para conhecer a vida ilimitada que há Nele. Nele somos uma nova criação (6:15); temos nova vida em Cristo. Não é de admirar que Paulo exclamasse: 
“Mas longe esteja de mim gloriar-me senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (6:14). 
Que me importa o mundo? Tenho Cristo, e por isso tenho tudo. Paulo está dizendo: “Oh, a alegria de uma vida livre e plena em Cristo Jesus!”. 

CONTRASTES NO LIVRO DE GÁLATAS 

Graça e lei 

Aquilo que distingue a fé cristã de todas as outras é a graça de Deus. Graça é o favor imerecido de Deus a nós. 
A lei mostra a nossa necessidade. 
A graça mostra a provisão de Deus para atender a essa necessidade. 
A lei diz que temos de trabalhar para obtermos salvação — “Faça!” 
A graça diz que a salvação é gratuita, é um dom — “Feito!” 

Fé e obras 

A fé nos leva a receber a salvação, confiando. 
As obras nos mantêm lutando para merecê-la. 

Frutos do Espírito e obras da carne 

O Espírito dá-nos vitória diária sobre o pecado. 
A carne torna-nos propensos ao pecado. 

Cruz e mundo 

A cruz significa amor e sacrifício. 
O mundo sugere força e egoísmo. 


PLANO DE ESTUDO SEMANAL
  • Domingo: UM SÓ EVANGELHO (Cap.1.1-24)
  • Segunda: JUSTIFICADOS PELA FÉ (Cap.2.1-21)
  • Terça: A LEI APONTA PARA CRISTO (Cap.3.1-29)
  • Quarta: A LEI E A GRAÇA (Cap.4.1-3:1)
  • Quinta: FIRMES NA LIBERDADE CRISTà(Cap.5.1-16)
  • Sexta: CARNE VERSUS ESPÍRITO (Cap.5.17-26)
  • Sábado: SEMEADURA E COLHEITA (Cap.6.1-18)

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